sexta-feira, 31 de julho de 2015

O ataque ao Instituto Lula: o ódio das bombas foi precedido pelo ódio das palavras em revistas e blogs de dementes



por Rodrigo Vianna

Na história da humanidade foi sempre assim: o ódio das bombas é precedido pelo ódio das palavras.

O Instituto Lula, em São Paulo, acaba de ser atacado por uma bomba caseira, lançada durante a noite. Percebam a gravidade da situação. Imaginem um Instituto Clinton, ou Instituto Chirac, ou ainda o Instituto FHC atacado de forma violenta. Um escândalo. Um ataque à democracia.

No entanto, é preciso colocar o guizo no gato: a bomba demente foi precedida pelo ódio disseminado há anos e anos, por blogueiros, colunistas e revistas que se transformaram em panfletos do ódio e da mentira.

A polícia precisa dizer quem lançou a bomba no prédio, no bairro do Ipiranga. Não sabemos a identidade do criminoso. Mas sabemos bem quem disseminou o ódio que produziu o demente do Ipiranga. São as pessoas sentadas atrás dos teclados, em redações, bem pagas para propagar um clima de confronto e de extermínio de toda uma comunidade política.

Você não precisa gostar do Lula e do PT para entender que algo está errado. Estamos em meio a uma escalada autoritária. Que pode virar, sim, um surto fascista.

O demente que lançou a bomba contra o Instituto Lula foi precedido por colunistas, blogueiros e pelo bando de dementes que – nas redes e nas ruas – espalham o ódio, tratam os adversários como “facção criminosa” e alinham-se com o que o mundo produziu de pior no século XX: o fascismo.

Nas manifestações de março de 2015, alguns jovens kataguris chegaram a pedir abertamente que o PT seja cassado, proscrito, proibido. Claro, a lógica é essa: se do outro lado estamos lidando com “uma quadrilha” ( como dizem parlamentares tucanos, como o tresloucado Carlos Sampaio ), não é mais preciso disputar politicamente. A lógica é destruir o adversário, apagá-lo, exterminá-lo.

O ataque ao Instituto Lula é terrível. Mas deve servir para trazer os tucanos e conservadores mais lúcidos á razão. É preciso frear essa escalada que os serras ajudaram a criar, insuflando blogueiros e jornalistas de longa carreira a disseminar o ódio nas redes sociais.

Pronto, chegamos até aqui. O ódio deu as caras definitivamente.

É preciso dizer: os democratas, a turma da esquerda, dos sindicatos, universidades e organizações populares não vai assistir a isso impassível. Se insistirem na tática do ódio, vai sobrar pra todo mundo.

É preciso isolar a direita fanática, é preciso trazer os centristas para o combate em defesa da democracia.

Colunistas e blogueiros dementes, ligados à revista da marginal ( Veja ) e a organizações de comunicação que floresceram na ditadura ( Globo ), produziram gente suficientemente demente para lançar bombas de madrugada.

Chegamos até aqui. Agora está na hora de traçar uma linha no chão.

Quem está do lado de cá vai se defender. Prioritariamente, com palavras, com argumentos e política. Mas, se preciso, também com atos e capacidade de luta.

Não brinquem com a democracia no Brasil!


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Haddad, as notícias e o peso emocional



HADDAD REDUZ VELOCIDADE NAS MARGINAIS
Peso emocional nas pessoas: "Esse maldito filhadaputa do Handrade entrou na minha casa, estuprou todas as mulheres que estavam ali, depois degolou-as, matou o cachorro e o gato e pendurou-os na porta da frente, roubou meu dinheiro, meu carro e todos os meus pertences e ainda pixou na parede da sala 'HA HA HA'. Eu PRECISO matar ele"

GOVERNO ALCKMIN ATRASARÁ LINHA 4 MAIS UM ANO
Peso emocional nas pessoas: "Descobriram areia em Plutão? Que grande merda"

