quinta-feira, 23 de julho de 2015

O avô (Tancredo) e o neto (Aécio), por Jasson de Oliveira Andrade





O jornalista e escritor José Augusto Ribeiro escreveu uma biografia de Tancredo Neves, livro publicado em 2015. Nessa obra de 865 páginas, o autor relembra muitos fatos da carreira do avô de Aécio. Um deles sobre Getúlio Vargas, presidente eleito em 1950. Ele era muito criticado pela imprensa da época, principalmente pelo jornal “Tribuna da Imprensa”, de Carlos Lacerda (UDN). Os jornais e revista ( O Cruzeiro, com David Nasser, incentivado por Assis Chateaubriand, Chatô, dono dos Diários Associados, que incluía a revista ), malhavam Vargas. Em vista disto, Getúlio incentivou a criação de um jornal que o defendesse, criando o ULTIMA HORA. Aí foi pior. A mídia, que já o criticava, agora se tornou massacrante contra o seu governo. Criou-se então uma CPI ( Comissão Parlamentar de Inquérito ), que seria o início do fim de Vargas, concretizado com o seu suicídio em 24 de agosto de 1954.

Na página 93 de sua biografia, José Augusto Ribeiro revelou: “A CPI do Ultima Hora coincidiu com o início de uma primeira tentativa de impeachment de Getúlio [ requerida pela UDN ]. Não houve apenas um pedido de impeachment de Getúlio, mas dois, AMBOS ENFRENTADOS E DERROTADOS POR TANCREDO ( destaque meu ). O primeiro em junho de 1953, coincidente com a instalação da CPI. O segundo, já em 1954”. Deve-se lembrar que Tancredo era ministro da Justiça de Getúlio Vagas. O escritor, adiante, concluiu: “A derrota inevitável [ do impeachment ] demonstraria que a destituição de Getúlio não seria possível por meio constitucionais e só um golpe de Estado garantiria a derrota de seu governo. (...) O mesmo raciocínio explicitado no segundo pedido de impeachment, estava implícito no primeiro pedido, o de 1953: a derrota fortaleceria a opção pelo golpe”.

Uma incrível coincidência merece destaque. Na página 116, Ribeiro relata que o então deputado Aliomar Baleeiro (UDN), autor do pedido de impeachment de Getúlio em 1954, disse que se o pedido não fosse aceito restava para Vargas, entre outras situações, a renúncia ( O que o deputado udenista não sabia: ele renunciou à própria vida no mesmo ano! ). Agora, o jurista tucano ( Foi ministro da Justiça de FHC ), Miguel Reale Júnior, em artigo ao Estadão (4/7), sob o título “Mulher sapiens”, escreveu: “O exasperante quadro atual do nosso país leva a um clamor: Dilma, renuncie”. Já na Folha de 10/7, o jornalista direitista Reinaldo Azevedo, completou: “Renuncie, Mulher sapiens sapiens”. Ontem como hoje a palavra de ordem é a mesma: renúncia!

Em 2015, tenta-se derrubar Dilma. Ou com o impeachment ou por outros meios legais. A presidente, em entrevista à Folha, afirmou que não será tirada do cargo. Nem iria se suicidar. Nesta declaração, ela se lembrou de Getúlio. Aécio, neto de Tancredo, que evitou, por duas vezes, o impeachment de Vargas, está em dúvida se pede ou não essa medida extrema. Talvez pensando que também seria derrotado, embora no governo de Dilma não exista um Tancredo Neves. E na imprensa, maioria anti-governo petista ( Estadão, Veja e outros ), não temos a impetuosidade e o talento de um Carlos Lacerda...

Será que a História se repetirá? Ou teremos um novo Tancredo para impedir que o neto consiga derrubar a Dilma? Será que ao romper com o Planalto, após ser acusado de cobrar propina, Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, facilitará o Impeachment? A conferir!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 23/7/2015
.

.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe