quarta-feira, 22 de julho de 2015

"A Indústria da Multa não existe" em: Cartinha ao Handrade





"Querido Handrade,

Você não cansa de se dar mal, não?
Agora é esse papo da velocidade na Marginal.
 
Não que eu seja contra. Já te falei da minha idéia de refilmar o filme do Chaplin "Tempos Modernos", sendo que em vez do Carlitos ficar todo aceleradão por causa da velocidade da linha de montagem, ele ficaria aceleradão internamente por causa dos automóveis?
 
Seria a seguinte mensagem: quando os ricos começaram a circular com seus carros a vinte por hora, no década de 20 ( acho que foi isso ), foi o embrião de toda a ansiedade que sentimos hoje, e as cidades se fundariam sobre as velocidades cada vez maiores, IMPOSTAS pelos carros. Todos andamos rápido, e nosso organismo idem. O ciclista anda rápido. O PEDESTRE ( a grande vítima ) anda rápido. Você já tentou atravessar a Avenida Anhaia Mello - na Vila Prudente - sem ser correndo? Se não atravessar correndo, na esquina com a Ibitirama, você perderá no mínimo uns 8 minutos. Mas esse é apenas um caso. E o caso aqui não é de transporte, mas de saude mental. Ou seja, sou altamente favorável à redução das velocidades. 
 
Mas deixa pra lá. Minha conversa aqui é outra.
 
Você já pensou com carinho naquela minha proposta ( que já fiz ao Kassab tantas vezes ) de quadruplicar o número INSIGNIFICANTE de amarelinhos da CET? Esses 2500 fiscais, ou até menos, é a mesma quantidade de 2007, 2008. Eu não esqueço disso, dessa dimensão reduzida.
Sabe o que é? É que não somos afetados apenas pela poluição dos carros, pela velocidade que nos foi imposta a ponto de termos uma espécie de velocímetro interno, andemos ou não de carro, ou pelo risco de atropelamento. Eles também nos obrigam a sair da calçada por estacionarem nelas e nada de haver fiscalização sobre isso.
Você talvez ache que reduzir a velocidade na Marginal reduzirá também acidentes. Concordo, a margem para manobras pelos motoristas aumenta. Mas e os motoristas que falam ao celular? Só amarelinho da CET tem a condição de apanhar esses vermes no flagrante. Só gente de carne-e-osso.
 
Já estou terminando, peraí.
 
Você acha que a OAB, ou o MPE entrariam na Justiça contra a contratação NECESSÁRIA de amarelinhos? Eu acredito que não, mas talvez se fosse feito de forma gradual haveria menos chiadeira. Veja só: o número é defasado e isso é um fato! Essa gente é realmente necessária. E sabe o melhor? As pessoas realmente continuariam reclamando, como sempre fazem quando se mexe com o Deus Carro. Mas elas farão isso de todo modo. Pessoalmente, eu prefiro menos radares e mais fiscais, pois estes ENTRAM NOS BAIRROS. Eu mesmo acho que poucas vezes estive na Marginal. Mas onde moro, vixe, isso aqui é um convite ao crime de trânsito, sempre cometido pelos melhores cidadãos de bem que pode-se imaginar. Adoraria vê-los se ferrando com a multinha por estacionar na calçada. 
Eu sempre tento, devo ter MILHARES DE TELEFONEMAS à CET. Se eu tivesse anotado cada um deles, cada protocolo iniciado pela letra "C" talvez eu seria alguém a ser entrevistado pelo "Você é curioso" ou entraria no Guiness. Embora o grau de sucessos obtidos venha sendo vergonhosamente ridículo. Talvez eu tenha obtido 2 ou 3% de êxito. Ou seja, se fiz 10000 chamadas aos longo de uns 15 anos, consegui umas 30 multas no máximo. 
Hoje mesmo eu acabei de chamar a CET, por causa de um carro que estaciona todo dia na mesma calçada, numa via de alta visibilidade. Ou seja, mesmo eu chamando, o cara faz todo dia tudo sempre igual e sempre se sai bem. Acabei de ligar novamente no 1188 para fazer a "reiteração", pois a primeira chamada que fiz já tem uma hora e ninguém foi lá ainda. E talvez nem vá. Já estou acostumado. É A REGRA EM SÃO PAULO. 
 
Mas eu sou teimoso. Só que, se você desse uma forcinha, seria bem melhor.
E tenho certeza de que você não estaria passando esse carão aí, mó vergonha alheia, mano. Mudanças na velocidade podem até ser discutíveis, mas carro estacionado na calçada é batom na cueca. O verme tem que ser malditamente mau caráter por reclamar por tomar uma multa por ter estacionado na calçada. Apesar que em Sampa as coisas são assim mesmo, as pessoas são assim mesmo, em sua ampla maioria. As raras exceções concordarão comigo.
 
Pense na minha proposta: QUA-DRU-PLI-CAR. E botar na rua. Trabalho é o que não falta. A Indústria da Multa não existe. 
E não passaria a existir nem a partir do momento em que colocássemos nosso exército de amarelinhos nas ruas. Pois em vez de "Indústria da Multa", o que temos é uma indústria de infrações. Pior: "Indústria de infrações não punidas". Povo já se acostumou com esse fato.
 
Continua em dúvida? Prestigie este blog e leia todos nossos posts sobre a "Indústria da Multa". Elas podem ser encontradas com tags ( marcadores ) como "A Indústria da Multa não Existe", "Meu Carro, Minha Vida" e "Você com um automóvel na mão é um bicho feroz", entre outras. Como fiz com este post, por exemplo.
 
Abraxx aí"
 
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