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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Operação Lava Jato: Adir Assad, o doleiro das obras tucanas de SP, Carlinhos Cachoeira e a Marginal Tietê



As investigações sobre o empresário abrem novas perspectivas

De origem libanesa, 62 anos, ele se identifica como um atleta de alta performance. Chegava a correr 17 quilômetros por dia e disputou a maratona de Nova York. Diz ter optado por uma vida saudável, motivo que o levou a se afastar dos negócios. Empresário do ramo de eventos há três décadas, trouxe ao Brasil estrelas da música, como a banda U2, a cantora Amy Winehouse e a diva pop Beyoncé. Fachada? Sim, segundo a Polícia Federal. Preso desde março por suposto envolvimento nos desvios da Petrobras, o doleiro Adir Assad é notório frequentador das páginas policiais.

Há quatro meses a força-tarefa da Lava Jato tenta arrancar informações de Assad, detido na décima fase da operação. Até agora ele mantém o silêncio e nega participação no esquema. Ao juiz Sergio Moro declarou-se um “estranho no ninho” na penitenciária paranaense que também abriga o ex-tesoureiro do PT João Vaccari e o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque.

Os investigadores o acusam de receber 40 milhões de reais como pagamento pela lavagem de dinheiro da Construtora Toyo Setal. Segundo a PF, o dinheiro seguiu para contas indicadas pelo operador Mário Góes ou foi encaminhado diretamente a Duque e a Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras também encarcerado. Os dois funcionários da estatal representariam os interesses do PT no esquema.

Não só. A prisão de Assad revigora outro escândalo já esquecido: o esquema da Construtora Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira. O doleiro aparece principalmente nas histórias de desvios de obras no estado São Paulo, governado há mais de duas décadas pelo PSDB. Um novo documento nas mãos de procuradores e policiais federais tem o poder de revelar detalhes de um escândalo de proporções ainda desconhecidas no ninho tucano. Os promotores de São Paulo sabem da existência das operações e pretendem abrir inquéritos para apurar as operações financeiras.

O documento é um relatório de análise do Ministério Público Federal que enumera uma série de tabelas de pagamentos a cinco companhias. Segundo a PF, trata-se de empresas de fachada criadas para lavar o pagamento de propinas intermediadas por Assad. Entre elas aparece a Legend Engenheiros, responsável por movimentar 631 milhões de reais sem nunca ter tido um único funcionário, conforme a Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho.

A contabilidade da empresa exibe polpudos pagamentos de consórcios e empresas que realizaram obras bilionárias no governo de São Paulo durante os últimos 20 anos. O primeiro pagamento que salta aos olhos é um depósito de 37 milhões de reais ao Consórcio Nova Tietê. Liderado pela Construtora Delta, o consórcio levou as principais obras de alargamento das pistas da principal via da capital paulista em 2009, durante o governo de José Serra. O valor inicial do contrato previa gastos de 1 bilhão de reais, mas subiu para 1,75 bilhão, ou seja, acréscimo de 75%. Um inquérito sobre a inflação de custos chegou a ser aberto pelo Ministério Público de São Paulo. Acabou, como de costume em casos que envolvem tucanos, arquivado.

A obra foi acompanhada na época pela Dersa, empresa de economia mista na qual o principal acionista é o estado de São Paulo. Na assinatura do contrato entre o governo e o consórcio, o nome do representante da empresa estatal que aparece é o de um velho conhecido: Paulo Vieira de Souza, o famoso Paulo Preto, cuja trajetória e estripulias foram bastante comentadas durante a campanha presidencial de 2010. Acusado de falcatruas, Preto fez uma acusação velada a Serra e ao PSDB à época. “Não se abandona um líder ferido na estrada”, afirmou.

Outro consórcio que participou das obras da ampliação das marginais, o Consórcio Desenvolvimento Viário, também contribui com as contas de Assad. Liderado pela Construtora Egesa, foram 16,1 milhões nas contas da S.M. Terraplenagem Ltda. A Egesa, em consórcio com a EIT, foi responsável por um total de 18,32 quilômetros, considerando os dois sentidos da via, entre o Viaduto da CPTM e a Ponte das Bandeiras.

