segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Refugiados no Brasil? Neste Brasil do ódio e do preconceito?, por Nirlando Beirão



Dizem os estereótipos nacionais ( reforçados pelos editoriais dos jornalões e pelos comentaristas do futebol ): os austríacos são “frios”, “insensíveis”; os alemães são “duros”, “agressivos”.

Já os brasileiros, nós temos certeza de que somos “cordiais”, “carnavalescos”, “moleques”, “hospitaleiros”.

Vi as imagens da chegada de refugiados do Oriente Médio em Viena e, esta manhã, em Munique. Foi de dar nó na garganta.

Foram recebidos, os “indesejados”, com salva de palmas, flores e pratos de comida. Eles mal podiam acreditar no que viam, ouviam, sentiam. Eles, os deserdados da terra, sendo recepcionados com amor e respeito em terra alheia, tão distante.

No Brasil, a presidente Dilma prometeu neste domingo abrir os braços para os que fogem das guerras e da fome mas – usando um jargão futebolístico – ela precisa primeiro combinar com os russos. Quer dizer, com os próprios brasileiros.

Com aqueles que, por exemplo, vaiaram e insultaram os cubanos do Mais Médicos que vinham ajudar os doentes da periferia das metrópoles e do interior mais remoto do país – ali onde os médicos coxinhas dos gabinetes teriam pavor de pisar com seus mocassins de grife.

( a versão dos que vaiaram é que os cubanos vinham, com insidiosas pílulas ou xaropes de manipulação, intoxicar a nação brasileira, entorpecer os espíritos, para aqui implantar o comunismo castrista ).

Ou como aqueles que hostilizam os haitianos refugiados, fazendo troça deles quando arranjam empregos, ameaçando-os quando desempregados ( em São Paulo, vocês se lembram, haitianos foram baleados, pela culpa de serem ... haitianos ).

Este é o retrato de um povo, dizem, cordial, amigo, desprovido de ódio.

Tenho saudades do Brasil – aquele outro.

Enquanto isso, a Alemanha continua ganhando de goleada – em todos os campos, inclusive no terreno da compaixão e da solidariedade humana.


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