Monitor5_728x90

domingo, 13 de setembro de 2015

Marchas: 1964 e 2015, por Jasson de Oliveira Andrade





Duas marchas marcam nossa História. Em 1964, tivemos a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em 19/3/1964, liderada pelo então governador de São Paulo, Ademar de Barros, contra o presidente João Goulart, Jango, com 500 mil manifestantes, o que talvez corresponda a 2 milhões hoje. Os historiadores reconhecem que essa Marcha foi fundamental para a queda de Jango. Ademar, por este motivo, foi considerado um dos maiores líderes civis do Golpe de 64. No entanto, ele caiu em desgraça e, em 6/6/1966, foi afastado do cargo de governador e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos. Para não ser preso, ele fugiu para a França, onde morreu no exílio, em Paris, a 12/3/1969, aos 67 anos. Já em 2015 também tivemos marchas contra a presidenta Dilma. Alguns – espero que sejam poucos – pediram a volta dos militares ao Poder. Para mim, estão iludidos, equivocados. Caso houvesse um Golpe Militar, eu tenho a convicção que o tiro sairia pela culatra, como aconteceu com o Ademar de Barros. E também com Carlos Lacerda, outro líder civil do Golpe de 64, mas que teve seus direitos políticos suspensos por dez anos e foi preso! Além do mais, numa ditadura não se pode fazer marchas contra o governo. Se o fizer, os manifestantes poderão ser presos, torturados e mortos! Isto aconteceu muito em 1964... Se a ditadura prendeu até o Lacerda! Os líderes civis e a Marcha foram usados e depois descartados!

Os golpistas alegam que no tempo da ditadura não existia corrupção. Mentira. O advogado José Paulo Cavalcanti Filho, em artigo na Folha (26/8/2015), sob o título “Corrupção na ditadura”, afirma: “Recentemente, um almirante da reserva foi preso sob a acusação de ter recebido R$ 4,5 milhões em propina de empreiteiras, enquanto presidente da Eletronuclear. A importância dessa prisão vai além de sua dimensão ética. Por ser disseminada a idéia de que os militares deveriam voltar ao poder porque “no tempo da Revolução (assim dizia quem estava a favor do golpe militar) não havia corrupção. Lenda”. Após mostrar a corrupção no tempo da ditadura, o advogado diz: “Corrupção, pois, havia, sim. E muita. (...) No fundo, a corrupção é um desvio da natureza humana praticado indistintamente por civis e militares. Só que, durante a ditadura militar, não se sabia dos submundos do poder porque havia censura. Hoje, felizmente, a liberdade nos permite saber. Essa é a diferença”.


É por esse motivo que sempre digo: A pior das democracias sempre é melhor do que as melhores das ditaduras!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

(Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 12/9/2015)

.






Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe