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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"A Indústria da Multa não Existe" em: a volta do Homenzinho Amarelo




Anos atrás, cerca de exatos 7 anos, a Companhia do Metrô lançou uma campanha civilizatória entre os usuários. E, para isso, empregou a figura de um ente que passei a chamar de "Homenzinho Amarelo". Mal-educado, mau caráter, egoísta, adepto da Lei de Gérson - entre outros predicados - este personagem figurava em posters, adesivos e flyers, onde aparecia atrasando o lado dos demais passageiros. Na época eu também usei o personagem Homenzinho Amarelo ( um paulistano ou morador da cidade ), mas mostrei como ele era e o que fazia quando não estava ferrando a vida das pessoas nos vagões do Metrô. Se interessar saber mais, você pode ir no campo de PESQUISAS deste blog e procurar por "HOMENZINHO AMARELO". São cerca de seis ou sete posts estrelados pelo simpático personagem.

Pois bem. Hoje, não sei exatamente o motivo, eu estava vasculhando este blog atrás de postagens mais antigas sobre a CET, sobre a "Indústria da Multa", sobre o trânsito, sobre os amarelinhos, radares, rodízio, autuações etc, sobre o mimimi e o chorume vomitado pelos meus concidadãos municipes motoristas paulistanos e, sabem a maior? Bem, tenho postagens sobre o tema, que datam de 2007, 2008 e, se procurar, é capaz de ter até de anos anteriores ( talvez no meu finado blog O Cata-Milho, inaugurado em 2006, e deixado de lado poucos anos depois, eu encontre alguma coisa ). Então, sabem a maior? ESTES TEXTOS NUNCA FORAM TÃO ATUAIS!

São sempre as mesmas reclamações, sempre a mesma imprensa ecoando as reclamações, e esse povo todo fingindo ignorar a inexistência da tal "Indústria da Multa"!
Jornais sempre dando manchetes sobre o aumento das "multas" ( eles SEMPRE preferem usar a palavra "multa" em vez de "autuação", como forma de manipulação ) e sempre colocando em segundo plano as informações de especialistas e analistas que dizem que se multa pouco; que, se dez são multados, setenta que mereciam não são; que o efetivo de amarelinhos da CET é ridículo não importa por onde se olhe; que HÁ ESPAÇO PARA SE MULTAR MAIS; que existe na verdade em Sampa uma INDÚSTRIA DA IMPUNIDADE; e por aí vai.

Lembro de uma vez que os moradores de uma rua aqui próxima reclamaram num jornal do bairro sobre a CET precisar ir nesse local, onde caminhões estavam proibidos de circular, mas essa proibição é (era) ignorada por caminhoneiros. Os moradores reclamaram e essa notícia saiu no site do jornal. Aí eu fui lá e intimei essa gente toda, perguntando porque eles reclamavam dos caminhoneiros mas não se importavam em, eles, moradores, estacionarem os carros na calçada, prejudicando os pedestres. Caminhões eram ilegais, mas estacionar na calçada também.
Como canalhas covardes, ninguém teve coragem de retrucar, pois sabiam que eu estava certo.
Pois eles se achavam no direito de reclamar dos caminhoneiros e também no direito DE COLOCAR SEUS CARROS NA CALÇADA. Tipo, um ladrão chamando a polícia por ter sido assaltado.
E sabe de uma coisa? É assim aqui até hoje! E se, porventura, tomarem multa por causa dos carros nas calçadas, não se farão de rogados e voltarão ao jornal, dessa vez reclamando da Indústria da Multa. É bem paulistano isso! Se é assim nesta rua, provavelmente é assim por toda a cidade. Então é bem paulistano isso e é bem o comportamento de um legítimo HOMENZINHO AMARELO! E eu não podia deixar de mencionar que, mesmo sabendo de como são as pessoas e as coisas, certamente o jornal do bairro aceitaria a nova queixa destes moradores, e era até capaz de fazer um editorial sobre a "Indústria da Multa" Eles se somam e se merecem!
Noutro texto que estive lendo, datado de 2009, achei o trecho de uma conversa que tirei da comunidade deste bairro no finado Orkut. Olhem que atual:

fúlvio(*)
multa
va ate a vila Rejo(* )e ganhe uma multa….no largo da vila ta ruim de ir de carro ou de moto,eles estao multando por nada,eu estou evitando ir pra la para nao ganhar uma multa…alguem ja tomou alguma multa la???????comentem

