domingo, 29 de novembro de 2015

Folha mente, ops, erra sobre "amigo de Lula" e tem que engolir artigo-resposta do BNDES em suas páginas



A FOLHA ERROU

No primeiro dia deste mês, a manchete desta Folha foi a reportagem "BNDES suavizou exigências para socorrer amigo de Lula", na qual o jornal afirma que o banco contornou norma interna que impediria conceder empréstimos para empresa cuja falência tenha sido requerida.

A matéria insinua que o objetivo seria dar tratamento privilegiado à empresa São Fernando Energia e a seu acionista José Carlos Bumlai por conta de uma suposta relação com o ex-presidente Lula (*).

Não houve nenhuma flexibilização de normas internas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A operação referida pela Folha foi feita na modalidade indireta, em que o BNDES atua em parceria com bancos credenciados.

Nesse caso, a análise do crédito e o risco de inadimplemento ( pagar os valores devidos caso o mutuário não o faça ) são assumidos pelos agentes repassadores, que foram BTG e Banco do Brasil. Em particular, cabem aos agentes atestar que fizeram a análise cadastral, o que incluiu identificar e avaliar processos judiciais e apontamentos que ameacem a solvência do postulante final.

O jornal tentou fazer crer que a operação seria irregular em razão da suposta existência de uma norma interna que vedaria financiar uma pessoa jurídica contra a qual exista um pedido de falência. O normativo em questão, contudo, tem sua finalidade ligada intimamente à etapa de análise de crédito, que, repita-se, nas operações indiretas não cabe ao BNDES, mas aos repassadores da operação.

A Folha não tinha nenhum indício de que teria havido tráfico de influência, mas tentou por dias encontrar algo atípico na operação. Não encontrou nada, mas nem assim deixou de levar sua insinuação à frente.

O jornal também ignorou o contexto em que os financiamentos ao grupo ocorreram. O primeiro, em 2008, aconteceu em um período de crescimento do setor, quando o BNDES e outras instituições financeiras apoiaram dezenas de empreendimentos semelhantes.

Nas operações da São Fernando Açúcar e Álcool, todos os procedimentos foram observados, as devidas garantias exigidas, o rating e o cadastro da empresa eram bons. O projeto foi concluído.

Em 2012, o financiamento indireto à São Fernando Energia ocorreu como parte da reestruturação do grupo, o que melhorou a posição de crédito do BNDES. Quando a empresa deixou de honrar com sua recuperação judicial, o banco não hesitou em pedir sua falência.

O erro da Folha foi grave, pois lançou uma suspeição indevida sobre o BNDES, que se espalha nas redes sociais e contribuiu para associar o nome do banco a operações policiais.

Para ser aprovado, um financiamento no BNDES passa pela avaliação de pelo menos duas equipes de análise e dois órgãos colegiados, num processo que envolve mais de 50 pessoas. Ingerências impróprias são virtualmente impossíveis.

O banco tentou em vão por 25 dias obter uma retratação da Folha. A concessão foi abrir este espaço de artigos, que não tem o mesmo impacto de uma manchete de domingo. [ grifo deste blog ]

Embora a nova Lei de Direito de Resposta seja um avanço, optamos por não nos valer de seus mecanismos judiciais para reestabelecer mais rapidamente os fatos para os leitores.

O BNDES não teme o debate e nem ser avaliado por suas opções estratégicas. Mas as informações precisam ser fidedignas para que a discussão seja justa.

LUCIANO COUTINHO, 69, economista e professor da Unicamp, é presidente do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

( FOLHA )

.(*) Leia AQUI sobre as amizades do Bumlai

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Cerveró levou propina da famosa Alstom no governo FHC, mas Lava-Jato não quis saber de investigar!



Trecho de artigo de Jânio de Freitas, da FOLHA DE SÃO PAULO, reproduzido no VIOMUNDO ( texto integral aqui ):

"(...)Entre outras delações castigadas de Delcídio, um caso esquisito. Investigadores suíços confirmaram, lá por seu lado, que Nestor Cerveró tinha dinheiro na Suíça. Procedente de suborno feito pela francesa Alstom, na compra de turbinas quando ele trabalhava com Delcídio, então diretor Gás e Energia da Petrobras em 1999-2001, governo Fernando Henrique. A delação do multipremiado Paulo Roberto Costa incluiu o relato desse suborno. Mas a Lava Jato não se dedicou a investigá-lo e o procurador-geral da República o arquivou, há oito meses. Os promotores suíços foram em frente.

Na reunião da fuga, Delcídio soube com surpresa, por Bernardo, que Cerveró entregara o dinheiro do suborno ao governo suíço, em troca de não ser processado lá. É claro que a Lava Jato e o procurador-geral da República estiveram informados da transação. E contribuíram pela passividade. Mas o dinheiro era brasileiro. Era da Petrobras. Foi dela que saiu sob a forma de sobrepreço ou de gasto forçado. Não podia ser doado, fazer parte de acordo algum. Tinha que ser repatriado e devolvido ao cofre legítimo.

A Procuradoria Geral da República deve o esclarecimento à opinião pública, se fez repatriar o dinheiro do suborno ou por que não o fez. E, em qualquer caso, por que não investigou para valer esse caso. Foi ato criminoso e os envolvidos estão impunes. Com a suspeita de que o próprio Delcídio seja um deles, como já dito à Lava Jato sem consequência até hoje (...)."

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O que o Datafolha mostra e a Folha esconde




Ter acesso direto à pesquisa dos institutos é melhor que se basear exclusivamente na interpretação dos jornais. Por exemplo, na página do Datafolha, é possível conhecer detalhes que a própria Folha de S. Paulo não se interessa em mostrar.

Primeiro, é importante dizer que o instituto não trabalha com as qualificações "péssimo", "ruim", "regular", "bom" ou "ótimo", mas com notas: de um a dez. As notas 5 e 6, por exemplo, compõem o que os jornais chamam de "regular".

Assim, na avaliação dos brasileiros, em agosto, o governo Dilma era regular para 20%. E bom (notas 7 e 8) ou ótimo (9 ou 10) para 14%. O que mostra que 34% dos ouvidos não concordam que o governo seja ruim ou péssimo.

O que é surpreendente, diante da crise econômica, política, e artilharia pesada da imprensa. O resultado, então, destoa daqueles "apenas 8%" de aprovação tão propagados.

Se olharmos as regiões, a situação é bem diversa entre elas. Enquanto no Sudeste, 31% dos pesquisados atribuíam nota cinco ou maior para Dilma, no Nordeste, esse percentual saltava para 44%.

Ainda em agosto, Dilma tinha 41% no Norte, 31% no Sul, e 28%, no Centro-Oeste, a menor avaliação.

É importante levar em consideração o peso de São Paulo, no Sudeste. Não será surpresa, se o percentual dos que não reprovam Dilma nos outros estados da região seja maior.

=========== X X X ============

NOTA DESTE BLOGSe os números apresentados pelo Datafolha forem confiáveis e representativos, por mais que se fale o tempo todo em "crise,crise,crise", soa muito curioso que apenas 10% dos entrevistados achem que o desemprego é o maior dos problemas do Brasil na atualidade.

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Gil "Legislador" se inspira em Zé Roberto para ajudar Juventus a voltar à elite do futebol paulista



Jogador não disputou a Copa Paulista, mas retorna para atuar na Segunda Divisão do Estadual

Após se afastar do Juventus da Mooca no segundo semestre de 2015, o atacante Gil, ex-Corinthians, está de volta ao clube.

O ex-camisa 10 do Timão começará a se preparar para ajudar o Moleque Travesso na caminhada que poderá levar o time novamente à elite do futebol paulista.

Confira a seguir a entrevista de Gil, que disse, entre outras coisas, inspirar-se em Zé Roberto, do Palmeiras, para buscar o melhor em campo, mesmo com a idade já avançada (35 anos). 

R7 - Você foi um dos principais nomes do Juventus no primeiro semestre. Por que não continuou no segundo e o que motivou a sua volta? 

