quinta-feira, 13 de agosto de 2015

PSDB desiste do impeachment de Dilma, por Jasson de Oliveira Andrade



O PSDB foi o partido que mais defendeu o impeachment. Em diversos artigos, comentei essa iniciativa tucana, liderada por Aécio Neves, insuflando a população para adotar essa medida extrema contra Dilma. Agora, para surpresa geral, o PSDB desistiu do impeachment. No entanto, o partido está dividido, como sempre. Uma ala deseja a renúncia de Dilma, que seria substituída por Michel Temer. Outra ala defende nova eleição com o afastamento da presidenta e do vice. Essa divisão do PSDB foi analisada pelo filósofo Jose Arthur Giannotti em declaração ao El Pais: “O PSDB nunca foi um partido. Sempre foi muito mais uma reunião de caciques que têm as suas posições. A ideologia não é o forte do PSDB”. Adiante afirma: “Isso [divisão no PSDB] apenas enfraquece o partido, mas faz com que ele seja mais um tiroteio do que uma oposição política. Não fazem política responsável, estão apenas empenhados em derrubar a Dilma”. A opinião dele é importante porque sempre foi ligado aos tucanos: é insuspeito!
O jornalista Reinaldo Azevedo, anti-petista fanático, escreveu um artigo na Folha (7/8) sob o título: “Dilma tem que formalizar a renúncia”. A tese favorece Michel Temer. A certeza dessa atitude de Dilma é tanta que já se nomeia até ministro tucano para o novo governo peemedebista. É o que afirma Mônica Bergamo em sua coluna na Folha, em 6/8: “A proximidade [de Temer com Serra] é vista como investimento no futuro. Em caso de impeachment de Dilma Rousseff, Serra se transformaria em ministro da Fazenda, trazendo o apoio de parte do PSDB a um eventual governo Temer. Do cargo, o tucano se lançaria candidato a presidente em 2018, pelo PSDB ou até pelo PMDB”. Já a ala aecista prefere novas eleições com o afastamento de Dilma e de Temer! Para tanto, essa ala planeja sugerir aos que vão protestar: desistam do impeachment e passem a defender novas eleições, exigindo a renúncia da presidente e de seu vice. Bernardo Mello Franco em artigo à Folha (7/8) comenta a movimentação dessa ala tucana: “Os aecistas ensaiaram uma reação [contra a posse de Temer em substituição à Dilma, defendida pelos serristas] nesta quinta [6/8], ao dizer que a saída para crise não é o impeachment (sic), e sim a convocação de novas eleições presidenciais. A idéia foi sustentada até pelo líder do PSDB na Câmara, o incendiário Carlos Sampaio. (...) Os tucanos sabem que a tese não tem respaldo na Constituição, mas querem evitar que o vice [Temer] seja visto como a única alternativa a Dilma”. Complicado, não! O melhor não seria deixar a Dilma? Ruim com ela, pior sem ela...
O curioso é que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, escreveu um artigo na Folha (7/8), dizendo: “Jamais aceitarei a insistente tentativa de me imputar o papel de conspirador pelo impeachment de Dilma Rousseff. (...) Tenho afirmado reiteradamente que o impeachment não é o recurso eleitoral de quem perde a eleição, mas um grave instrumento jurídico a ser usado em situações especiais, SOB O RISCO DE ABALAR OS ALICERCES DEMOCRÁTICOS QUE DEMORAMOS MUITO [ 21 anos de ditadura ] A CONSTRUIR ( destaque meu )”. Mas, por que Cunha, o homem que rompeu com o governo e pretende impor “pautas bombas” na Câmara só para prejudicar Dilma, e o PSDB subitamente tornaram-se tão preocupados em não aparecerem como golpistas? Qual a razão da súbita moderação de ambos num momento em que o Governo parece tão fragilizado? Estranho! Tudo indica que ambos dizem uma coisa, mas, na verdade, pensam justamente o contrário...
Luís Nassif constatou: “Um conjunto de iniciativas [ que revelei neste texto ] coloca um ponto final na novela do impeachment, deixando inúmeros incendiários com a tocha na mão”. Isto se deve ao PSDB, que desistiu do impeachment contra a Dilma!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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