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sexta-feira, 3 de julho de 2015

O México e o Batalhão de São Patrício


Uma história interessante, que só descobri ao ler uma história ( "Heróis" ) do glorioso cartunista da Mad, Sérgio Aragonés ( tirinhas marginais da revista, Groo ), publicada na extinta Wizmania, edição 02, de 2008. Pena que não disponho de scanner, ia adorar reproduzi-la aqui.


Ao ajudar sua filha a fazer um trabalho escolar o papai Aragonés descobriu que, no livro da filha, se informava que "Durante a guerra México-Americana, um batalhão chamado 'São Patrício' composto de desertores irlandeses BÊBADOS SUBORNADOS por Santa Ana ( general ), lutou pelo México. Eles se renderam e foram sumariamente EXECUTADOS". E conclui ele que a história é escrita pelos vitoriosos: "Eu não acreditei! Nossos heróis - temos dois feriados em homenagem a eles no México, monumentos, cerimônias! - só tinham UM PARÁGRAFO no livro de história americana!". Ele contou que, na escola, no México, no final do ano letivo, os alunos encenavam momentos históricos importantes. Segundo ele, o mais popular "era sobre os seis niños heroes que deram suas vidas para defender o castelo Chapultepec contra as forças invasoras dos Estados Unidos" e que "outra encenação popular é sobre o BATALLÓN DE SÃO PATRÍCIO, que era um adorado [ grifo meu ] batalhão de irlandeses que também deram suas vidas pelo México na mesma guerra, em 1848"

Nos quadrinhos anteriores a esse parágrafo que escrevi acima ( o do trabalho escolar ), Aragonés contara como se deu a formação do Batalhão de São Patrício de acordo com a historiografia mexicana: os irlandeses pobres chegavam aos EUA e eram recrutados pelo exército. Como eram em sua maioria CATÓLICOS, tais soldados eram discriminados e castigados pelos oficiais americanos protestantes.

Muitos desertaram e foram pro lado mexicano, depois de terem percebido que lutavam contra católicos como eles ( os mexicanos ) e que não era uma guerra pela liberdade, mas de CONQUISTA ( no fim da guerra, o México perdeu quase a metade de seu território ). Aos irlandeses desertores que se juntassem ao exército mexicano, o general Santa Ana oferecia 300 acres de terra e cidadania mexicana. 
O líder deles, John Riley, "estava irritado com o comportamento horrível dos Texas Rangers: assassinatos, estupros e profanação de igrejas católicas" ( manja o Iraque? Então... troca Texas Rangers e bota Blackwater, marines, Seals ). Esse personagem foi interpretado no cinema por Tom Berenger em "A coragem de um homem", informou Aragonés..

O Batalhão de São Patrício ( heróis, cerimônias, estátuas, homenagens, feriados ) combateu, o México perdeu a guerra, os irlandeses que restaram vivos foram enforcados pelos EUA ( diante da bandeira americana ) em Chapultepec e seu líder, John Riley, foi "açoitado e marcado a ferro no rosto, por ordem do general Winfield Scott".
E o expansionismo do Tio Sam não parou por aí.

Eu realmente podia ter buscado mais informações na Internet, no Wikipédia, por exemplo, mas prefiro acreditar nas informações passadas por esta história em quadrinhos do Aragonés.

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