Gil: Voltei porque fui bem acolhido. Encontrei pessoas profissionais e de boa índole. Não renovei antes porque tinha algumas coisas para resolver. Moro aqui e estava mudando de casa no interior (ele passou um tempo em sua cidade natal, Andradina, no interior de São Paulo). Não daria para dar sequência no trabalho aqui no Juventus, mas deixei as portas abertas para voltar para a Segunda Divisão do Paulista.

R7 - Até que ponto a parceria do clube com uma esfiharia da região e o sucesso da premiação para o melhor jogador influenciaram na sua volta?

Gil: Percebi que a parceria e a premiação renderam muitos comentários nas redes sociais. É o fruto de um trabalho. Foi tudo muito espontâneo. Não imaginei que teria esta repercussão. As coisas simplesmente aconteceram. Em toda a minha carreira, eu sempre fui espontâneo. Não sou um jogador marqueteiro. Até a frase (Vale tudo, só não vale dar o c...) saiu sem planejar. A galera percebe quando um atleta é forçado. Eu nunca forcei nada. Não tem maldade. Agora, voltando à parceria com a Esfiha Juventus, o negócio deu muito certo porque os dois lados sempre trabalharam sério. Se eu não tivesse feito os gols, nada disso teria acontecido.

R7 - Agora quais são seus objetivos?

Gil: Pretendo fazer uma nova história. Colocar o Juventus na Primeira Divisão do Paulista, um lugar em que já esteve e deve ficar por muitos anos. É um time muito querido e tradicional.

R7 - Mas você ficou muito tempo parado e está com 35 anos. Não vai ser difícil voltar ao ritmo e à forma ideias?

Gil: Não vai ser difícil porque já começamos a trabalhar no final de 2015 com foco em 2016. É como se fosse uma pré-temporada. No primeiro semestre, eu disputei a Terceira Divisão do Paulista sem fazer uma pré-temporada. Quando cheguei, o Juventus já estava disputando amistosos e tive que acelerar o processo, jogando até acima do peso. Agora tenho dois meses para me preparar. Vou estar mais bem condicionado.

R7 - De qualquer forma, se continuasse com a equipe no segundo semestre, a preparação para 2016 seria mais fácil, não?

Gil: Não adianta estar bem apenas fisicamente. Tem que haver um equilíbrio. É preciso estar com a cabeça boa também. Focado. Precisava resolver umas questões fora das quatro linhas. Não sou mais um menino. Então priorizei a resolução destes problemas para agora voltar ao clube. Coloquei as coisas em ordem.

R7 - Você não acha que as festas de final de ano podem atrapalhar a preparação para o ano que vem?

Gil: Estamos trabalhando forte agora justamente para não ter nenhum prejuízo. Todo o elenco deve ter uma folga de uma semana por causa das festas. O descanso também é necessário para não forçar muito a musculatura. A preparação foi feita para não sentirmos tanto no retorno após a pausa. Mas é claro que os jogadores precisam cuidar da alimentação e todos os outros aspectos relacionados ao físico.

R7 - Agora falando sobre especulações, houve propostas no final do primeiro semestre? Falaram que você poderia ir para a Portuguesa ou até para o time do Ronaldo nos EUA...

Gil: Foram somente especulações. Não teve nada de concreto. É normal o telefone tocar quando você realiza um trabalho bem feito como aconteceu na Terceira Divisão do Paulista. Mas já joguei fora do Brasil e sei que a preparação física não é tão boa. Vários atletas sofrem para atuar aqui novamente depois de um tempo no exterior. Se eu saísse do País, encerraria a carreira rapidamente. Continuando aqui, tenho condições de jogar por mais algum tempo.

R7 - Você poderia falar um pouco melhor sobre esta diferença de preparação entre os times brasileiros e estrangeiros?

Gil: O atleta não é tão exigido no exterior. Independentemente do que muita gente fala, o Brasil ainda tem o melhor futebol do mundo e ótimos profissionais. É cinco vezes campeão mundial. Eu sou um jogador acostumado a atuar em alto nível. De repente, lá fora, você ganha dinheiro, mas não compete em alto nível. Eu, por exemplo, saí duas vezes do País e não joguei como desejava.

R7 - Por que não conseguiu?

Gil: Nem sempre a adaptação é fácil. Aí chega para jogar em um time que não é tão grande e eu sempre joguei por equipes grandes no Brasil. Eu gosto de atuar com a pressão da torcida. Lá não tem isto. Até porque a língua é diferente. Então não absorvi a cobrança dos torcedores e relaxei. Alguns atletas lidam bem com a falta de pressão. Eu não lido.

R7 - Mas por estar com 35 anos, uma proposta financeiramente boa de fora não te deixaria balançado?

Gil: A não ser que seja algo muito bom, naqueles valores irrecusáveis. O Juventus me acolheu bem. É perto da minha casa. Temos bons profissionais aqui e um bom time. Há condições de fazer um excelente trabalho. Lá fora não sei se encontraria este cenário.

R7 - Dá para dizer que você se desapegou um pouco do dinheiro? No sentido de colocar outros fatores como prioridade na hora de ouvir uma proposta? 

Gil: O que fica é a sua carreira, as suas marcas e os seus números. Posso dizer que fui vitorioso. Tive uma passagem muito boa pelo Corinthians e ganhei títulos em outros clubes. Nem sempre o dinheiro é o mais importante. Hoje, os jogadores conseguem ter uma carreira mais longa, mas, como disse, no exterior eu não conseguiria jogar por muito mais tempo. Por isso, não seria tão fácil eu sair do Juventus. A pressão que se tem aqui se transforma em carinho da torcida depois de alcançar o objetivo como o acesso para a Segunda Divisão do Paulista.

R7 - Falando em estender a carreira, algum jogador te inspira a continuar jogando futebol?

Gil: O Zé Roberto (Palmeiras) é uma fonte de inspiração para qualquer um. Mesmo passando muito tempo na Europa, ainda está muito bem fisicamente. Sheik (Flamengo), Danilo (Corinthians), Fernando Prass (Palmeiras) e Ricardo Oliveira (Santos) ainda estão na atividade também. Eles dão frutos. Não simplesmente entram no campo. O dia em que eu entrar em campo e perceber que não rendo mais, vou encerrar minha carreira.

R7 - Antes de jogar pelo Juventus no primeiro semestre, você ficou parado por quatro anos. Como foi esta volta?

Gil: Não foi fácil. Conheço vários jogadores que desistiram. Eu parei, mas nunca desisti. Tinha em mente que iria voltar e deixei o corpo condicionado para a volta. Claro que não mantive meu peso ideal, porém a minha cabeça nunca foi de um ex-jogador. Sabia que poderia jogar mais. Até porque nunca tive uma lesão séria. Hoje, estou preparado para ajudar o Juventus na Segunda Divisão do Paulista. Sei que para um desafio maior, na elite, não estaria capacitado. É frustrante não dar conta do recado. Mas quem sabe no ano que vem não esteja pronto para a Primeira Divisão? O que não quero é “roubar”, gíria do futebol usada para aquele cara que entra em campo e não dá o seu melhor.


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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Direito de resposta: "Não podemos deixar que a Globo acuse, julgue e condene", diz senador



Requião sobre TV Globo: 'Não podemos deixar que acuse, julgue e condene'

No segundo dia de debates no Sindicato dos jornalistas de SP, senador teve a companhia do jurista Fábio Konder Comparato, que defendeu o “direito de resposta social”, e do cientista político João Feres

São Paulo – O senador Roberto Requião (PMDB-PR) defendeu ontem (26), em São Paulo, a Lei do Direito de Resposta (n° 13.188/2015), da qual é o autor. Segundo ele, o texto legal está sendo mal interpretado ao ser considerado por órgãos de imprensa e alguns advogados como uma ameaça à liberdade de expressão. O senador lembra que a lei nem sequer prevê entrar no mérito ou condenar veículos de imprensa por prejudicar a imagem de pessoas.