Durante a Operação Castelo de Areia, que investigou a suspeita de pagamento de propina a agentes públicos pela Camargo Corrêa, o nome de Paulo Preto aparece em uma anotação. Precede um valor: 416 mil reais. O ex-funcionário da Dersa nunca foi indiciado pela Polícia Federal. A Castelo de Areia acabou enterrada por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça. Assad aparece ainda em outra operação federal, a Saqueador, paralisada desde 2013.

Talvez a “sorte” de Assad mude. Na página 41 do relatório do Ministério Público Federal deste ano, aparece outro pagamento, de 2,6 milhões de reais, da Concessionária do Sistema Anhanguera Bandeirantes à Rock Star Marketing, também de propriedade do doleiro. O sistema rodoviário interliga a capital paulista ao interior do estado e foi licitado em 1997. O vencedor foi o CCR, que tem entre seus acionistas a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez. Esta, aponta o relatório, repassou à Legend 125 milhões de reais. O sistema possui oito praças de pedágio e, de acordo com o relatório aos investidores, só no ano passado gerou lucro líquido de 669 milhões. Detectou-se ainda um depósito de 624 mil reais na conta da Rock Star por uma empresa pertencente à CCR responsável pela exploração do sistema Castelo-Raposo, que liga a capital ao Oeste Paulista.

O Rodoanel também não deve escapar da mira dos procuradores. Orçada em 3,6 bilhões de reais, a obra foi dividida em cinco trechos. Vencedora de um dos lotes, a empresa Rodoanel Sul 5 Engenharia depositou 4,6 milhões na conta da Legend. Por receber repasses da União, o Rodoanel passou por uma auditoria do Tribunal de Contas da União. De acordo com um relatório do TCU, o consórcio formado pela empreiteira OAS e Mendes Júnior, também envolvidas no escândalo da Petrobras, incorporou irregularmente uma terceira empresa para a execução, uma violação das regras da licitação. Coincidência ou não, a OAS alimentou as contas de Assad. Um depósito de cerca de 2 milhões de reais foi identificado na quebra de sigilo. Outra concessionária responsável por erguer outro trecho do Rodoanel, a SP Mar, repassou 4,2 milhões à empresa de Assad. A SP Mar pertence ao Grupo Bertin e cuidou da interligação do trecho sul à Rodovia Presidente Dutra, em Arujá.

A lista é extensa. Das supostas cinco empresas de fachada foram encontradas movimentações de 1,2 bilhão em operações financeiras com cerca de cem consórcios e companhias, além de indivíduos. Sergio Moro tentou recuperar parte do dinheiro movimentado por Assad. Determinou o bloqueio de 40 milhões de reais. Mas para surpresa, ou não, as contas estavam zeradas.

Os depósitos servirão para novas linhas de investigação pela Promotoria de São Paulo, que também quer entender as planilhas de pagamento do doleiro Alberto Yousseff. Reportagem exclusiva de CartaCapital mostrou que o operador mantinha uma lista de 750 obras, entre elas construções da Sabesp, do Monotrilho e do Rodoanel.

Com uma prisão preventiva nas costas e, sem prazo para se esgotar, os investigadores ainda não conseguiram convencer o doleiro a optar pela delação premiada. O Ministério Público de São Paulo diz pretender ouvir Assad, em busca da origem e do destino dos repasses. Uma eventual colaboração do “empresário do show business” poderia ampliar o escopo das investigações da Lava Jato. Neste caso, a força-tarefa será obrigada a remar contra a maré. Quando não se trata de petistas e seus aliados, os investigadores já devem ter percebido, o ímpeto da mídia e o apoio da chamada “opinião pública” costumam minguar.


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Requião: "Projeto de Serra para pré-sal é perda total! Querem fazer na Petrobras o que fizeram na Sabesp!"


