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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Aloysio Nunes chamaria de terroristas os pais e alunos que protestam contra o fechamento de escolas por Alckmin?


A lei antiterrorismo é antidemocrática – além de idiota

NIRLANDO BEIRÃO

Toda vez que veja uma foto do senador Aloysio Nunes Ferreira – eleito pelos mesmos paulistas que vaiam o Suplicy em livraria – eu me prometo, de pés juntos, nunca fazer cirurgia plástica.

O resultado, se vê, pode ser catastrófico.

Mas a pior plástica que Aloysio Nunes fez não foi no rosto retorcido – foi na alma problemática.

Nesse quesito, faz tempo que está irreconhecível. No íntimo dele, habita um Frankenstein.

A última dele é a seguinte: a propósito de uma tal lei antiterrorismo que foi aprovada na Câmara dos Deputados e está hoje no Senado, o senador de São Paulo pretende exumar a Lei de Segurança Nacional da ditadura – aquela mesma Lei de Segurança pela qual ele, Aloysio, foi processado como “terrorista”.

A ideia é trancafiar na cadeira, com penas dignas de Guantánamo e de Abu Ghraib, quem insiste em fazer protestos de rua. Punir as manifestações, a liberdade de expressão dos movimentos sociais.

Mas isso é crime? Aloysio Nunes chamaria de terrorista, por exemplo, a garotada que protesta contra a arbitrariedade do governo tucano do Alckmin em retalhar as escolas públicas de São Paulo.

A gente já viu esse filme, né? Ele próprio, Aloysio, já viu este filme. Mas agora que pertence ao partido do coronel Telhada, que flerta com o Eduardo Cunha e com o Jair Bolsonaro – não mais o partido de Mario Covas –, Aloysio, com pose de ditadorzinho, está louco para chamar de terrorista todo aquele que não pensa como ele.

Eu, por princípio, já acho essa questão de um ridículo atroz. Algumas pessoas adorariam ver o Brasil no mapa do terrorismo mundial. Seria um signo de prestígio, de duvidosa importância.

Os militares, sobretudo, já que não há nenhuma guerra contra a Argentina ou a Bolívia no horizonte, precisam justificar sua função fantasiando uma tal ameaça terrorista. São mercadores da paranoia.

A Olimpíada do Rio é um ótimo pretexto para eles.

“É preciso prevenir”, dizem. Besteira. No fundo, o que quer essa gente quer, capitaneada pelo senador do PSDB, é restringir as liberdades democráticas, a faculdade de se manifestar em público, o direito de discordar.

Não é por causa de um eventual maluquete – ínfima probabilidade estatística – que o Brasil tem de virar o campo de concentração com o qual algum candidato a Führer venha a sonhar.


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