sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Moralismo seletivo, uma inversão de valores, por Jasson de Oliveira Andrade



Um fato negativo merece destaque: o moralismo seletivo. A indignação seletiva é, para mim, uma inversão de valores, uma vez que exaltam corruptos para combater... a corrupção. É o caso do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que foi denunciado pelo Procurador Geral da República por corrupção. Ele se transformou, pasmem, em herói. Ao noticiar essa denúncia, o jornalista Rodrigo Martins fez essa incrível e espantosa revelação: “Quem cultiva a indignação seletiva corre o risco de colher constrangimento. Parece ser o caso dos manifestantes mineiros que no domingo 16 exibiram em Belo Horizonte a faixa “Somos milhões de Cunhas” (CartaCapital, 26/8/2015). Na reportagem consta a faixa, com esses dizeres: NÃO ADIANTA CALAR OU ISOLAR O CUNHA. SOMOS MILHÕES DE CUNHA. IMPEACHMENT-JÁ. CHEGA DE NEGOCIATAS E CORRUPÇÃO. O espantoso é que ele foi denunciado por supostas negociatas e corrupção! Ou seja, seria o mesmo que dizer: somos milhões de corruptos...

O PSDB aliou-se ao presidente da Câmara. Esta atitude é condenada por Bresser Pereira, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, no seu Facebook, comentando: “A UDN foi um partido liberal, sempre na oposição, que, entre 1946 e 1964, tentou promover golpe contra governos legítimos. Afinal seu golpismo foi “vitorioso” em 1964... O PSDB revelou-se um seu legítimo sucessor. Mas com uma diferença: enquanto a UDN nunca se associou a políticos evidentemente corruptos, é isto o que o PSDB está fazendo neste momento: aliou-se ao deputado Eduardo Cunha, conforme informa a Folha de 22.5.15. (...) Dessa maneira, os guardiões da ética na política procuram derrubar uma presidente cuja honestidade é evidente [também na opinião de FHC] aliando-se ao que é evidentemente corrupto. A UDN era melhor...”

Diga-se que Cunha foi denunciado pelo Procurador Geral da República, mas não é réu, o que ainda depende da decisão do Supremo. Apesar disso, ele não deve ser paradigma da moralidade no Brasil. Isto é uma inversão de valores!

Outro fato muito esquisito: existem denúncias que são, estranhamente, escondidas da população. É o que revela Luís Nassif, em artigo de 27/8/2015, sob o título “Grandes jornais escondem Aécio de seus leitores”. Ele revelou esses dois “esquecimentos”: o primeiro, “a declaração do doleiro Alberto Youssef de que o senador Aécio Neves recebia US$ 150 mil mensais de Furnas, esquentados através da empresa Bauruense”. Nassif afirmou ainda que Janot “esqueceu-se de que sua gaveta guarda um inquérito de 2010 da MPF do Rio de Janeiro, sobre uma conta fantasma (sic) de Aécio no paraíso fiscal de Liechenstein”. Essas graves denúncias, por motivo de seleção dos jornais, não foram, inexplicavelmente, noticiadas. Os leitores as desconheciam. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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