Monitor5_728x90

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

CBF a favor do uso de vídeo para ajudar os árbitros?



NOVO FUTEBOL

A CBF mandará um enviado a um encontro do International Board, no mês que vem, em Londres, para posicionar a entidade favoravelmente ao uso de vídeo para auxiliar a arbitragem. O ex-árbitro Manoel Serapião Filho, instrutor da Escola Nacional de Arbitragem, levará aos guardiões do apito mundial um projeto brasileiro para criar o “árbitro de vídeo”. A ideia é obter autorização da Fifa para aplicar o recurso na Série A do Campeonato Brasileiro de 2016.

Todo avanço merece aplauso, ainda mais um avanço tão urgente quanto esse. Mas há entidades bem adiantadas em relação ao resgate da arbitragem de futebol da era medieval em que se encontra. Uma das principais proponentes da modernização é a Associação Holandesa de Futebol, que em fevereiro deste ano apresentou seus planos ao International Board e ouviu o pedido de continuar trabalhando com vistas a uma nova conversa, no início do ano que vem. Italianos, alemães e ingleses, já beneficiados pela tecnologia da linha de gol, também estão dispostos a remover o trio de arbitragem do papel de vilão do jogo.

Os americanos, claro, não conseguem entender como o apito eletrônico ainda não está em ação. Os quatro principais esportes do país usam o replay de vídeo, e a MLS quer seguir o mesmo caminho. Discretamente, a liga vem conduzindo testes nas últimas duas temporadas, nos jogos de três equipes, concentrados no tempo necessário para as verificações de três situações: cartões vermelhos, pênaltis e lances de gols. E a conclusão é que o intervalo – ao redor de um minuto – que geralmente precede o reinício do jogo é mais do que suficiente para que o vídeo seja analisado e o árbitro comunicado via rádio.

A MLS e a Associação Holandesa tem trocado informações e discutido a possibilidade de fazer uma apresentação conjunta à Fifa, em que se colocarão à disposição para testar o sistema em seus campeonatos. Finalmente, o futebol está a caminho de uma nova era.

CRONOGRAMA

A intenção da CBF de usar o árbitro de vídeo no ano que vem parece precipitada, a não ser em um caráter experimental, como parte de um estudo para que a Fifa tome uma decisão definitiva. Em termos de mudanças oficiais nas regras, a próxima reunião do International Board acontecerá em março de 2016. O “erro humano”, paixão dos atrasados, ainda respira.

RECADO

A nova geração de estádios brasileiros está totalmente preparada para a arbitragem eletrônica. Até mesmo utilizando os modernos telões para mostrar ao público, com total transparência, os lances revisados e as decisões tomadas pelo conjunto de arbitragem. O objetivo é minimizar equívocos e dúvidas, o que torna obrigatória a comunicação ao torcedor.

ATUALIZAÇÃO: A CBF agora informa que a viagem de Manoel Serapião Filho será em novembro.

18 de Setembro de 2015

LEIA TAMBÉM:

ESPETÁCULO DO ATRASO

A “polêmica” em torno da sequência de eventos que praticamente decidiu o clássico entre Corinthians e Santos não poderia ser melhor. Deve ser recebida com aplauso, pois exibe, em um pequeno intervalo, tudo o que está errado com a arbitragem de futebol. É o exemplo ideal para ser usado em uma simulação de como as coisas funcionariam se este esporte tão importante, que alimenta tantas emoções e movimenta tanto dinheiro, não estivesse à mercê da capacidade limitada do apito medieval. Apresentando aos celulares inteligentes, o futebol insiste nos sinais de fumaça. E há quem ache bonito.

O pênalti cometido pelo santista Zeca em Vagner Love é o tipo de jogada que exige a análise por vídeo para que a decisão tomada seja correta. São muitos elementos reunidos em um lance com alto potencial de impacto no placar: uma falta dentro da área, no momento em que o atacante se preparava para finalizar a gol. Situação “clara e manifesta”, no idioma arbitrês, que obriga os homens de meia preta a deliberar – após verem o lance apenas uma vez, em ângulos que podem não ser os melhores – sobre marcar o pênalti e expulsar quem o cometeu. Um caso em que as conclusões do árbitro e dos assistentes podem levar um time a se ver em desvantagem no placar e em inferioridade numérica, aos 34 minutos do segundo tempo. É a tempestade perfeita.

O trio comandado por Flávio Rodrigues Guerra acertou (o assistente Rogério Pablos Zanardo está em campo para atuar, e o fato de uma intervenção correta ser vista como algo suspeito é uma contradição sem tamanho) ao apontar a penalidade, mas claramente se confundiu em relação ao jogador que deveria ser expulso, mostrando o cartão vermelho para David Braz. Da marcação à cobrança do pênalti passaram-se seis longos minutos, consumidos por reclamações, pressão sobre a arbitragem e até uma discussão entre Braz e o técnico corintiano Tite. Tudo, absolutamente tudo, poderia ter sido evitado. Assim como as horas dedicadas a análises desnecessárias na televisão e no rádio, metros em espaços em jornais como este, além, é claro, de terabytes gastos em discussões inúteis nas redes antissociais.

O conjunto de replays exibidos pela TV dissecou o episódio em segundos: pênalti cristalino em Love, que deveria causar a expulsão de Zeca. Fim da história. Estivesse em ação no Campeonato Brasileiro, o recurso de vídeo seria exibido no telão da Arena Corinthians, enquanto os responsáveis pela revisão da jogada se comunicariam com o árbitro, que colocaria a bola na marca penal e mostraria a saída ao jogador certo. Jadson cobraria o pênalti em um intervalo de tempo que não chegaria a um terço dos seis minutos em que um espetáculo do atraso se apoderou do jogo em Itaquera, para deleite dos admiradores do “elemento humano”. É ridículo.

Além de garantir a justiça do resultado, estaríamos livres da pantomima que acompanha essas situações. David Braz não teria perdido o controle a ponto de vagar pelo gramado declarando inocência (aliás, não seria melhor procurar o verdadeiro “culpado”, seu companheiro?) e não se envolveria em um entrevero com Tite. Zeca não teria dito “eu acertei a bola, o Vagner se jogou”, para depois, no vestiário, se render ao óbvio. E principalmente: Flávio Rodrigues Guerra não teria usado o expediente de justificar a expulsão de Braz com uma fantasia exagerada escrita na súmula, apenas para acobertar o próprio erro.

A recusa à tecnologia alimenta um teatro de mentiras que não se vê em nenhum outro esporte de relevância comparável. É insuportável a quantidade de tempo e energia que se desperdiça em nome da “dinâmica peculiar” do futebol. Um desperdício que se desenrola diante de milhões de telespectadores, como se estivessem assistindo ao passatempo de uma civilização que escolheu ficar aprisionada ao passado.

22 de Setembro de 2015

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Trata-se de uma EXCELENTE notícia! Pense no ganho: em vez das "deliciosas" discussões polêmicas com a turma da firma sobre erros de juiz, ou sensacionais pelejas verbais com aquele seu amigo que vive dizendo - geralmente com razão, aliás - que sempre tem um time favorecido nesses glamourosos erros de arbitragem, polêmicas e discussões acaloradas que dão todo o sabor a este esporte, você poderá gastar este tempo com o que realmente importa: as monumentais jogadas dos excelentes craques que desfilam jogadas indescritivelmente belas pelos gramados Brasil afora, exaltando o talento destes artistas da bola, que tanto nos brindam com cenas inesquecíveis de beleza, destreza e habilidade. Portanto, não faltará assunto.

.









.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe