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sábado, 31 de outubro de 2015

A Veja e seu ato falho estampado na capa




Por Fábio de Oliveira Ribeiro
No GGN

Não leio a Veja, mas as vezes sou obrigado a ver a capa da revista na banca de jornais onde compro minha Carta Capital. As fotomontagens anti-comunistas e anti-petistas da Veja não me agradam. Não é só o mofo desta ideologia que me incomoda, o que me causa mais repugnância é o vazio icônico que emoldura um jornalismo que já se provou mais inventivo do que criterioso. Quem não tem nada a oferecer ao país só pode mesmo ser anti-alguma coisa. O que será da Veja se e quando o PT deixar de existir? Por falta de inimigo, a revista morre de inanição.

Mas a Veja não está sozinha. Ela é citada pelos políticos da oposição, referida por outros veículos de comunicação e, infelizmente, lida por um seleto grupo de neonazistas, fascistas retrô, senhores feudais dos grotões, racistas moderninhos, esquizofrênicos medicados e oligofrênicos incuráveis. Todos os que nada tem a oferecer ao país e que dele querem arrancar um pedaço se reúnem em volta da Veja e fazem sua dança de guerra contra Lula. Alguns financiam os bonecos infláveis gigantes do ex-presidente. Outros espetam, após a missa de domingo numa catedral qualquer, os bonequinhos de cera de Lula que encomendaram a peso de ouro aos especialistas em magia negra.

O ódio cega. E se espalha. Mas ele se dissolve se não houver alguém em torno do qual ele possa se aglutinar. O que falta à Veja, à oposição e aos fiéis leitores da revista é um líder. Aquele que seja capaz de dominar todos os outros líderes que pretendam disputar a posição de comando.

A reencarnação brasileira de Hitler tem sido procurada pelos barões da mídia, mas ainda não foi encontrada. José Serra tentou e deu com os burros n’água duas vezes porque ele é um fujão. Acuado, o ex-governador de São Paulo foge do combate mortal, como fugiu do Brasil depois do golpe militar e se escafedeu do Chile alguns anos depois. Geraldo Alckmin é atrevido e malvado como o führer germânico, mas falta-lhe algo. O habitante do Palácio dos Bandeirantes é capaz de deixar milhões de paulistas sem água para garantir o lucro dos acionistas da Sabesp em New York, mas quando abre a boca ele dá sono. O picolé de chuchu não é capaz de envolver e apavorar uma plateia de maneira tão profunda quanto Hitler.

Ano passado Aécio Neves reluziu como um diamante, mas ao fim da campanha a maioria da população perceber que ele não passava de uma imitação barata de vidro. Confrontado de maneira dura por Dilma Rousseff o presidente do PSDB borrou as calças. Ele perdeu a eleição porque perdeu os debates na TV. Tudo que tentou desde então (impedir a diplomação da adversária, recontar os votos presidenciais, bloquear a posse da presidente, Impedi-la de tocar seu mandato) Aécio perdeu. Não há perdedor maior e mais frágil do que ele no Brasil. Causa-me temor não as investidas verbais dele contra Dilma Rousseff, mas a possibilidade dele meter uma bala na cabeça em razão de não conseguir suportar tamanha frustração.

Lula foi ofendido de maneira evidente e proposital na última capa da Veja, revista que perdeu a credibilidade desde que se uniu à quadrilha Cachoeira/Demóstenes Torres. Se tivesse sido duramente punida naquela oportunidade, a Veja não continuaria confundindo jornalismo com propaganda mafiosa em benefício dos criminosos listados entre os correntistas do HSBC da Suíça (dentre os quais vários barões da mídia). O circulo se fecha aqui.

É perfeitamente compreensível a circulação circular das notícias plantadas na Veja contra o PT. Aqueles que repercutem as distorções, invenções e inversões de valores cozidas e recozidas na redação da Veja tem razões para atribuir uma credibilidade imerecida à revista usando-a para atacar ferozmente o PT. Num governo tucano os barões da mídia, que já atuam de maneira concertada à moda da máfia italiana, não só não seriam incomodados pela Polícia Federal e pela Justiça Federal como conseguiriam ter lucro. No fundo o que eles querem e poder dividir entre si, como sempre fizeram até alguns anos atrás, as verbas de publicidade da União e autarquias federais. Isto além de dizer o que o governo deve ou não deve fazer em prol dos interesses mesquinhos dos Marinhos, Frias, Mesquitas, Saads, etc...

Neste sentido, Lula vestido de presidiário na capa da Veja é um evidente ato falho. Aqueles que tem medo da prisão não poderiam fazer outra coisa senão desqualificar o ex-presidente que inverteu as regras do jogo político no Brasil. O jogo político invertido, contudo, apenas começou e quando o PT for para a rua os donos das empresas de comunicação terão que se esconder nos seus castros, isto se já não tiverem sido recolhidos à prisão.

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