quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Apagão hídrico: Obra emergencial de Alckmin destrói ribeirão, mananciais e a vida em volta



Obra emergencial do Estado aterra o ribeirão da Estiva

Manancial abastece 38,1 mil moradores de Rio Grande; estratégia de Alckmin pode secar represas

Depois de aterrar 50 metros de um braço da represa Billings, as obras emergenciais da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) voltadas a tentar combater a crise hídrica aterraram 50 metros do ribeirão da Estiva, na rua Alemanha, Bairro Pouso Alegre, em Rio Grande da Serra. O manancial produz 100 litros de água por segundo e responde pelo abastecimento dos 38,1 mil habitantes de Rio Grande.

“Os impactos são muitos. Além do próprio abastecimento que pode ficar prejudicado, ali é o local das capivaras e de desovas de anfíbios. Os peixes vão desaparecer, assim como o xaxim, uma espécie da Mata Atlântica que está em extinção e tem por ali”, destacou José Soares da Silva, ambientalista e membro do MDV do ABC (Movimento de Defesa da Vida).

EXTINÇÃO
O xaxim, um tipo de samambaia, está na lista de extinção do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e, desde 2001, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) proibiu a extração e exploração da planta que até então era muito usada em projetos paisagísticos e para fabricação de vasos.

A expectativa de Soares é que o aterro seja ampliado. “Me informaram que o aterro é para assentar as tubulações e que deve se estender até o Sítio Maria Joana, que fica a dois quilômetros daqui”, ressaltou o ambientalista, que acompanha a instalação dos 11 km de tubulações para transposição das águas do sistema Rio Grande, na represa Billings, para a represa Taiaçupeba, que integra o sistema Alto Tietê. Procurada, a Sabesp não respondeu a reportagem até o fechamento desta edição.

Esta é a segunda vez que o ribeirão da Estiva sofre degradação ambiental. Entre 2010 e 2011, passaram pelo mesmo local as obras de instalação dos gasodutos da Petrobras, a Gasan 2. Na época, no entanto, as intervenções tinham EIA/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental), enquanto que a Sabesp, agora, apresentou apenas o EAS (Estudo Ambiental Simplificado). Uma ação civil pública movida pelo Ministério Público busca apurar tais irregularidades.

BILLINGS
Além do aterro no ribeirão da Estiva, a Sabesp também aterrou 50 metros para dentro do braço Rio Grande, na represa Billings, no Bairro Rebizzi, também em Rio Grande da Serra. Assim como no ribeirão da Estiva, a justificativa do aterro na Billings é para que a Sabesp acomode as tubulações e bombas da estação elevatória que transportará 4 mil litros de água por segundo do sistema Rio Grande para o Alto Tietê.

Sem rodízio ou chuva, Alckmin secará mananciais
A decisão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de interligar os sistemas de abastecimentos sem decretar oficialmente rodízio e de retirar mais água do que os reservatórios produzem levará à seca de todos dos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo, inclusive do braço Rio Grande, na Billings. A avaliação é de especialistas ouvidos pelo ABCD MAIOR.

Conforme o presidente da Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo), Renê Vicente dos Santos, dados da Sabesp revelam que na Região Metropolitana entram nos reservatórios 26m³ de água por segundo, mas a Sabesp precisa tratar 54m³/s para abastecer 22 milhões de habitantes. “Faz tempo que a conta não fecha. Primeiro foi o Cantareira, agora é o Alto Tietê. O próximo a secar pode ser o Rio Grande”, alertou.

Para Hamilton Rocha, membro do comitê Luta pela Água, Alckmin seguirá com a estratégia de usar os mananciais ao máximo, combinado com manobras de sistemas, até que volte a chover. “A água dos reservatórios diminui a cada dia, mas o rodízio camuflado não permite que a população perceba a real situação, uma vez que a água vai e volta em suas casas”, observou.


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