quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O Campeonato Brasileiro de 2015 morreu




Não importa o que aconteça até dezembro. Os gravíssimos erros de arbitragem conseguiram estragar um dos melhores Campeonatos Brasileiros dos últimos anos. A revolta de torcedores de diversos times é justa, mas é preciso refletir além do clubismo para não lidar com a questão apenas com o fígado. E aí entra o Corinthians, o time mais favorecido em lances cruciais. Favorecido pelas falhas de juízes e auxiliares, e não por haver um esquema já previsto que garanta mais um título ao clube paulista. Pelo menos até que aqueles que especulam sobre isso provem que há realmente algo fabricado nos bastidores da CBF para entregar o caneco a um time em especial.

Não é possível confiar cegamente. Como bem escreveu Gian Oddi, jornalista da ESPN, a lisura da entidade que rege o futebol brasileiro é bastante contestável. E o escândalo da Máfia do Apito em 2005 provou que um jogo poderia, sim, ser decidido fora do campo e que os erros dos juízes foram premeditados. Mas daí a apontar o Corinthians como parte integrante de um esquema é, ao menos nesse momento, leviano. Também é tola a parcela de torcedores que garante haver algo, mas também assegura que profissionais da imprensa não divulgam um suposto escândalo por também fazerem parte do acordo.

Investigar seria o caminho. A começar pela própria CBF, que desde o início do ano autorizou os árbitros a abusarem da autoridade com o apito. As súmulas publicadas no site oficial da entidade chegam a ser constrangedoras. O jogador que protesta com educação é punido da mesma forma que o outro que machuca o adversário. A regra é clara: diga não ao diálogo e, para isso, o cartão é o seu maior instrumento. A Comissão de Arbitragem deveria ser o outro alvo, já que foi responsável também por criar problemas na escalação dos árbitros do mesmo estado dos times mandantes em algumas partidas.

O prejuízo não atingiu apenas um time, mas claramente alguns foram mais prejudicados do que outros, como é o caso do Atlético Mineiro. E claramente isso desviou o foco dos jogadores, que passaram a entrar cada vez mais nervosos nas partidas, o que provocou a queda de rendimento de um concorrente ao título. Indiretamente, o próprio Corinthians é prejudicado pela situação. Se ganhou pontos fundamentais por conta do erro das arbitragens, ao mesmo tempo viu sua ótima campanha ser relegada a um segundo plano. Liderança merecida, mais vitórias, melhor mandante, melhor defesa. Nada disso importará se o título vier. Os adversários colocarão imediatamente um asterisco sobre a eventual conquista.

Os clubes também não podem ficar isentos nessa discussão. São eles que assinam os regulamentos, permitem os mandos e desmandos da CBF, antecipam receitas dos direitos de TV e não mostram nenhuma força coletiva para protestar. Quando seu time é prejudicado, solta nota oficial no site. Na próxima rodada, ao ser favorecido, finge que o problema já não é mais dele. Aí entra a hipocrisia de advogar com o próprio umbigo e nunca pensar em como o ridículo nível da arbitragem compromete a qualidade final do produto que se esforçam a vender para os sócios-torcedores e patrocinadores. A falta de união entre os clubes beneficia apenas uma peça desse quebra-cabeça: a própria CBF.

Nos bares, no sofá de casa, nas mesas-redondas esportivas, a temática é uma só. Até os gols viraram detalhe. Só se discute o erro do juiz, que se tornou o protagonista, quando, na verdade, deveria ser a parte mais insignificante da disputa. Se o futebol brasileiro definhou tecnicamente após a Copa do Mundo, agora vê o pouco que lhe sobrou de credibilidade escorrendo pelas mãos. A revolta generalizada tomou conta do campo e das arquibancadas. Mais uma vez, a maior vítima é o torcedor, que já não consegue mais diferenciar a incompetência da conspiração.


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