“O fundamental é dizer que, com a lei, não se trata de julgar o mérito de uma acusação de um meio de comunicação. Trata-se apenas de garantir o direito ao contraditório”, disse.

Referindo-se à TV Globo, o parlamentar afirmou: “Nesse tribunal da opinião pública, não podemos deixar que um mega-órgão de comunicação, verticalizado, que tem rádio, televisão, jornal, revista, acuse, julgue e condene, destruindo a imagem e qualquer possibilidade social de sobrevivência do personagem, que pode ser um político, sim. Mas pode ser o coreano dono da Escola de Base, ou um sujeito qualquer do interior. Esta lei é tão drástica assim? Não é.”

Além de Requião, participaram do evento, no segundo dia de debates no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (com o tema "Direito de resposta: regulação e liberdade de imprensa”), o jurista Fábio Konder Comparato e o cientista político João Feres Júnior, coordenador do Manchetômetro. Na quarta-feira, o debate reuniu Franklin Martins, ex ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o jornalista Paulo Henrique Amorim e o professor Laurindo Lalo Leal Filho.

O senador contou que o projeto tramitou por cinco anos antes de virar lei e chegou a ser engavetado pelos dois mais recentes presidentes da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), hoje ministro do Turismo, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Engavetaram o projeto, até que eles e seus colegas parlamentares perceberam que a proposta podia lhes interessar. Circunstâncias surgiram, e a pimenta começou a arder nos olhos deles todos. De repente, verificaram que o direito de resposta, que queriam impedir de qualquer maneira, também tinha a ver com eles, que estavam sendo acusados de coisas e não tinham nenhuma condição de fazer a contraposição.”

Em palestra erudita, o jurista Fábio Konder Comparato ressaltou a importância do direito de resposta, mas defendeu a ampliação do que chamou de “direito de resposta social”. “É preciso que alguém tenha o direito de responder representando a sociedade. Um jornal diz que uma negra tem um cabelo horrível ou que afinal o sujeito é muito mão fechada porque é descendente de judeu. Ou, até há pouco tempo os homossexuais eram tratados com paulada. É preciso o direito de resposta por retificação social, para a defesa de uma etnia, uma cultura, uma população.”

Comparato defendeu também que ONGs ou representantes de profissionais, por meio de sindicatos, tenham direito de ocupar horários na televisão e no rádio. Ele afirmou considerar fundamental “desoligarquizar” os meios de comunicação. “Precisamos avançar a uma era em que o povo possa debater coisas importantes para si, tal como acontecia na Ágora grega.”

João Feres Júnior fez uma apresentação sobre a atuação da imprensa em campanhas eleitorais e mostrou uma série de manchetes da Folha de S. Paulo, no processo eleitoral de 2010, que "chegam a ser cômicas", disse. "Dados sigilosos da filha de Serra foram obtidos por filiados do PT", dizia uma manchete do jornal paulista. "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma", informava outra.

Requião voltou a criticar a presidenta Dilma Rousseff por ela ter vetado artigo da nova lei que garantia ao ofendido se apresentar pessoalmente em veículo rádio ou TV para responder a uma ofensa. “O veto é completamente irrazoável.” Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim há duas semanas, o senador disse que o veto foi uma concessão às emissoras de TV, principalmente a Globo.

Ontem, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade, no Supremo Tribunal Federal (STF), contra a Lei de Direito de Resposta. O argumento é o de sempre: segundo a entidade, a legislação é inconstitucional por ofender a liberdade de imprensa.


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"Vaza Jato": Vazamento ilegal só é ilegal se desconcertar ministros do STF



JURISPRUDÊNCIA?



Os ministros do STF ficaram "desconcertados" com o vazamento de delação negociada na Lava-Jato, que deveria estar sob segredo de justiça. Em decorrência, a PF abriu investigação, provavelmente para concluir que o depoimento vazou sozinho, sem ajuda de ninguém.

A Lava-Jato vaza informações há quase dois anos, diariamente, para os veículos de imprensa da confiança de policiais, procuradores e juízes. Isso nunca desconcertou nenhum dos supremos, nem levou a PF a investigar qualquer coisa a respeito.

A investigação de agora, portanto, parece configurar uma importante sentença do tribunal mais alto do país: vazamento ilegal só é ilegal se desconcertar ministros.

Já vazar para o país inteiro, sempre seletivamente, promovendo o linchamento imediato dos acusados na opinião pública e destruindo seu direito de defesa, isso pode.

Confere, excelências?


GABRIEL PRIOLLI


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A Folha reinventou o conceito de jornalismo com a foto de Lula na 1.a página, por Paulo Nogueira



A Folha reinventou o conceito de jornalismo em sua primeira página de hoje.

Sobre a manchete que tratava da prisão de Delcídio, o jornal publicou uma enorme foto de Lula, de autoria de Jorge Araújo.

Não um Lula qualquer, naturalmente. Um Lula abatido, sombrio, com ar de derrotado. Dando, diria um poeta parnasiano, adeus às ilusões.

O bom blogueiro Mario Magalhães, do UOL, conseguiu ver na foto uma imagem histórica, épica.

Quanto a mim, vi uma espetacular demonstração de antijornalismo. Lula não tinha nada a ver com a manchete de Delcídio.

Que outro objetivo poderia haver, ali, se não o de associar Lula a Delcídio e, portanto, à sujeira e à corrupção?

Foi o triunfo da manipulação e, também, da preguiça. 

Suponha que a foto seja, de fato, extraordinária, como disse o blogueiro MM.

Então, senhores, tirem a bunda da cadeira e produzam um texto que dê contexto a ela.

Lembro uma época em que a Folha citava, diariamente, seu Manual, como se fosse o Alcorão do jornalismo. O que o Manual diria disso?

Também estou curioso para saber a opinião da ombudsman Vera Guimarães, a testemunha impotente da transformação da Folha numa semi-Veja diária.

É mais um capítulo da perseguição que a Folha, em sintonia com a grande mídia, move contra Lula.



A caça a Lula se intensificou depois que ele começou a processar jornalistas que publicam alegremente, sem qualquer preocupação com a acurácia, acusações contra ele.

Alguns meses atrás, um blogueiro do UOL publicou que Lula tivera uma recaída do câncer. Seu pâncreas, segundo o jornalista, fora atingido. Quem conhece o mínimo de saúde sabe que, se fosse verdade, Lula já estaria morto, dada a brutalidade do câncer no pâncreas.

Mas sequer uma correção foi feita.

Paro um segundo para examinar a foto em si. Ela é tão boa assim? É para a Folha, pela circunstância de mostrar um Lula abatido.

Quem não tem momentos de expressão preocupada? Talvez apenas Otávio Frias, o dono da Folha. Mas, tirando ele, somos todos humanos, sujeitos aos mesmos ciclos de alegria, júbilo e tristeza.

A foto teria valor se refletisse algo mais que um momento. Mas, aparentemente, não é o caso. Lula, segundo informações confiáveis, acordou nesta sexta às 4 horas da manhã para ir a um ato político.

Está, portanto, pelejando.

As fotos dele no ato mostram um Lula exuberante. Mais uma vez, foi o registro de um instante, assim como no caso da foto da Folha.

Todos nós passamos por essas instabilidades todos os dias. Em suma: é uma foto apenas boa usada com fins muito ruins.

Está claro que a Folha só vai querer uma coisa de Lula, caso ele seja eleito em 2018.

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A Síndrome de Estocolmo de São Paulo com o PSDB



É assustadora a complacência dos paulistas diante das falhas e da gestão medíocre do governo Geraldo Alckmin. Tome-se o caso do metrô ou a educação

Em 1973, dois ladrões armados fizeram quatro reféns durante assalto a um banco na capital da Suécia. No segundo dia de forte cerco policial começou o inesperado - as vítimas criaram empatia e passaram a defender os seus algozes.

A história causou tamanho estranhamento que virou caso de estudo. Foi descrita como um sintoma psiquiátrico que ganhou o nome de Síndrome de Estocolmo.

