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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Esperteza de Cunha foi tanta que comeu o dono, Por Jasson de Oliveira Andrade



Dilma mudou ministros, cortou gastos e tomou outras medidas. No entanto, a notícia bomba foi a revelação de que Cunha tinha contas no exterior. É o que vamos ver a seguir.
Sob o título que encima este texto, Josias de Souza escreveu no seu blog e repassado no UOL (FOLHA) em 2/10/2015: “É preciso fazer justiça a Eduardo Cunha: mais cedo ou mais tarde, o deputado acaba correspondendo aos que não têm nenhum motivo para acreditar nele. Há seis meses, esteve na CPI da Petrobras sem ser chamado. Foi prestar um “depoimento espontâneo”. Perguntaram-lhe se tinha conta na Suíça ou em paraísos fiscais. 
E foi por livre e espontânea vontade que Cunha respondeu: “Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu Imposto de Renda. E não recebi qualquer vantagem com relação a qualquer natureza vinda desse processo”. (...) Deve-se à Promotoria da Suíça o sumiço da valentia de Cunha. O deputado perdeu a língua depois que a Procuradoria-Geral da República confirmou ter recebido das autoridades suíças dados sobre contas secretas que têm o presidente da Câmara e familiares dele como beneficiários. São bem fornidas. Armazenam algo como US$ 5 milhões, já devidamente retidos. (...) Afora a relação atribulada que mantém com a verdade, Cunha notabiliza-se pela ostentação da esperteza. Na sua passagem pela CPI, o deputado despejou sobre os colegas a célebre versão segundo a qual a Procuradoria pegou no seu calcanhar sobre a influência do governo [rompeu com a presidenta com estardalhaço]. “Querem transferir a crise do outro lado da rua para cá”, disse, referindo-se ao pedaço de asfalto que separa o Palácio do Planalto do Congresso Nacional. (...) Antes da revelação sobre as contas na Suíça, já era difícil engulir a teoria conspiratória de Cunha. Para digeri-la, era necessário supor que participavam do complô: o procurador-geral da República Rodrigo Janot; os delegados e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato: o juiz Sérgio Moro, que remeteu os dados para Brasília: e até o ministro Teori Zavascki, que abriu o inquérito no STF. Como se fosse pouco, exige-se agora que a Promotoria da Suíça também seja incluída no rol dos conspiradores. (..) Cunha foi muito aplaudido na CPI. Mais: concederam-lhe um atestado prévio de bons antecedentes. O líder do PSDB, Carlos Sampaio, talvez se arrependa do comentário que dirigiu a Cunha naquele fatídico dia 12 de março: “Vossa excelência não perde em momento nenhum a autoridade para presidir essa Casa”. (...) A autoridade de Eduardo Cunha, que já era de vidro, se quebrou. Ao converter uma CPI de fancaria em palco do seu “depoimento espontâneo”, o morubixaba da Câmara esqueceu de observar um velho ensinamento atribuído a Tancredo Neves: “A esperteza, quando é muita, engole o dono”. Até aqui, a banda muda da Câmara passava por cúmplice. Agora, passa também por otária”. Bernardo Mello Franco, na FOLHA (6/10): “Do líder do PSDB, Carlos Sampaio: “Enquanto não houver informações adequadas que comprovem o envolvimento de Eduardo Cunha, o PSDB vai manter sua posição de apoio ao presidente da Casa”. (...) Em que planeta vive o deputado?” Pelo visto, Josias de Souza se enganou: o líder do PSDB não se arrependeu do comentário que fez em 12 de março!

O Painel da FOLHA em 2/10 constatou: “SIMPLES ASSIM – O efeito na oposição sobre as revelações do dinheiro de Cunha no exterior foi assim resumido por um deputado: “Resta agora rezar (sic) para que a conta só apareça mesmo depois da votação do Impeachment”. Karina Gomes, na Carta Capital, não acredita na punição de Cunha: “O presidente da Câmara não deve ser alvo de processo. Além de ser figura central para um impeachment (sic), ele protege outros investigados na Lava Jato”. Será? A conferir...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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