sábado, 8 de agosto de 2015

O ódio contra o PT e o atentado ao Instituto Lula, por Jasson de Oliveira Andrade



Já escrevi artigos abordando o ódio racial e o político. No racial citei o atentado nos Estados Unidos, que matou um pastor negro e mais oito pessoas. Depois tivemos o caso da apresentadora Maria Júlia, Maju, que apresenta o TEMPO, no Jornal Nacional. Ela foi vítima de ataque racial na Internet. Este ódio foi condenado, mas ele demonstra o que pensa uma parte de nossa sociedade. Lamentavelmente. Outro caso por mim focalizado foi sobre o adesivo contra a presidenta Dilma, expondo-a ao ridículo, em uma exploração sexual, condenada inclusive pela ONU. O caso foi interpretado como uma manifestação machista. Homens, como o ex-presidente Lula, embora odiado por esse grupo de fanáticos, não foi exposto a esse ridículo. Eles não aceitam uma mulher na Presidência, principalmente sendo do PT. Esse ódio aos petistas se concretizou contra o Jô Soares. O popular apresentador da TV Globo foi ameaçado de morte só porque entrevistou a presidenta Dilma! Agora tivemos um fato gravíssimo e muito perigoso: o atentado a bomba ao Instituto Lula.

O jornalista Ricardo Melo, em artigo à Folha, sob o título “Bombas na pauta”, comentou esse atentado e outras “bombas”: “O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, promete barulho na volta do recesso. Seria a pauta-bomba. O objetivo de Cunha, nem ele esconde, é reforçar o emparedamento (sic) do Planalto. O lema: se hay Dilma, soy contra. Para azar do deputado, neste meio tempo ele passou definitivamente de pedra a vidraça. Mas o jogo ainda está para ser jogado. (...) Bem mais real do que especulações parlamentares foi o atentado contra o Instituto Lula, ocorrido na noite da última quinta-feira (30/7). Em qualquer país mais ou menos sério, o ataque ao escritório de um ex-presidente da República num ambiente envenenado (sic) como o atual seria classificado de ato terrorista. Uma bomba jogada na sede onde trabalha um dos principais líderes políticos brasileiros merece outro nome? (...) Aliás, tampouco se trata do primeiro atentado a instalações do PT. Foi o terceiro num curto espaço de tempo. Acidentes? Nada disso. Eles representam uma escalada previsível. Nos últimos meses, já tivemos fotógrafos agredidos, cidadãos atacados durante passeatas [ só porque vestiam de vermelho ], leitores de revistas [ CartaCapital ] humilhados em aviões e jornalistas perseguidos porque são parecidos com Lula. Isso para não falar da agressões em lugares públicos – hospitais, restaurantes – CONTRA QUEM NÃO REZA A CARTILHA DO IMPEACHMENT DA PRESIDENTE ( destaque meu )”. 
Adiante o jornalista afirma: “Inexplicavelmente, o assunto foi entregue à Polícia Civil de São Paulo, conhecida pelos índices raquíticos de solução de casos. Nos bastidores, diz-se que a hipótese mais forte aponta para “baderneiros”. Por que meros baderneiros resolveram atacar o escritório de um ex-presidente da República em vez do Museu do Ipiranga, que fica ao lado, parece um mistério fácil de decifrar – menos para o ministro da Justiça. Cadê a Policia Federal, considerando que se trata de um caso envolvendo um ex-presidente?” 

Uma boa pergunta! Um fato demonstra como a imprensa trata um atentado contra tucanos e outro contra petistas. Em 2010, o candidato Serra ( PSDB ) foi atingido por uma bolinha de papel. Fez-se um estardalhaço. O jornal Nacional chegou a apresentar um vídeo para provar que era um objeto maior. Até um perito foi contratado para atestar essa versão!

Com o atentado a bomba ao Instituto Lula, o mesmo Jornal Nacional não deu o mesmo destaque de 2010. São dois pesos e duas medidas... A Folha (4/8/2015) publicou uma charge mostrando essa contradição.

Onde vai parar esse ódio ao PT? Será que o ministro da Justiça só vai tomar providências quando houver um atentado contra a presidenta Dilma? Já é hora de agir, antes que seja tarde demais... Como já escrevi: Críticas ao governo, sim. Até mesmo manifestações “Fora Dilma”. Fazem parte da Democracia. Ódio, não! Este sentimento irracional é condenado internacionalmente. Ninguém de bom senso pode apoiá-lo!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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