sábado, 22 de agosto de 2015

Globo dá tratamento diferenciado a assassino ao volante celeb


Ok, o cara não era celeb, mas seu pai sim, o cirurgião Ivo Pitangui. No entanto, o comportamento de portais de notícias da Globo soa muito estranho, pra não dizer suspeito.
Eu nem tava sabendo do ocorrido, mas alguém repassou isso na rede social:

No Twitter, o GloboNews quase coloca o filho de Pitangui no papel de vítima de infeliz acidente, não chegando sequer a mencionar a pessoa que ele atropelou e matou, o operário José Ferreira da Silva, o que só aparece quando você clica no link.


No portal G1, também da Globo, a chamada da notícia ( 06:46hs, depois atualizado seis horas depois ) diz que um "homem morre após ser atropelado na Zona sul do Rio", no lide aparece o nome da vítima mas, ESTRANHAMENTE, o nome do atropelador aparece também completo, no papel de "o motorista", como que para não chamar a atenção para quem era o personagem em questão, como se ele fosse um indivíduo comum. Muitos podem questionar: "Ah, mas ele É COMUM"!"
Não neste mundo em que tantos dedicam tanto tempo a ser ou parecer "alguém", seja uma subcelebridade de 5a. categoria, seja alguém de destaque nas artes, nos negócios, nos esportes. O jornalismo dedica grande esforço para buscar os melhores - e piores - momentos de gente famosa, muitas vezes passando ao largo de quaisquer considerações éticas, cheganto até a desrespeitar o direito à privacidade destas pessoas. Quantas vezes você abre o jornal e dá de cara com uma notícia insignificante sobre alguma ninharia prosaica de alguma destas subcelebridades ou "famosos" ( neste rol tanto podem entrar banqueiros, cozinheiros, jogadores de futebol, atores de TV, médiuns de famosos, pintores de talento questionado, ex-mulheres de jogadores de futebol, socialites, aspones de todo tipo, filhos de subcelebridades indo pra escola ) e, pior, nem sempre nos cadernos de fofocas mas sim, no noticiário comum?
Assim, soa muito estranho não dizerem logo de cara que o atropelador é filho do internacionalmente celebrado cirurgião plástico. Assim, mesmo que o filho não seja bem uma celebridade, o pai É, e a imprensa não costuma deixar passar esses detalhes:



A seguir, a melhor de todas, sem dúvida. Também no G1 ( às 11:58hs e atualizado duas horas depois ) o parentesco importante só apareceu láááááá no meio do texto, no quarto ou quinto parágrafo, enquanto nos parágrafos anteriores ele, nosso personagem misterioso, o "Ivo N. Pitangui" ainda era tratado por "um empresário". 
Sim, ali se falava de "um empresário", qualquer um. 
Não era quem era, era apenas um empresário na multidão e o acidente, bem, mais um entre tantos. E, na lide, é revelado que "o motorista" tem 70 multas de trânsito.

Percebe-se claramente que a chamada da notícia foi construida e editada de modo a mitigar as coisas. Como se sabe, A MANCHETE TEM POR TRADIÇÃO SER A PARTE NOBRE DA NOTÍCIA QUE SERVIRÁ PARA CONVENCER O LEITOR A LER AQUELA NOTÍCIA OU, QUANDO NA CAPA, A COMPRAR O JORNAL. Mas, de repente, resolveram subverter uma espécie de norma técnica do jornalismo? Parece que foi tudo feito para desestimular o leitor, para que este não desejasse ler mais uma notícia sobre mais um acidente de trânsito comum em meio a tantos outros

Por quê outra razão não disseram de forma clara que o filho do cirurgião Ivo Pitangui estava embriagado, matou um trabalhador e, a gente fica sabendo depois, tinha 240 pontos, mais de 70 multas sendo 14 por dirigir embriagado? 

Não, a gente teve que ir montando o quebra-cabeça. Não dá pra saber se desejavam poupar o motorista ou o pai. 
Pois qualquer matuto pode começar a questionar se o sobrenome famoso foi quem permitiu que o "empresário" continuasse guiando nestas condições ou se o pai famoso usou de seu prestígio, livrando sempre a cara do filho irresponsável, até ele chegar nessa assustadora quantidade de multas e pontos.


Um das ironias dessa história é que, não obstante todas essas multas e pontuações, repito, são 14 multas por dirigir bêbado, o "empresário" reincidente de histórico sinistro poderá ser indiciado apenas por homicídio "sem intenção de matar".

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