quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Nem PT nem governo farão acordo com Cunha




Em meio à derrocada da oposição na batalha do impeachment, começam a aparecer boatos, espalhados pela oposição e pela mídia, de que o PT ou o governo estariam fechando "acordo" com Eduardo Cunha.

Impossível.

Intriga da oposição, mentira da mídia e fofoca de Facebook.

Cortina de fumaça para desviar o foco da derrota dos golpistas no STF.

Nem PT nem governo tem condições políticas de fazer qualquer acordo com o deputado.

PT e governo não exercem qualquer interferência em investigações do MP ou Polícia Federal nem mesmo contra petistas. 

Até o Lula é perseguido pela Polícia Federal e o governo do PT não faz nada.

O PT simplesmente não tem ingerência política na PF.

Poderia até ter, se quisesse, e o Cafezinho sempre defendeu que a PF fosse republicana, séria, mas não uma instituição independente, ou pior, subordinada à oposição, como às vezes parece ser.

Entretanto, para o mal ou para o bem, o PT deixa a PF correr livre, leve e solta.

Quanto ao Ministério Público, nem se fala. O MP é abertamente hostil ao governo - o que é uma pena do ponto de vista da governabilidade, mas é até bom do ponto de vista do longo prazo, porque um dia - oxalá seja um dia distante - teremos um governo reacionário e corrupto e aí poderemos cobrar do MP. Poderemos lhe cobrar o seguinte: "Olha aí, procuradores, vocês eram tão valentes no governo do PT, e agora vão amarelar porque o governo é de direita?".

Agora, o PT governa o país.

O que o PT tem de fazer, em nome do interesse nacional, é cavar tréguas para que a Câmara dos Deputados ponha de lado os radicalismos e volte a discutir as leis necessários ao desenvolvimento nacional.

Para isso, tem de contar com o aval, infelizmente, de Eduardo Cunha, que é o presidente da Câmara dos Deputados.

Seria absurdo, irracional, o governo ou PT trabalharem para travar as votações enquanto Cunha não sai. Isso apenas beneficiaria... Cunha.

Para Cunha, quanto pior, melhor. Quanto menos a Câmara trabalhar, quanto menos votar, melhor. Para o governo, é o contrário.

Quanto aos crimes do deputado, estes não serão investigados por nenhum conselho de ética da Câmara, e sim pela Procuradoria Geral da República e pelo Supremo Tribunal Federal.

Ao governo e ao PT cabe governar. Ao Ministério Público Federal cabe acusar. À Polícia Federal, cabe investigar. Ao STF, cabe chancelar e autorizar as investigações e determinar as prisões.

Se o PT e governo assumirem a liderança de qualquer processo de perseguição à Cunha, serão acusados de usar a máquina governamental para perseguir adversários políticos, e com isso, darão argumentos para Cunha posar de vítima.

Quem tem de derrubar Eduardo Cunha, nesta altura do campeonato, é o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

O PT e o governo tem de deixar Cunha se enforcar sozinho.

Daqui a três anos, espera-se que o eleitorado fluminense, por sua vez, seja mais responsável e não eleja aberrações políticas como o deputado Eduardo Cunha.

Esta é a principal "cassação" que Cunha merece.



LEIA TAMBÉM:

PT NEGA ACORDO COM EDUARDO CUNHA

“Não há nem haverá qualquer acordo com o parlamentar Eduardo Cunha para barrar o processo em trânsito na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados”, afirmou ao blog o presidente nacional do PT, Rui Falcão, na manhã dessa quinta-feira. “Quem tem acerto com ele é a oposição de direita, como é público e notório.”

“Notícias a este respeito são deslavadas mentiras ou plantações de quem eventualmente deseja semear confusão”, continuou. “Denúncias contra Cunha seguirão seu rito normal e os representantes petistas votarão conforme as provas e sua consciência, enquanto continuaremos a lutar contra o golpismo nas ruas e nas instituições, em defesa da legalidade constitucional e do mandato da presidente Dilma Rousseff.”

“Tanto o governo quanto o PT já deixaram claro que não existe hipótese de complacência com o malfeito e a corrupção, que devem ser apurados e punidos doa a quem doer”, concluiu. “Nosso compromisso é com a democracia e o Estado de Direito.”

Estas declarações devem ser lidas com atenção, em um momento no qual boa parte da imprensa se dedica a registrar, em letras garrafais, que o Palácio do Planalto e a direção petista estariam negociando a recusa ou o protelamento de trâmites para o impeachment presidencial, em troca da aliança PT-PMDB para bloquear o pedido de cassação do presidente da Câmara no Conselho de Ética.

Mais de metade da bancada partidária, 34 entre 62 deputados, assinou a denúncia contra Cunha ao órgão responsável por sua investigação intramuros. Mas distintas tendências internas apresentaram, à Comissão Executiva Nacional do PT, demanda por posição oficial da legenda em favor de processo contra o parlamentar peemedebista.

“Não faz sentido pedir para abrir o que já está aberto”, destaca Rui Falcão. “Além do mais, em um momento delicado como o que estamos vivendo, fechar questão sobre tema desta natureza apenas abalaria relações dentro da coalizão, possivelmente até ajudando o presidente da Câmara a ampliar frente de proteção junto a seus pares.”

A ausência de resolução formal do comando petista, associada à omissão dos parlamentares filiados ao PC do B, de toda forma, podem ter facilitado a vida dos meios de comunicação e setores oposicionistas ansiosos por colocar tanto o PT quanto o governo em escandalosa cena de cambalacho com Eduardo Cunha.

Caso os petistas e a presidente aceitassem este roteiro, claramente negado por Rui Falcão, estaríamos diante do axioma de Boulay de la Meurthe, político e magistrado sob o governo de Napoleão Bonaparte. Ao saber do assassinado do duque de Enghien, um dos líderes das fileiras pela restauração monárquica, comentou: “Pior que um crime, foi um grande erro.”

As recentes decisões do STF, aliadas às fortes evidências delituosas contra o presidente da Câmara dos Deputados, criaram condições melhores para o impeachment ser derrotado nas ruas, no plenário e até na própria corte suprema.

Mesmo que Cunha, em gesto de vingança e desespero, paute a admissibilidade do afastamento da chefe de Estado, seriam necessários 342 votos, dos 513 possíveis, para sua efetivação.

Os riscos a correr, em movimento social e institucional contra o impeachment, confrontando-se abertamente com o chefe da Câmara e a oposição de direita, são bem menores que o custo político de um pacto que provavelmente dilapidaria, talvez de forma irreversível, a credibilidade do PT e da presidente.

Afinal, o contundente discurso da presidente Dilma Rousseff contra o golpismo, na abertura do Congresso da CUT, não é almoço grátis. Seria impagável a conta devedora entre pedir para os trabalhadores ficarem de guarda erguida contra os “moralistas sem moral” e abraçar, logo em seguida, o expoente mais visível e poderoso dessa camarilha reacionária.


E MAIS:

COMENTÁRIO NO FACE:


"Primeira página histórica. Se for verdade ( o que duvido muito ) é histórica por anunciar oficialmente o início do fim do PT como o conhecemos até hoje. Se for uma deslavada mentira ( como de hábito ) é também histórica, porque revela um novo nível de atrevimento, de audácia, de desfaçatez. Depois disso, a imprensa não se configura mais como um partido político não-assumido, mas sim como máfia, como uma gangue, como uma quadrilha. Seja falsa ou verdadeira esta manchete, entramos todos em uma nova fase da democracia representativa brasileira: o gangsterismo desavergonhado." 








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