ATAQUE À SOBERANIA

Requião: ‘Projeto de Serra para pré-sal é perda total. Querem acabar com a Petrobras’

Senador do PMDB ataca projeto de tucano, que pretende retirar da Petrobras a participação exclusiva no pré-sal, e critica governo Dilma por ceder a pressões do mercado

São Paulo – Crítico ácido do governo da presidenta Dilma Rousseff e, ao mesmo tempo, da oposição, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) tem se destacado como um dos parlamentares que mais tem contribuído para combater o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131/2015, de José Serra (PSDB-SP). O tucano pretende mudar a Lei de Partilha do Pré-sal, aprovada em 2010, para acabar com o papel da Petrobras como operadora exclusiva do pré-sal, e sua participação mínima, de 30%, nos leilões de exploração de petróleo, o que em última instância tem sido percebido pelas centrais sindicais como um ataque destruidor à soberania do país.

“Estão fazendo com a Petrobras o que fizeram com a Sabesp em São Paulo e a Sanepar em Curitiba. Isso significa que estão diminuindo os investimentos em extração e em projetos de médio e longo prazos, mudando o cronograma de investimentos da empresa, e aumentando os preços para aumentar o lucro dos acionistas. A Petrobras está engasgada pelo tipo de administração que tem e pela orientação da Fazenda”, afirma Requião.

Irônico em sua abordagem da realidade, o que reflete sua indignação com os ditames neoliberalistas na política e economia, o senador é do tipo de político que não tem papas na língua e gosta de uma polêmica. Nesta entrevista, ao comentar os episódios recentes da Operação Lava Jato, que investiga a tomada da Petrobras por meio de propinas a empresas prestadoras de serviço, ele ironiza as tarjas pretas que protegeram nomes da oposição nos vazamentos seletivos e a ilação que tenta associar a palavra 'vaca' a João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT preso pela operação. “Agora, se um daqueles nomes traduzidos por letra era uma vaca, seguramente o JS era o bezerro. Não é José Serra, é o filho da vaca”, afirma provocando risos.

Requião considera que reforma política que não elimina financiamento empresarial e coligações é "tapeação", porque o dinheiro de empresas "manda no Congresso" transforma partidos em bancadas financiadas. Sobre o comportamento da imprensa, defende a legalização do direito de resposta. "Se o Jornal Nacional chamar o José das Couves de ladrão, estelionatário, desonesto, improbo e tiver de desmentir no dia seguinte, no mesmo espaço, ele perde a credibilidade e importância. O direito ao contraditório é fundamental e ele não existe na mídia brasileira."

Há um debate acalorado, polêmico, por conta do projeto de lei do Senador José Serra. O que é importante para a população entender sobre o projeto, para que se possa fazer a defesa da Petrobras?

O Wikileaks dizia que o Serra (senador José Serra) tinha um compromisso de acabar com o pré-sal e entregá-lo sob o regime de concessão a empresas estrangeiras, notadamente a Chevron. O Serra negou isso durante meu discurso no plenário, mas não é o que demonstra o projeto que ele fez. O projeto mantém a legislação de partilha, mas entrega o comando do processo todo, que é o controle dos custos, o fornecimento de máquinas e insumos fora do Brasil, o controle da vazão. Ou seja, eles tiram o que quiserem e quando quiserem, e vão tentar tirar a quantidade máxima de petróleo de custo baixo, e entregam isso às concessionárias com o pretexto que a Petrobras não tem condição de explorar o pré-sal.

Isso é uma falácia mas, na verdade, o Serra não deixa de ter razão, porque o ministro Joaquim Levy (da Fazenda) proibiu o BNDES de fazer empréstimo à Petrobras, e a presidenta Dilma nomeou uma diretoria de mercado no comando da empresa, um conselho de administração de mercado. Então, estão fazendo com a Petrobras o que fizeram com a Sabesp em São Paulo e a Sanepar em Curitiba. Isso significa que estão diminuindo os investimentos em extração e em projetos de médio e longo prazos, mudando o cronograma de investimentos da empresa, e aumentando os preços para aumentar o lucro dos acionistas. A Petrobras está engasgada pelo tipo de administração que tem e pela orientação da Fazenda.