Em São Paulo, após 21 anos de PSDB, decartéis do metrô, educação em frangalhos,sigilo de documentos e seca nas torneiras, estaria a população do estado passando por crise semelhante?

É assustadora a complacência dos paulistas diante das falhas e da gestão medíocre do governo do PSDB. Tome-se o caso do metrô. A corrupção seria gigantesca e as investigações do cartel chegam aos gabinetes de grãos-tucanos.

O processo está parado há um ano. Há dias, soube-se que a linha 5 vai custar R$ 1,1 bilhão a mais (25%). Mas nem as denuncias mais sórdidas parecem animar o batuque das panelas de classe média, tampouco os comentários de taxistas. 

Enquanto se espremem em trens superfaturados, num sistema que se expande a 2 km por ano, paulistanos criticam as "creches de Haddad" (como a imprensa gosta de chamar), mas nada se ouve sobre o "metrô do Alckmin". É de se admirar o grau de anestesia coletiva. 

No rico interior do estado, a condescendência é similar. Muitos paulistas interioranos não se importam com o metrô nem se empolga com os anúncios nunca cumpridos de trens de passageiros nas cidades interioranas.

Para muitos paulistas do interior, governo bom é governo que faz estradas. E as rodovias de São Paulo, privatizadas pelo PSDB, são de fato de primeiro mundo, assim como o preço abusivo dos pedágios. Nem o aumento sazonal das tarifas parece empolgar a crítica. Agora, que se ouse reajustar o preço da gasolina para se ver o tamanho da virulência.

Toda uma geração de paulistas com menos de 30 anos não se lembra de governo que não tenha sido tucano. E toda essa turma vê, desde que se entende por gente, a publicidade do governo do estado dizendo que o rio Tietê está sendo despoluído. Ainda assim, é mais fácil paulista criticar a demora na despoluição da baia de Guanabara ("como assim não ficará pronta para as Olimpíadas?") do que falar sobre a lerdeza dos obras no Tietê.

Paulista vive com medo da insegurança, embora viva no estado com a capital que registra os menores níveis de violência do País (se os dados oficiais do governo tucano não tiverem sido adulterados, vale ressaltar). Apesar de tamanho medo, é mais fácil ver um prefeito ouvir a cobrança dos eleitores paulistas do que o governador.

Há 21 anos, São Paulo é governado pela tucanocracia. Ninguém sabe o que se passa na Assembléia Legislativa do Estado. Quantas vezes o leitor viu uma matéria nos jornais sobre o trabalho dos deputados estaduais na Assembleia? Quantas CPIs contra o governo tucano existiram? Agora compare com a cobertura da imprensa da Câmara Federal e com a Câmara dos Vereadores e tire suas conclusões. 

E o que dizer da decisão "bolivariana" (usando o termo só para fazer troça com os míopes da política) do governador Alckmin de decretar décadas de sigilo para documentos da Sabesp (a companhia de água que faz a gestão da seca), para os do Metrô, da PM e, espante-se, cem anos de segredo para a administração penitenciária? O que tem o PSDB a esconder?

Para os psiquiatras, a Síndrome de Estocolmo é um sintoma em que algoz e vítima acabam mantendo uma relação emocional que supera os abusos ou intimidações. Dada a maciça votação recebida por Alckmin e a benevolência da sociedade paulista com o governo tucano, não me resta senão concluir que São Paulo vive uma síndrome coletiva.

Mas sempre há esperança. E parece que desta vez vem das escolas. Ainda é cedo para dizer se as ocupações contra o fechamento de colégios estaduais farão Alckmin desistir da "reorganização escolar". Mas os estudantes secundaristas já estão fazendo história ao impor um constrangimento simbólico à tucanocracia.

Maurício Moraes, na Carta Capital

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Sobre o monotrilho da linha 15-Prata, por Evaristo Almeida



A cidade de São Paulo tem quase 12 milhões de pessoas, o equivalente a 5,5% dos habitantes do Brasil. Com essa concentração populacional o Metrô deveria ser o principal meio de transporte motorizado na cidade. Mas, pela rede pífia de Metrô que a cidade de São Paulo possui apenas 75,5 km, totalmente localizada dentro dos limites do município, os ônibus municipais é que fazem o serviço que deveria estar a cargo do Metrô.

O metrô é um modal estrutural de alta capacidade, que deveria estar transportando a maior parte dos passageiros da Capital. Nos últimos 21 anos foram construídos apenas 32,1 quilômetros de metrô em São Paulo, o equivalente a 1,52 km ao ano. Muito pouco, a cidade deveria ter pelo menos 300 quilômetros.

Na zona Leste onde mora cerca de 3,5 milhões de pessoas, o transporte é um caos. É uma região populosa com poucos empregos. Todo dia há um grande deslocamento pendular de pessoas que se dirigem ao centro da cidade, sobrecarregando todos os modais existentes, a linha 3 – Vermelha do Metrô, as linhas 11- Coral e 12 – Safira da CPTM e os principais eixos rodoviários. A região compreendida pelas subprefeituras de Vila Prudente, Sapopemba, São Mateus, Cidade Tiradentes, Itaquera, Guainases e Aricanduva, tem uma população aproximada de 2,3 milhões de habitantes. Se juntarmos as cidades próximas, como São Caetano, Santo André e Mauá essa população salta para 3,550 milhões.

Com a chegada da linha 2 - Verde do Metrô na Vila Prudente, todos aguardavam que essa linha seguisse em frente, após o Oratório e chegasse até Cidade Tiradentes. Por parte da Prefeitura havia um projeto de ligação do Parque D. Pedro II até a Cidade Tiradentes. O projeto foi para um corredor com 32 km de extensão, dos quais nove elevados, seis terminais, várias estações de transferência e com capacidade para transportar 350 mil passageiros por dia; a mesma capacidade um monotrilho. Esse que seria o maior corredor da cidade, chegaria em elevado até a Vila Prudente, com um ramal para Sacomã; essa parte do projeto foi concluída e está funcionando, sobre a Avenida do Estado e depois seguiria pela Avenida Professor Luiz de Anhaia Mello, Avenida Sapopemba, Avenida Ragueb Chohfi, Estrada do Iguatemi e Cidade Tiradentes.

Esse corredor reduziria pela metade o tempo de viagem de 140 minutos para 70 minutos. A obra previa ainda uma extensa intervenção urbana desde o Parque D. Pedro II até a Cidade Tiradentes, requalificando e melhorando o entorno do corredor. O custo atualizado pela IGPM do Corredor Parque Dom Pedro II à Cidade Tiradentes seria de R$ 2,2 bilhões.

O governo do Estado anunciou em 2009 que a linha 2 – Verde não iria seguir em frente e sim fazer uma curva em direção a Estação da Penha, na linha 3 – Vermelha. Como solução para a população da Cidade Tiradentes, foi apresentado um novo modal de transporte o monotrilho. No Brasil a única experiência com monotrilho foi em Poços de Caldas, uma linha para fins turísticos que não vingou. E anunciaram com tanta ênfase que prometeram entregar o trecho Vila Prudente – Oratório até 2010, Oratório – São Mateus no segundo semestre de 2011 e finalmente chegar a Cidade Tiradentes no segundo semestre de 2012, com 24,5 quilômetros de vias, 17 estações, dois pátios e 54 trens.

Esse anúncio pegou todo mundo de surpresa, afinal o que era monotrilho?

Monotrilho é um modal de média capacidade, sou seja, transporta no máximo 20 mil passageiros por hora sentido, que se locomove num trilho único, na verdade uma viga de concreto que fica a 15 metros do chão. O carro do monotrilho é sustentado e equilibrado sobre pneus.

Os movimentos sociais argumentaram com o governo estadual que esse modal não era o adequado para a região que apresenta uma alta demanda por transporte público e necessitava de um sistema de alta capacidade, ou seja, capaz de transportar 80 mil passageiros por hora sentido. Nas audiências públicas que foram realizadas na região, os movimentos sociais disseram que o ideal era o governo estadual levar o Metrô até a Cidade Tiradentes, ou pelo menos avançar até São Mateus com esse modal. Somente o Metrô teria capacidade de atender com segurança, qualidade e conforto a demanda que naquela altura já passava dos 40 mil passageiros por hora sentido. Outra constatação dos movimentos sociais era que o modal não apresentava segurança para os passageiros e em vários países o monotrilho tinha sido abandonado, como em Sidney, na Austrália, ou são fracassos como em Dubai, que transporta menos de cinco mil usuários por dia.

O governo estadual propôs então criar um novo modal o monotrilho de alta capacidade que não existe em lugar nenhum, com capacidade para transportar 48 mil passageiros por hora sentido ou 500 mil diariamente. O argumento era que o sistema seria mais rápido de fazer e mais barato do que o Metrô. O orçamento inicial era que o monotrilho iria custar R$ 2,3 bilhões ou R$ 100 milhões o quilômetro, mas na primeira licitação deu vazia, nenhuma empresa se interessou. O governo estadual refez o edital, aumentou o valor para R$ 2,9 bilhões e tirou as estações do projeto, que foram licitadas separadamente.

Como a Estação da Vila Prudente da linha 2 - Verde Metrô estará sobrecarregada com a ligação com Guarulhos, o projeto do monotrilho foi estendido até a Estação Ipiranga da linha 10 – Turquesa da CPTM. Atualmente o projeto do monotrilho está orçado em R$ 7,1 bilhões, segundo dados divulgados pelo governo, ou R$ 4,8 bilhões acima do previsto inicialmente.

O contrato foi assinado em 2010, com previsão de chegar a São Mateus em 2014 e na Cidade Tiradentes em 2016. Estamos em novembro de 2015 e por enquanto somente 38,9% das obras foram feitas, segundo dados do governo estadual, com um pequeno trecho de 2,9 quilômetros funcionando parcialmente, entre Vila Prudente e Oratório, transportando 12 mil passageiros diariamente.

O monotrilho está em baixa no Brasil, várias cidades como Manaus e Niterói que pleitearam a construção do modal, desistiram por causa do custo e da complexidade operacional. Outro que se colocou contra o sistema foi o secretário Dario Rais Lopes, em oitiva na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no dia 23/10/2015. Ele disse que a tecnologia ainda não está assimilada no país e teme por esqueletos que podem ficar pela cidade, com desperdício de dinheiro público.

Há várias irregularidades na construção de monotrilhos em São Paulo, como a licitação da linha 17 – Ouro, conforme denunciado pelo Tribunal de Contas da União, sem projeto básico e orçamento, conforme prega a legislação. Na linha 15 – Prata, os projetos foram mal elaborados, o que está aumentado o custo da obra e o atraso. Isso ficou muito claro quando “encontraram” o Córrego da Mooca, que está tendo de ser desviado para a construção da linha. Claramente as obras de monotrilho em São Paulo vão de mal a pior, na linha 18 – Bronze que fará a ligação com São Bernardo do Campo, as obras não começaram porque o governo estadual não tem os recursos para a desapropriação e a linha que deveria entrar em operação em 2018, ficará agora para 2020.

No dia 27 de agosto, outra surpresa, foi dito que o secretário Clodoaldo Pelissoni, no jornal SPTV, congelou a linha 15 – Prata até Iguatemi e que o monotrilho não chegará mais a Cidade Tiradentes, não construindo as estações de Jequiriçá, Jacu-Pêssego, Érico Semer, Marcio Beck, Cidade Tiradentes e Hospital Cidade Tiradentes, além do trecho até a Estação Ipiranga. Assim como na linha 17 – Ouro, que foi reduzida para ligar apenas o Aeroporto de Congonhas à Estação Morumbi, da linha 9 – Esmeralda da CPTM, reduzindo em 10 quilômetros o projeto inicial, e não atendendo mais os moradores de Paraisópolis. Essa linha deveria ter sido inaugurada em 2014 e talvez o seja, parcialmente como divulgado, em 2017.

No caso da linha 15 – Prata há ainda a suspeita de corrupção, pois o doleiro Alberto Yousseff, pivô da operação Lava Jato, citou desvio de R$ 7,9 milhões em abril de 2011.

A opção pelo modal monotrilho até Cidade Tiradentes, claramente foi um grande erro do governo estadual, escolhendo um sistema que ainda não existe no mundo inteiro e cujo projeto pode não atender o que foi prometido. A demanda estimada quando foi tomada a decisão de 500 mil passageiros por dia, em outros países, justifica a construção de uma linha de metrô. É o que transporta a maioria das linhas construídas no mundo. E mesmo se a linha estivesse pronta hoje já estaria sobrecarregada, pois a estimativa é a demanda esteja em 55 mil passageiros por hora sentido.

Os argumentos de custo menor e mais rápido para se construir como foi anunciado não se justificam mais. Quanto aos custos, ninguém sabe ainda quanto efetivamente custará essa linha, pois no decorrer do contrato tem sido feito aditivos e novas obras, como o desvio do córrego da Mooca, que a encarecerá muito mais do que foi anunciado. Um trem de metrô pode transportar dois mil passageiros, enquanto a composição do monotrilho da linha 15 – Prata, a capacidade é mil passageiros, ou seja, a metade. Sem falar que a Companhia do Metropolitano de São Paulo domina a tecnologia e a operação do modal. Se a obra fosse subterrânea não haveria impacto urbano e aceleraria o desenvolvimento das regiões por onde passaria.

Um dos argumentos apresentados pelos movimentos sociais era que na periferia há restrição do governo estadual em construir metrô, dizendo que é muito caro, o que não ocorre em bairros em outros, o que ficou comprovado com a extensão da linha 2 – Verde até Guarulhos, que será totalmente subterrânea. Resta saber agora qual a nova promessa que o governo estadual vai oferecer à população da Zona Leste.

EVARISTO ALMEIDA

Mestre em Economia Política - PUC-SP, Assessor de Transportes e Mobilidade Urbana da Bancada do PT na ALESP, Coordenador do Setorial Nacional de Transportes do PT.


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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Delcídio meteu os pés pelas mãos, não o governo, por Alex Solnik



Se existe uma gravação – e deve existir – em que Delcídio do Amaral propõe mesada de 50 mil reais e fuga num jato Falcon 50 para Nestor Cerveró desistir da delação premiada na qual contaria que ele recebeu grana do esquema da Petrobrás e que havia ministros do STF dispostos a relaxar a prisão de acusados na Lava Jato, como ele, o senador não só tentou obstruir a investigação como se auto incriminou e ganhou 11 inimigos no STF.

Se não tivesse culpa no cartório não precisaria fazer uma proposta tão mirabolante e tão onerosa. Aliás, não precisaria fazer proposta alguma, apenas esperar a hora de se defender e, munido de todos os documentos necessários, provar que diz a verdade e Cerveró mente. Agindo como agiu, perdeu qualquer argumento de defesa. Ficou nu.

Faltou saber se os 50 mil reais mensais seriam vitalícios, mas é uma bufunfa bastante considerável de que poucos milionários disponibilizam. Se o que garantiria esse lastro não eram os milhões que recebeu de Cerveró, onde os ganhou? É isso que deverá explicar nos interrogatórios a que será submetido em Curitiba.

Por mais que "analistas isentos" vociferem que "a Lava Jato chegou mais perto do Palácio do Planalto", o fato de ser o líder do governo no Senado não significa que o governo compactue com seus atos ou seja co-partícipe. O que ele fez – e se não tivesse feito não teria sido o primeiro senador em toda a história a ser preso no exercício do mandato – foi como pessoa física, o governo não tem nada a ver com isso.

O governo tem que cuidar de apontar um novo líder porque Delcídio já é ex e tudo indica que a temporada curitibana não tem prazo para acabar.


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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Trailer de "Voltaremos", longa-metragem sobre o Juventus da Moóca ( 4:33 )






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Eu só tinha que achar um jeito de fazer grana com isso...



