quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Fernando Henrique Cardoso tem a memória curta, por Jasson de Oliveira Andrade


Em entrevista à revista alemã “Capital”, Fernando Henrique Cardoso declarou que a presidenta Dilma é uma “pessoa honrada” (sic) e que ela não está envolvida com o esquema de corrupção. Essa declaração de FHC mereceu criticas dos tucanos. Agora, depois das manifestações de 16 de agosto, ele fez outra declaração que o redimiu no PSDB: o ex-presidente pediu que Dilma, num gesto de grandeza, renuncie. Afirmou ainda que o governo “embora legal, é ilegítimo” por ter perdido o apoio popular. FHC se esqueceu que no seu segundo governo também perdeu o apoio popular, mas não teve a grandeza de renunciar. Vamos refrescar sua memória.

FHC pediu que esquecessem o que escreveu. Hoje deveria dizer: esqueçam o meu segundo governo. É que, naquela época, ele quebrou duas vezes o Brasil. Delfim Netto indagou: “Esta é a pergunta que deve ser feita: por que tivemos que recorrer ao FMI nada menos do que três vezes nos últimos 48 meses se a nossa política é “virtuosa”? (CartaCapital, 21/8/2002). Lula pagou essa dívida ao FMI, mas FHC “esqueceu” disso!

Se hoje o desemprego preocupa, no segundo governo de FHC era muitíssimo pior. O Datafolha de 15/12/2002 constatou: “Desemprego é a marca negativa do governo Fernando Henrique Cardoso”. Já a Wikipédia, na biografia de Fernando Henrique, revelou: “A situação do desemprego agravou-se durante o segundo mandato, quando as taxas foram superiores aos 12% anuais. Em maio de 2002, o desemprego atingiu o recorde de 11.454 milhões de pessoas. Esses números deram ao Brasil a segunda colocação no ranking de desemprego em números absolutos.” A mesma enciclopédia publicou a Taxa de desemprego no Brasil: Ano 2002, 12,6 %; Julho de 2015, 7,5 %. Ou seja, depois de 13 anos o Brasil cresceu, mesmo assim o desemprego no segundo governo FHC foi bem maior do que desse atual (Dilma)! Sem comentário... A inflação: 2002: 12,5%; 2015, 9,8%. A inflação atual se deve, em grande parte, as contas de luz, que perderam o incentivo do governo.

Não se deve esquecer, como ocorre com FHC, do arrocho salarial do trabalhador e do aposentado. Nós, aposentados, não tivemos aumento nos oito anos do governo de Fernando Henrique e ainda nos chamou de “vagabundos”! Temos ainda o APAGÃO e a compra da reeleição...

Se FHC disse que a Dilma é uma pessoa honrada, com o seu governo existem dúvidas. A própria Lava Jato iniciou no governo dele, como denunciou Paulo Francis. O mais emblemático foram os diálogos dos grampos no BNDES. Com a gravação dessas conversas entre ministros de FHC, com a participação também dele, custou a demissão desses ministros. Para não me alongar, sugiro aos leitores a leitura do livro “O Príncipe da Privataria”, de Palmério Dória. A obra revela várias denúncias, que é impossível resumir neste artigo. Só posso dizer que existem várias histórias “cabeludas”...

Luís Nassif, no texto “As lições de FHC a Dilma”, ironiza: “Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugere que, por questão de patriotismo, a presidente Dilma Rousseff renuncie ou admita que errou. Não incluiu nas recomendações ajoelhar no milho, vergastar-se em público ou ir a pé até Aparecida do Norte”. Depois de analisar o governo FHC, Nassif concluiu: “Nem por isso [seu segundo mandato] julgou ser questão de patriotismo renunciar e passar o bastão a outro”. Patriotismo e grandeza para FHC, só a renúncia de Dilma, apesar de seu segundo governo ter sido pior, como mostrei neste artigo.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe