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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Dilema brasileiro (Impeachment ou não impeachment) na visão de um estrangeiro, Por Jasson de Oliveira Andrade


O Brasil vive um dilema: impeachment ou não impeachment, eis a questão. O primeiro defendido pela oposição, principalmente pelo PSDB. Estão otimistas e contam com o apoio de Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, apesar da acusação contra ele por contas na Suíça. Mesmo com essa situação, os tucanos o apóiam, agora com menos entusiasmo. A jornalista Isabela Bonfim, no Estadão, constatou sobre esse apoio: “Nos bastidores, a avaliação [ do PSDB ] é que o apoio ao peemedebista [ Cunha ] é necessário porque ele detém o poder de tocar adiante o processo de impeachment da presidente Dilma”. A rejeição das contas dela (pedaladas fiscais) pelo TCU animou os tucanos. Já o governo conta com o Congresso, principalmente com o Senado, para evitar a cassação do mandato da presidenta. 

Peter Hakim, Presidente Emérito do Diálogo Interamericano, em artigo especial para o Estadão, sob o título “Dilema brasileiro”, publicado em 27/9/2015, escreveu: “Sem um consenso em torno dos novos rumos do país e de suas necessidades, a saída da presidente [ impeachment ] independentemente de quão ruim tem sido seu desempenho, poderá acabar deixando o Brasil em situação pior. Seria melhor, para o futuro do Brasil, a conclusão de um amplo acordo entre os seus líderes políticos a respeito do arcabouço necessário para a solução dos mais graves problemas (...)”. 
Aí está o dilema brasileiro: o que vem depois da saída de Dilma? Para tanto, deveria, segundo ele, haver um consenso. O analista estrangeiro diz: “Sem consenso sobre os novos rumos do Brasil, impeachment contra a presidente poderá deixar o País em situação pior”. 
Realmente sem consenso vai ser pior. Mas como conseguir esse consenso? Difícil ou mesmo impossível. Até no PSDB não existe consenso. O partido tem várias alas. A do Aécio, a mais fanática. A do Alckmin, a mais ponderada e a do Serra, que, como bom tucano, fica em cima do muro. Como conciliar essas divisões? No PMDB, que poderá conquistar o Poder com o vice Michel Temer, também não existe consenso. A ala de Temer, que aparentemente apóia Dilma, é a mais moderada. Há ainda a ala radicalmente anti PT, como o deputado Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco. Outra ala, a do Senador Requião, do Paraná, apóia o governo. Temos inclusive as alas chefiadas pelo deputado Cunha, presidente da Câmara e a do Renan, presidente do Senado. 
Hakin levanta outra hipótese: “Aliás, o próprio vice-presidente poderia também ser ameaçado de impeachment ( dinheiro para a campanha )”. A confusão é geral! O próprio Peter Hakim não acredita no consenso. Ele termina assim seu texto: “Mas se essa for a questão em torno de qual possa haver um acordo, a agonia do Brasil deverá se prolongar ainda mais”. Também acho!

BAIXARIA


Em 4/10/2015, morreu José Eduardo Dutra, ex-senador do PT e presidente da Petrobras no governo Lula ( sem nenhuma acusação contra ele ). Respeitado até por seus adversários. Morreu, precocemente, vítima de câncer. 
Durante o velório, panfletos com a frase “petista bom é petista morto” foram jogados em frente ao local onde o corpo de José Eduardo Dutra era velado. Uma baixaria vil, intolerável, chocante e desumana. Esses vermes devem apodrecer na cadeia. Eles exteriorizam o ódio irracional contra o PT! Se não respeitam um cadáver e sua família, onde podemos chegar? Basta de baixaria, que não leva a lugar nenhum...


JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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