quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mais um linchamento termina em engano



Veja o paradoxo da coisa: se um sujeito é a favor do linchamento, obviamente ele é adepto da tolerância zero e - é bem provável - talvez fosse o tipo de pessoa que, se lhe fosse perguntado, responderia que o negócio é o bom e velho "olho por olho".

Pareço estar chutando? Não: é previsível mesmo. Geralmente essas pessoas têm um discurso comum, unificado e decorado. O mesmo rol de justificativas.

Prosseguindo: sendo a favor de linchamento e PARTICIPANDO DE UM, ele deve imaginar que essa é a maneira mais adequada de se tratar um criminoso. Um estuprador, então, esse tem que ser suprimido da Terra.

Aí nosso heroi vai lá, lincha um suposto estuprador, e este morre no dia seguinte. 

Aí, COMO PARECE SER A REGRA NESSES CASOS, o "suposto" não é mera força de expressão: o rapaz linchado e assassinado era "suposto" mesmo. Em suma, era inocente.

Se o linchamento de um criminoso é o assassinato que alguns teimam em chamar de "legítima defesa", o linchamento de um inocente é isso mesmo, sem disfarces: assassinato. Logo, um crime hediondo que, segundo os defensores do "olho por olho", precisa ser pago com o linchamento do criminoso.

E nosso herói, o linchador de inocentes, foi preso hoje pela polícia. Se tivesse um pouco de coerência e fé em suas próprias crenças, ele EXIGIRIA ser linchado, para que a "legítima defesa" contra criminosos fosse levada a cabo.

Mas tem um povo que acha que suas teorias só vales pros outros.

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