sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Os panelassholes em: The smalest small pieces of the ship?


Ontem escrevi que:

"Entre destacar panelaço em 20 bairros (classe-média) da capital e que não teve nos outros 200, adivinha o que imprensalão escolhe?
Noutros termos: a opinião barulhenta dos 20 bairros é mais importante que a opinião silenciosa dos 200 'restantes'."

O fato é que os panelaços escutados nos "20 bairros" ( da capital paulistana ) a que me referi ( e que são OS BAIRROS DE SEMPRE, de eleitorado predominantemente tucano - alguns outrora malufistas (1), embora uns tentem esconder ou deixar prá lá ) não ocorreram "nos bairros", mas "em várias residências localizadas nestes bairros" ( e que, segundo vários testemunhos, foi menor que noutras ocasiões ) o que torna as chamadas da imprensa, que fala em "panelaço em 11 capitais", demasiadamente otimistas quanto à participação das pessoas neste novo "panelasshole". Mas a imprensa PRECISAVA mostrar uma "reação popular" ao programa do PT. Imagem é tudo.

Destacar que "a periferia" não aderiu ao panelaço equivale a ESCONDER que a maioria esmagadora da população, periferia inclusive, NÃO ADERIU. Não sou daqueles que divide a cidade de São Paulo - e outras - entre centro e periferia, ricos e pobres, e nada no meio, como se entre estes dois 'extremos" geográficos existisse no meio um mar desconhecido habitado por criaturas marinhas assustadoras.

Mas é bastante revelador o fato de a imprensa em geral dizer que 11 capitais promoveram panelaços - o que não é bem verdade, como tentei expor acima - e botar, À PARTE, a notícia de que "as periferias" não aderiram. É como se "as periferias" não fizessem parte da cidade, das capitais.
Excluidos da história, como se, eventualmente, pudessem participar, e apenas quando convidados, de episódios protagonizados por outros.
Seu silêncio ou desinteresse pelo "panelassole" de ontem parece não os tornar, aos olhos de certa imprensa "viciada", protagonistas de algo. Trocando em miúdos: a história é, e só pode ser, contada do ponto de vista dos "panelassholes"! As periferias não têm licença para serem sujeitos da História. O "panelassole" era a certeza, "O" fato do dia, mas as periferias atravessaram o samba...

De qualquer forma, segundo me informou um sujeito lá, teve panelaço no Tremembé, que não é Perdizes, Vila Mariana ou Pinheiros. Talvez seja a proximidade com Santana que leve a isso.


Instantâneos da história: duas mulheres, dois perfis, um panelaço
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(1) Sobre essa "conversão", valeria a leitura do texto "O jeito paulistano de ir às urnas", publicado na Carta Capital em 13 de Outubro de 2004. Ali era mostrado, com informações e gráficos a partir de pesquisa do cientista político Carlos Novais, que compilara dados das sucessivas disputas eleitorais, de 1988 a 2004, que Serra e o PSDB herdaram os votos de Maluf, que começava a enfrentar seu declínio ( mas não seu ocaso completo ):

"Para o cientista político...Serra consolidou-se como o candidato-viável do centro-direita e, por isso, conseguiu agregar a preferência de eleitores conservadores não malufistas e mesmo de parte da população que escolhia Maluf (2), mas que percebeu a decadência política do líder do PP...Serra e o PSDB seriam, portanto, os herdeiros NATURAIS ( grifo meu ) desse voto. 'Há uma enorme faixa intermediária, da classe média alta e baixa, que viu no candidato tucano essa opção mais segura e confiável...Dos números trabalhados pelo cientista político emergem, por exemplo, semelhanças numéricas e regionais entre o desempenho de Serra e Pitta. Ambos, no primeiro turno, alcançaram perto de 44% dos votos válidos - e tiveram suas melhores votações em regiões semelhantes." ( infelizmente não tenho como reproduzir o grafico de 2 partes "Serra avançou...sobre o eleitorado malufista" )

(2) Também deve-se considerar que, se havia (há) conservadores não malufistas e que Serra angariara naquele momento (2004) aqueles votos, por outro lado, é bem provável que, antes disso, na falta de opções que agradassem esse eleitorado "não malufista", eles acabavam dirigindo seus votos a Maluf, o que tornava um pouco difícil fazer distinções entre conservadores malufistas e não malufistas.
Em seguida, com a decadência de Maluf, os não malufistas ficaram livres para, nas eleições futuras, redirecionar seus votos ao PSDB. Que também começou a abocanhar os votos dos eleitores malufistas históricos, ou de boa parte deles .

Em resumo: nada de novo no front. Sampa ( ou melhor, as citadas "faixa intermediária, da classe alta média e baixa", cuja localização geográfica é de conhecimento de todos, apesar de também ser de conhecimento amplo que Maluf sempre teve seus - muitos - defensores em regiões menos desenvolvidas da cidade e, até onde sei, se trata de um voto bastante pragmático ) não oferece surpresas, apenas ligeiros desvios rapidamente "corrigidos".

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