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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ciro Gomes: “governo devia abaixar as taxas de juros drasticamente”



“Ajuste está levando o país ao fundo do poço”

“População está se sentindo traída”, declarou

O ex-governador, ex-ministro e ex-candidato a presidente da República Ciro Gomes afirmou, em entrevista no último fim de semana ao colunista Fernando Rodrigues, da UOL, que a situação do país está se agravando porque a população “está se sentido traída, enganada”. “A Dilma mentiu para a população”, acrescentou Ciro. Para ele a pacote fiscal do governo, conduzido pela presidente e por seu lugar-tenente Joaquim Levy, “está construindo uma erosão fiscal sem precedentes”. Na opinião de Ciro, não só Dilma, como também o PT e Lula mentiram. “E o Lula não tem colaborado. Todas as incursões de Lula têm sido ruins”, acrescentou.

“O que deveria ser feito para se enfrentar a situação, segundo Ciro, era “apagar a luz no mercado de câmbio e deixar flutuar a cotação do dólar. O governo devia abaixar a taxa de juros drasticamente. O cenário da inflação fica imponderável, mas não é que a inflação vai necessariamente subir”.

“No ritmo que estão as coisas, as reservas do país duram só um ano e meio”, alertou o ex-governador. Na avaliação dele, “se Dilma não tomar decisões agora, fará tudo depois, de maneira selvagem”. Por quê? “Porque vai cair o ‘rating’ do Brasil. Não tem saída. Depois vai ficar muito mais difícil”, avaliou. “O rating é a nota que as agências de classificação de risco dão para países e empresas”.

Ciro destacou que a insistência da presidente em impor à sociedade medidas que visam exclusivamente atender ao sistema financeiro e que provocam arrocho, recessão e desemprego, constantes no seu “pacote de ajuste”, “está levando o Brasil ao fundo do poço”. “E isso faz com que ela perca completamente a capacidade de iniciativa”, salientou.

Em maio, Ciro já havia considerado que “este ajuste não vai funcionar e vai produzir um quadro de estagflação”.

“Você não pode fazer conta de padeiro, com todo respeito aos padeiros, que me parecem ser muito mais inteligentes do que as autoridades econômicas brasileiras”.
Depois de dizer que “há um momento de estupidez na política e no País”, Ciro analisou a política monetária – ou seja, o suposto combate a inflação do governo: “Não há taxa de juros que iniba isso, porque isso não tem a ver com demanda, tem a ver com custos”.

E enfatizou um problema lema que, embora seja evidente, é absurdo: a total falta de estratégia do governo, uma consequência da inexistência de uma política econômica nacional: “Qualquer bodega no Ceará tem projeto, mas o Brasil não”.

A opinião de Ciro sobre o isolamento de Dilma é confirmada pelo recente programa de TV do PT. O episódio mostrou que a população não quer nem ouvir mais a voz de Dilma. O “panelaço” se espraiou, praticamente, por todas as cidades do país. [ nota deste blog: DISCORDAMOS ]

Para Ciro, “uma solução possível seria usar a ‘virtude’ do fundo do poço”. Ou seja, “como tudo está muito ruim nas frentes política e econômica, restaria a Dilma reconciliar-se com quem a elegeu”.

“Ela devia, por exemplo, adotar uma política para impedir a desindustrialização do país”, afirmou. O problema, como ele nota, é que a política do governo é a oposta. A situação é tão grave que os empresários do setor da indústria de máquinas e equipamentos, entre outros, estão juntos com as centrais de trabalhadores, convocando manifestações de rua em defesa da indústria ameaçada e dos empregos que estão se esvaindo ( veja aqui ).

Ciro, que no momento é diretor da CSN responsável pela Ferrovia Transnordestina, aponta ainda outra dificuldade no governo Dilma: “a qualidade da equipe da presidente”.

“Por exemplo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é uma boa pessoa para ser tesoureiro”, disse.

A proximidade entre as palavras “tesoura” e “tesoureiro” não é um acaso. Realmente, Levy é um chicago-boy, cuja política econômica se resume a cortar investimentos e gastos públicos e drenar dinheiro para os rentistas, além, evidentemente, se dependesse dele, privatizaria até a Casa da Moeda.

Como ministro, é um desastre até do ponto de vista neoliberal, pois se há algo que os neoliberais não gostam é de uma revolta popular contra eles ( até porque a favor é difícil ).

Mas, certamente, ninguém elegeu Levy – e é pouco provável que isso aconteça algum dia. O problema é Dilma, apesar de eleita com os votos de Lula. Em pronunciamento na segunda (10) no Maranhão, ela disse que é inadmissível que medidas que beneficiem o povo e aqueçam a economia sejam aprovadas pelo Congresso Nacional: “Aprovar essas medidas seria uma irresponsabilidade e provocaria desestabilização econômica e fiscal”, afirmou Dilma.

Sobre a política, Ciro Gomes responde que “não tenho obsessão de ser candidato”. Mas, ele e o irmão, Cid Gomes, estão discutindo que rumo partidário tomarão. Para isso, haverá uma grande reunião do grupo político que lideram no próximo dia 17 de agosto, em Fortaleza (CE).
Ciro não esconde as suas reservas quanto a vários aspectos do atual Governo. De há muito, ele é um dos mais críticos da aliança do PT com o PMDB, e da disputa polarizada entre PT e PSDB. Ciro admite, pelos espaços vazios e as denúncias de corrupção contra uma infinidade de políticos, ser este o momento mais propício para uma nova alternativa política para o país.


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