Boas idéias [ dependendo do ponto de vista... ] às vezes pintam aqui na cachola velha. E até ocorre de virem antes de alguém, digamos assim, "consagrado" ou renomado. 

A colagem abaixo é composta de um tuíte meu, de 7 de Novembro último, indicando um texto daqui deste blog, e um tuíte do nacionalmente conhecido site de humor SENSACIONALISTA que, como podem ver, teve uma idéia parecida com a minha

Só que duas semanas depois. Confiram as datas das respectivas publicações.

Ambos relacionamos o fechamento de escolas promovido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a "renascida" Escolinha do Professor Raimundo. 

Nota-se que a minha versão despontou para o anonimato. O do SENSACIONALISTA, no entanto, recebeu centenas de "curtidas" e "retuitadas". Evidentemente, os números do Twitter anunciam a mesma proporção de visitas aos posts dos nossos sites.

Como que eu faço pra fazer um troco com as bobagens que, de vez em quando, saem de minha cabeça? Tenho que aprender com eles HAHAHAHA!




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domingo, 22 de novembro de 2015

Dono da Rede Globo pediu a Brizola que não construisse os CIEPS que, por fim, foram destruídos pelo PSDB


São dois textos de Fernando Brito, publicados no Tijolaço:

1 - Dono da Rede Globo pediu a Brizola que não construisse os CIEPS

Luis Augusto Erthal é um teimoso. Insiste em ser jornalista, insiste em ser brizolista, insiste em editar livros e insiste em promover a cultura de sua terra, Niterói, onde me encontro exilado já faz tempo. Faz pior, insiste em ser meu amigo há mais de 30 anos, desde a finada Última Hora. E insiste, juntando toda a teimosia, em publicar jornais, um deles o que me envia, sobre os 30 anos do Programa Especial de Educação, que o povo conhece como Cieps, ou Brizolões.

Tem mais coisas, mas começo pelo depoimento pessoal que dá, no qual eu tenho culpa, porque “matriculei-o” por dois anos nos Cieps, em horário integral. Mas como jornalista, capaz de trazer detalhes, propostas, conquistas e dificuldades do mais ambicioso projeto educacional que este país já viveu. Ia dizer já viu, mas não o posso fazer porque não viu, pois essa revolução educacional, que mobilizou milhares de professores e centenas de milhares de crianças, jovens e adultos, numa área construída maior do que Brasília, na sua inauguração, foi criminosamente boicotada pela mídia.

Uma grande e generosa aventura, que jamais sairá de nossos corações, de nossas vidas e de nossos sonhos, que deixo que ele conte, porque o faz melhor que eu.

“Governador, faça umas escolinhas…”

Roberto Marinho tentou fazer Brizola abortar o projeto desde o início

Luiz Augusto Erthal

Não poderia publicar uma matéria sobre os Cieps sem dar um depoimento pessoal, por mais que me doam algumas das lembranças hoje sopesadas na distância desses 30 anos. Tive o privilégio de ver esse programa nascer e acompanhar cada passo da sua implantação. Talvez seja o jornalista que mais colocou os pés dentro dessas escolas, em muitas delas quando ainda se encontravam na fundação.

Estive no Palácio Guanabara, como jornalista e assessor de imprensa, nos dois governos Brizola (1983-1987 e 1991-1995). Cheguei em 1984 para participar de um projeto jornalístico, cujo objetivo era criar um caderno noticioso dentro do Diário Oficial do Estado, o D.O. Notícias, como ficou conhecido, uma estratégia para tentar enfrentar o cerco da mídia contra o governo. Fui designado pelo editor, Fernando Brito, mais tarde assessor-chefe de imprensa do governador, para cobrir as áreas de educação e esportes.

Passávamos os dias como combatentes às vésperas de uma grande batalha naqueles primeiros meses. Brizola conquistara o governo fluminense superando grandes obstáculos, desde atentados à sua vida até a fraude da Proconsult, uma tentativa desesperada de impedir sua chegada ao governo fluminense.

Havia uma enorme expectativa em torno dele desde a posse no Palácio Guanabara, que mais pareceu a queda da Bastilha, com o povo ocupando de forma descontrolada aquele símbolo de poder. Afinal, nos estertores da ditadura, cada naco de poder reconquistado pelo povo era valioso. Vigiado de perto pelos militares, que permaneciam ainda no controle, bombardeado pela mídia conservadora e sufocado economicamente, Brizola tinha pouco espaço de manobra. Até que algo aconteceu.

“Agora esse governo começou!”, lembro bem da exultação do Brito ao voltarmos da apresentação do projeto dos Cieps, com a presença de Brizola, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer, no Salão Verde do Palácio Guanabara. Uma revolução havia sido colocada em marcha. Estava claro para todos nós.

Brizola não tinha condições políticas de retomar naquele momento, como nunca mais teve, a reforma agrária e as outras reformas de base preconizadas por ele e por Jango em 64. No entanto, cria como ninguém no poder transformador da educação. Órfão de pai, que morreu emboscado ao retornar da última revolução farroupilha, em 1922, ano do seu nascimento, Brizola e seus irmãos foram alfabetizados pela mãe em Carazinho, interior do Rio Grande do Sul. Calçou os primeiros sapatos e usou a primeira escova de dentes aos 12 anos, na casa de um reverendo metodista, cuja família o adotou. Pode, então, estudar até formar-se em engenheiro. Fora salvo pela educação.

Quando governador do Rio Grande do Sul (1958-1962), construiu nada medos do que 6.300 escolas. “Nenhum município sem escola”, era o lema. Mas a realidade do Rio de Janeiro nos anos 80 era bem diferente. Ao retornarem do exílio, após 15 anos, Brizola e Darcy se depararam com a obra macabra da ditadura: o inchaço das grandes cidades, a favelização, a desestruturação familiar e o surgimento do crime organizado, que separavam, como bem sabemos hoje, nossos jovens de seu futuro. Aquelas escolinhas alfabetizadoras e formadoras de mão-de-obra técnica e rural do Rio Grande do Sul não resolveriam o problema do Rio de Janeiro pós-golpe.

A solução: uma escola integral em turno único, ofertando educação, cultura e cidadania; mantendo os jovens durante todo o dia longe das ruas e da sedução do crime organizado; dando alimentação, assistência médica, esportes e muito mais. Tudo isso, porém, tinha um custo e exigiria a ruptura de um velho paradigma da política brasileira – de que os recursos públicos sejam colocados à disposição das nossas elites e não do povo. A inobservância desse princípio levou o presidente Getúlio Vargas ao desespero e suicídio; o presidente João Goulart à morte no exílio e a presidente Dilma, agora, a um completo isolamento político, culpados, todos eles, por fazerem transferência direta dos recursos públicos para o povo e não para as elites.

Logo após o lançamento do programa dos Cieps, Brizola ainda tentou estoicamente obter o apoio do então presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho. Sabia o quanto ele seria capaz de influenciar, para o bem ou para o mal. Apresentou-lhe pessoalmente o projeto e nos relatou depois:

“Ele olhou, olhou, olhou e não disse uma palavra. Em uma segunda oportunidade em que nos encontramos, eu cobrei: ‘Então, doutor Roberto, o que achou do nosso projeto’. Então ele disse: ‘Olha, governador, se o senhor quer construir escolas, está muito bem. Mas não precisa disso tudo. Faça umas escolinhas… Pode até fazê-las bonitinhas, tipo uns chalezinhos…’.” Depois disso não houve mais diálogo entre eles.

Os Cieps começaram a brotar do chão com a arquitetura inconfundível de Oscar Niemeyer. Eu fazia sobrevoos de helicóptero para fotografar as obras e, vistas do alto, indisfarçáveis, pareciam pragas que irrompiam da terra árida dos subúrbios e das cidades da Baixada Fluminense. Era a praga rogada pelo povo esquecido que, enfim, tomava sua forma visível e ameaçadora, pois apontava para uma nova ordem.

“As gerações formadas pelos Cieps farão por este País aquilo que nós não pudemos ou não tivemos a coragem de fazer”, afirmava Brizola. Esta, e só esta, é a razão do ódio e do horror que essas escolas incutem até hoje em nossas elites.

Eles ainda estão aí. Descaracterizados, desconstruídos, desativados, degradados. Mas cada um desses 508 Cieps ainda traz consigo a semente da grande revolução sonhada por Brizola e Darcy. São quinhentas “toras guarda-fogo” feitas de concreto armado, uma imagem dos pampas gaúchos com que Brizola gostava de ilustrar o futuro do nosso povo:

“Às vezes a fogueira do gaúcho parece ter-se apagado à noite, mas existe sempre a tora guarda-fogo, que esconde aquela centelha interior. Pela manhã, basta assoprá-la para a chama ressurgir.”

2 - Por fim, os CIEPS foram destruídos pelo PSDB. O início do desmonte foi com Moreira Franco mas o tucano Marcello Alencar foi o carrasco impiedoso e preciso


Publiquei ontem aqui o depoimento do jornalista Luiz Augusto Erthal sobre a generosa aventura de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola com seu projeto de educação integral e a oposição que, desde o primeiro momento, os Cieps enfrentaram de Roberto Marinho e seu império Globo.

Mas se o “cogumelo global”, como dizia Brizola, atacava pelo bombardeio, seus agentes no Governo do Estado, encarregados de dar fim – ou quase fim, porque muitos sobrevivem, sem o projeto original mas com o esforço e a dedicação de professores e diretores – têm nome e sobrenome e estão apontados no jornal que meu colega e amigo publica, o Toda Palavra, que vai ouvir Lia Faria, uma das integrantes da equipe de Darcy:

Lia Faria, que ocupou os cargos de coordenadora-geral de treinamento de pessoal na primeira fase do programa (1985-1987) e de coordenadora pedagógica na segunda fase (1991-1995), afirma que, além do prejuízo para os alunos, a descontinuidade do projeto também deixou de formar pelo menos 50 mil profissionais nesses trinta anos.

“Eu mesma capacitei pessoalmente nove mil professores”, afirma. Para ela, a capacitação de profissionais de três áreas (educação,saúde e cultura), com formação em exercício e a visão multidisciplinar

Segundo Lia Faria, os responsáveis pelo desmonte do programa “têm nome e sobrenome”: Moreira Franco e Marcello Alencar.

“Ao assumir o governo em 1987, o Moreira acabou com a base do programa, que era o turno único. Mas nós reconstruímos depois com a volta do Brizola, em 1991. Mas pior ainda fez o Marcello ao chegar ao governo, em 1995, porque desmantelou a própria máquina educacional do estado, achatando os salários para estimular os professores a abandonar a carreira através de um programa de demissões voluntárias”.

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, em 1996, Alencar, que morreu em 2014, disse não ter dado continuidade ao projeto dos Cieps por considerá-lo caro. Até o fechamento desta edição, Moreira Franco não havia respondido à solicitação

Duas informações sobre este abandono, presentes no jornal.

A primeira, a de que o rapaz do famoso sequestro do ônibus 174, Sandro Nascimento, frequentou um que se perdeu pelo abandono.

A segunda, que cada aluno de Ciep, em horário integral, custava US$ 44,53 (R$ 169), sendo US$ 13,94 de alimentação, US$ 4,24 com uniformes e US$ 4,16 com saúde e esportes. No Rio, cada detento do sistema prisional custa ao estado US$ 581,99 por mês, R$ 2.221,60. Treze alunos de Ciep, com aulas, alimentação, assistência médica e lazer.

Não há nada mais caro do que destruir a esperança.

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E a Folha se estrepou por acreditar na Veja, por Paulo Nogueira



É um paradoxo.

A imprensa publica diariamente artigos contra o direito de resposta.

Mas a cada momento ela fornece com seus erros seguidos provas concretas de quanto o direito de resposta é, simplesmente, imprescindível.

O caso mais recente é o da Folha. Você pode adivinhar contra quem o erro foi cometido. Lula. A família de Lula.

É o alvo número 1 da plutocracia cuja voz é a imprensa.

Um repórter experiente da Folha, Rubens Valente, conseguiu acreditar numa reportagem da Veja.

Esta é a surpresa da história: um jornalista veterano usar a Veja como fonte.

Num texto sobre um lobista preso, Valente disse que ele cedeu uma sala em Brasília para que um filho de Lula, Fábio Luís, trabalhasse nela.

Era uma informação da Veja. Valente não apenas a reproduziu agora como disse que o lobista confirmou para a Veja a notícia.

Não era verdade.

O filho de Lula entrou com uma ação. Ao longo desta, o lobista afirmou que jamais tivera relação pessoal ou profissional com Fábio Luís.

Ontem mesmo a família de Lula anunciou que reivindicaria direito de resposta com base na nova lei sancionada por Dilma.

A Folha se antecipou e publicou, em seu site, uma correção – tímida, miserável, escondida como é de praxe no jornal.

É presumível que a família de Lula, mesmo com a admissão da Folha, prossiga com sua reivindicação, até por razões pedagógicas.

Acreditar na Veja desafia a inteligência de qualquer um. Mas quando o alvo é Lula e família os controles de jornais e revistas se afrouxam ao máximo.

Numa reunião do Conselho Editorial das Organizações Globo alguns anos atrás, lembro que alguém citou uma denúncia da Veja.

O chefe do Conselho, João Roberto Marinho, avisou: “É preciso tomar cuidado com a Veja.” Ele já percebera que a Veja deixara de ser uma fonte confiável. Perdera aquilo que, como a virgindade, não volta mais: a credibilidade.

Mas mesmo assim a Folha e Rubens Valente se apoiaram na Veja, para a qual vale a grande máxima de Wellington: quem acredita nela acredita em tudo.

A ausência do direito de resposta é um câncer para a sociedade. Porque leva os cidadãos a ser vítimas de informações falsas que distorcem a realidade.

É uma coisa também que atenta contra a qualidade da imprensa. Quando erros têm consequências – e o direito de resposta é uma delas – as publicações tomam extremo cuidado com a qualidade das notícias que dão.

Checam, rechecam, verificam ainda uma vez.

Mas quando você pode errar livremente as coisas se deterioram. A impunidade jamais produziu bons frutos, e menos ainda para a imprensa.

O desleixo vem em série. O repórter não se preocupa em apurar com profundidade a denúncia que lhe chega, o editor muito menos – e os patrões, desde que o alvo sejam inimigos como Lula, simplesmente fecham os olhos.

Mil artigos contra a lei de resposta não compensam, por exemplo, o erro que Lauro Jardim cometeu em sua estreia no Globo ao afirmar, numa manchete, que um delator disse que deu dinheiro a um filho de Lula. (Sempre Lula, sempre a família de Lula.)

Você só tem uma imprensa séria – e falo de veículos de esquerda, direita, centro ou o que for – se houver leis que punam erros.

E com rapidez.

É uma piada uma das reclamações da imprensa: o prazo para que sejam dadas as correções.

Estamos vendo o que acontece com Eduardo Cunha quando não existe urgência nas ações.

A resposta, quando julgada justa, tem que vir prontamente – até para que repórteres como Rubens Valente não cometam barbaridades como a que ele cometeu.


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Ex-operadores de drones americanos denunciam método de eliminação de civis e inocentes



Em uma carta dirigida ao governo, quatro ex-militares americanos que operavam "drones" denunciaram que as eliminações de jihadistas com esses aparelhos operados por Washington contribuem para propagar "o ódio" e alimentar o terrorismo.

A eliminação com aviões não tripulados é "um dos motores mais poderosos do terrorismo e a desestabilização no mundo", escreveram os quatro ex-militares em uma carta dirigida ao presidente Barack Obama e a outros funcionários de alto escalão do governo.

A carta foi publicada pelo jornal britânico "The Guardian".

"Não podemos ficar de braços cruzados diante das tragédias, como a dos atentados de Paris", acrescentaram.

"Os civis inocentes que matamos apenas se uniram aos sentimentos de ódio", origem do terrorismo e de grupos como o Estado Islâmico (EI), alegaram, pedindo ao governo que "reconsidere sua abordagem" de combate aos terroristas.

Nesta quinta-feira, o "Guardian" publicou depoimentos com detalhes. Segundo o jornal, os quatro operadores, na faixa dos 30 anos, deixaram a Força Aérea americana depois de pelo menos seis anos de serviço.

Três deles estavam encarregados de operar os sensores e sistemas de fixação de alvos dos "drones" na missão, e o quarto era um técnico encarregado da infraestrutura de comunicação com os aparelhos.

Um deles, Brandon Bryant [ que aparece aqui nesse texto de 2013, em inglês ], relatou ao jornal um ataque contra um grupo de cinco pessoas no Afeganistão, enquanto elas dormiam.

Inicialmente, suspeitava-se de que estivessem transportando explosivos, mas, segundo ele, parece não ter sido o caso. O ataque, completou Bryant, não provocou deflagrações secundárias. "Um assassinato covarde", lamentou.

Ao final de suas respectivas tarefas, receberam um pequeno cartão dentro de envelopes lacrados com o número de eliminações, para as quais eles haviam contribuído.

Bryant "cometeu o erro de abrir o seu", relatou "The Guardian", acrescentando que "o número era de 1.626".

De acordo com a carta, o remorso fez "todos sucumbirem à síndrome de estresse pós-traumático".


LEITURA COMPLEMENTAR

Guerra dos drones de Obama já assassinou mais de 2.400


O Nobel da Paz assassino iniciou os ataques não-tripulados logo após a 1ª posse e, em 5 anos, já matou seis vêzes mais civis que W. Bush. Barack opera no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália

A Guerra dos Drones de Obama, iniciada no terceiro dia após sua posse no primeiro mandato, e que já dura cinco anos, assassinou mais de 2.400 pessoas – a imensa maioria, civis ou militantes de baixa patente - no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália, em 390 ataques secretos operados pela CIA e Pentágono, registrou o Bureau de Jornalismo Investigativo da Inglaterra, que denunciou que a matança foi seis vezes mais extensa do que sob W. Bush.

Foi no dia 23 de janeiro de 2009 que Obama cometeu seu primeiro crime de guerra conhecido, quando um drone da CIA arrasou uma casa numa área tribal no Paquistão, matando pelo menos nove civis, a maioria de uma única família. Um menino de 14 anos sobreviveu, Fahim Qureshi, com ferimentos horríveis, como o crânio fraturado, o estômago atingido por estilhaços e um olho perdido. Seus pais foram mortos.

Mais tarde, no mesmo dia, outro ataque com drone destroçou mais uma casa no Paquistão, matando entre cinco e dez civis. Já o mais recente crime de guerra de Obama foi cometido no dia 12 de dezembro do ano passado, quando seus drones atacaram a comitiva de uma noiva no Iêmen, destruindo vários veículos e assassinando 15 civis.

Tanto nos primeiros assassinatos, quanto nos mais recentes, o governo Obama asseverou, até ser desmentido pelas fotos e testemunhos do massacre, que “altos alvos” da “Al Qaeda” é que haviam sido abatidos. Quando a repulsa a esses crimes se espalhou no mundo inteiro, com sua conhecida hipocrisia Obama se referiu ao massacres de civis, dizendo: “Para mim, e aqueles na minha cadeia de comando, aquelas mortes nos perseguirão enquanto vivermos”.

E asseverou que “antes de qualquer ataque, deve haver quase-certeza de que nenhum civil será morto ou ferido – o mais alto padrão que possamos estabelecer”. Conforme o Bureau, “mais pessoas foram mortas no Paquistão e no Iêmen nos seis meses seguintes a esse discurso do que nos seis meses prévios. E a taxa de baixas também cresceu”.

Descrições dos drones voando sobre aldeias 24 horas por dia, produzindo um assobio que lembra o das bombas V-2 nazistas que assombraram Londres, pilotados à distância, como num game, por pilotos em instalações da CIA e do Pentágono a milhares de quilômetros de distância, dão conta do terror que um dos instrumentos de assassinato preferidos de Obama causa na população.

Uma coisa é certa. Obama tomou gosto pela coisa, e no caso do Paquistão, multiplicou por seis os ataques que W. Bush desfechara; considerando todos os países-alvo, a multiplicação foi por oito. As execuções extrajudiciais, por meio de drones, se tornaram uma marca registrada do seu governo.

O principal era causar terror na população. Conforme a agência de notícias McClatchy, registro vazado da CIA revelou que sequer os EUA sabem quem estão matando: no período de um ano, só 265 de 482 pessoas documentadas como mortas por drones “eram ‘tidas’ como extremistas afegãos, paquistaneses ou desconhecidos”. Também foi o governo Obama que introduziu os ataques “por assinatura”, nos quais, sem saber quem é que está sendo atacado, supõe-se que sejam “terroristas” que estariam “plantando bombas” numa estrada, quando podem ser simplesmente camponeses catando lenha, como já ocorreu mais de uma vez.

Nem o repúdio mundial à covarde operação com drones contra aldeias indefesas nos extremos do planeta serviu de freio a Obama, que pondera a “vantagem” de poder cometer massacres sem arriscar a vida de seus mercenários. Repetidas vezes, diante da indignação de sua população, até mesmo os governos servis do Paquistão condenaram os ataques com drones e os acusaram de ser uma violação à soberania do país. Especialistas sobre direitos humanos da ONU condenaram, por sua vez, os ataques teleguiados.

Também foi Obama que estendeu a guerra dos drones ao Iêmen, apesar de W. Bush ter chegado a bombardear uma vez o país em 2002, quando matou seis pessoas. Sob Obama, a CIA e o Pentágono lançaram pelo menos 58 ataques com drones contra o país assassinando mais de 281 pessoas.

Ele não matou só com drones: uma semana depois de ser laureado com o Nobel da Paz, no dia 17 de dezembro de 2009, Obama mandou um submarino disparar um míssil de cruzeiro contra um suposto “campo de militantes em Al Majala”, e massacrou 41 civis, incluindo pelo menos 21 crianças e 12 mulheres, de uma das tribos mais pobres do Iêmen.

EXECUÇÃO SUMÁRIA

Assim como W. Bush elaborou uma “jurisprudência” para “legalizar” sua tortura, Obama, através do Departamento de Justiça, se autoconcedeu o “direito” de executar sem julgamento quem quer que seja por meio de drones. O que, como confirmou a NBC, já foi feito com quatro cidadãos norte-americanos que viviam no exterior.

A principal entidade pelas liberdades democráticas dos EUA, a ACLU, considerou “aterrorizante” a doutrina Obama, segundo a qual “os EUA têm o direito de matar cidadãos dos EUA se eles apresentam uma iminente ameaça, o que não requer que os EUA tenham evidência clara de que um ataque específico contra pessoas e interesses dos EUA terá lugar no futuro imediato”. Fascismo puro.

Assim, sem qualquer julgamento ou acusação devida, e sem direito de defesa, o cidadão norte-americano Anwar al Awlaki foi executado com um míssil disparado por um drone no dia 30 de setembro de 2011. Seu filho Abdulrahman, nascido em Detroit, um garoto de 16 anos que não era ameaça de nada, foi morto por drone duas semanas depois, em outro local do Iêmen.

Enquanto comete massacres com drones para “matar militantes da Al Qaeda”, Obama, com a outra mão – existe aquele célebre ditado que diz que a mão direita da CIA não sabe o que a mão esquerda está fazendo – enche de dinheiro e armas a Al Qaeda que massacra na Síria, através do seus satélites da Arábia Saudita e Qatar. Quando se trata de derrubar um governo progressista, para os facínoras de Washington, a Al Qaeda é bem-vinda.

ANTONIO PIMENTA

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