[Lita](*)
Eu vi multando uns carros barados do Itaú até a droga Ria* sabado passado, e não foi “por nada” pq afinal tem uma bela placa de que é proibido…

(*) Nomes alterados 

Não é lindo? O cara reclamando das multas e a moça observando que, na verdade, há no determinado local uma placa de estacionamento proibido. 
É assim, é sempre assim! Por mais que pipoquem aqui e acolá queixumes de que multas estão sendo "inventadas" por radares, a verdade é que, por mais que os paulistanos estrilem, no fundo eles sabem que a coisa era pra ser bem pior. Ou melhor. Eles reclamam de barriga cheia e sabem disso. 
E é essa hipocrisia que enoja. Pior ainda é quando essa gentalha deita a falar de corrupção. A hipocrisia passa a vazar pelos seus poros, apodrecendo o ar em volta.
Ah, tem outro caso que é bastante ilustrativo, e que tirei do jornal do bairro, em 2007: os moradores queriam que fosse instalado na praça central uma base da PM, pois sabe como é, tava cheio de bandidagem infringindo a lei. E, assim, conseguiram uma base móvel, e isso saiu no tal jornal, todo mundo saudando e coisa e tal. Pouco depois, o mesmo jornal noticiou que os moradores estavam chiando porque a PM começou a fazer o que tinha que fazer: passou a multar os moradores. Estes iam nos comércios da praça e infringiam as leis de trânsito. Fizeram isso a vida toda ENQUANTO NÃO TINHA PM, ou seja, não havia fiscalização nesse sentido e os moradores faziam o que queriam. Mas a PM chegou no pedaço e falou "aqui não, violão!"  ( é o que mostra o diálogo transcrito acima ).
Aí os moradores se acharam no direito de reclamar e procuraram o jornal. Eu tenho esse texto, mas estou com preguiça de transcrevê-lo aqui, pois teria que editá-lo, para não constarem nomes e locais, então vocês terão que acreditar em meu testemunho. As pessoas celebravam o ar de segurança conquistado com a base da PM - que não se encontra mais lá hoje em dia - mas reclamaram da PM cumprir sua obrigação. Pois assim é o chamado "cidadão de bem": as leis são para os outros. O Homenzinho Amarelo é meio "complicado".

ZUERA


Embora em número infinitamente inferior que os detratores e reclamões, que fazem questão de demarcar território - e sempre tendo a imprensa a seu serviço para dar voz e ampliá-la - eventualmente aparece aqui e acolá alguém disposto a retrucar essas lamúrias. 
E, geralmente, é feita na forma de piadas e chistes, como esta acima, que lembra bastante dois textos que escrevi em 2007, em que, por pura zueira, eu denunciava "estratégias" da CET para multar os pobres motoristas paulistanos:



Eu peguei os exageros que era obrigado a escutar e transformei numa peça humorística, embora soubesse que a realidade sempre é pior, ou seja, que se eu inventasse uma "denúncia fake zueira", alguém inventaria outra, com conteúdo pior, só que para ser levada a sério, apesar de ser indigna de crédito. 

A própria denúncia sobre existir uma Indústria da Multa entra nessa condição. Não deveria ser levada a sério, pelo simples motivo de que ela não existe. Mas tem quem acredite, denuncie a sério e até consiga algum prestígio social com isso, embora só devesse merecer zombarias e escárnio. Os Homenzinhos Amarelos são uma comunidade sólida e solidária. E, repito, conseguem até ser piores. Por exemplo, quando reclamam da corrupção no Brasil. 
Advertência: nunca dê crédito nem confie num Homenzinho Amarelo!


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