quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O STF mandou fechar o playground do impeachment, Por Nirlando Beirão




Houve tempo em que todo brasileiro tinha de ser, querendo ou não querendo, um PhD em Economia.

Digno de prêmio Nobel.

É que, com aquela inflação alucinada ( por exemplo: 1782 % no ano de 1989 – isto sim, que é inflação ), você tinha de ficar esperto para que seu salário não minguasse em questões de hora, da noite para o dia. Ou que aqueles juros cobrados no seu cartão de crédito não virasse uma devastadora bola de neve.

Minha diarista analfabeta – eu dizia sempre a ela, recebendo de volta um olhar de perplexidade – sabia mais de finanças pessoais do que um banqueiro suíço.

A diarista tinha de se virar na poupança e no overnight. O suíço vivia refestelado na estabilidade de sua acomodada economia.

Sem falar nos sobressaltos dos sucessivos planos econômicos, que culminaram naquele suicida Plano Collor, de péssima memória. Como diz a música, era preciso estar atento e forte.

Hoje, o brasileiro, para estar atualizado com a conjuntura, tem de saber tudo de legislação – decretos, medidas provisórias, dispositivos constitucionais, o escambau. Ah, e, claro, a lei penal, para acompanhar o noticiário de todos os dias.

Pois é, a vida pública e o interesse da mídia foram se deslocando nos últimos anos para a esfera do Judiciário, dos tribunais, do Ministério Público e da Polícia Federal.

As sessões do julgamento do mensalão, ao vivo, davam mais audiência que novela de tevê.

Assiste-se agora a uma espécie de criminalização ampla e geral da política. É bom que se apurem as maracutaias, é perigoso que se com a apuração venha o descrédito popular pela democracia e pelos naturais e legítimos jogos do poder.

O STF, a instância suprema, parece querer por fim aos exageros desse processo às vezes doentio e oportunista. Chamou para si a responsabilidade pelo fim do samba de uma nota só que a oposição – em sociedade com o presidente da Câmara, o impoluto Eduardo Cunha – pretende impor ao país., com roteiro de República de Bananas.

O playground do impeachment foi fechado.

Agora, sim, se vier a acontecer, o afastamento da presidente eleita não se dá pelos capricho de uns tantos playboyzinhos e de notórios corruptos que tentam disfarçar sua corrupção bradando contra a corrupção alheia.


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