"Você acha que o Serra facilitaria para o governo da Dilma, para que ela venda alguns poços de Libra e do pré-sal para fechar seu superávit primário? Isso é descartado por qualquer raciocínio inteligente"

O sr. considera isso um choque de neoliberalismo?

Não é só um choque. É o neoliberalismo funcionando sem limites na condução da economia brasileira, e de uma forma absolutamente errada. Não estou comparando o Brasil com a Grécia, os gregos produzem azeite e turismo, mas é o mesmo projeto que levou a Grécia à falência de hoje. Quando isso começou na Grécia, em 2010, a dívida era de 104% do PIB, e hoje, cinco anos depois, com desnacionalizações, arrocho salarial, diminuição de direitos trabalhistas e privatizações, o déficit da Grécia é de 180% do PIB. Ela está sendo submetida de uma forma vil aos interesses da banca do mercado que comanda a política europeia.

Por que acontece isso?

A Dilma cedeu à pressão do mercado, cedeu às exigências do capital. Colocou o Levy para fazer esse tipo de política que ela diz concordar, mas só uma ressalva, ela, ainda por não ser uma liberal puro sangue, está mantendo as politicas compensatórias, as bolsas (programas sociais, como o Bolsa Família).

Mas eu vejo que essa política fracassou de forma completa. O governo não reduziu o déficit, ele reconheceu que essa política de arrocho e recessão havia diminuído a receita fiscal e que era impossível cumprir a meta. Eles simplesmente disseram oficialmente que não vão cumprir a meta.

Ontem (28) tivemos em São Paulo e Brasília manifestações contra a reunião do Copom...

Tem um artigo do Serra na Folha que é um 'encanto'. Ele considera o Copom uma reunião de vestares, que provavelmente estão em um templo de adoração à deusa Vesta, completamente isolados do mundo e agindo tecnicamente. Ele faz um protesto porque um membro do Copom adiantou à Folha a sua opinião, que deveria aumentar os juros, o que é uma estupidez. O Serra diz que não foi para isso que ele e o FHC criaram o Copom, porque o comitê não pode discutir nada por antecipação. O comitê se reúne diante das explicações colocadas pelo Banco Central, ele toma uma posição que é imediatamente anunciada pela Secom (Secretaria de Comunicação do governo), ou seja, ele estabelece o predomínio celestial dos técnicos em finanças sobre os interesses da democracia e da população. É a política que vige hoje no mundo hoje, de reação ao estado social, do trabalho e dos executivos e da prevalência da suposta capacidade técnica dos gestores do mercado. É a submissão do país aos interesses do capital financeiro.

Existe alguma projeção, algum numero que dá uma dimensão do prejuízo que viria com o projeto do Serra sobre o pré-sal?

Perda total. Perderíamos o controle do preço, o controle da vazão, que influencia no preço, e eles teriam o controle dos custos, comprando insumos fora do Brasil, faturando como quisessem, como faz toda multinacional.

O projeto educacional com verbas do pré-sal estaria acabado?

Dança! Porque aumentam os custos, eles vão aumentar o custo de produção, vai diminuir isso tudo, será reduzir a uma expressão muito simples, ditada pelo interesse do capital investidor.

Por que o governo Dilma, que é um governo popular, estaria cedendo à pressão?

Cedeu porque cedeu, cedeu à pressão do capital e dos bancos.

O resultado das eleições no ano passado, que mostrou o país divido, não contribui?

O que diferencia a política da Dilma da política do Aécio é que ela ainda mantém a política social.

Qual seria o caminho para recuperar a Petrobras?

O primeiro caminho é demitir essa direção e colocar uma direção que tenha uma visão nacional, e não uma visão imediatista do mercado financeiro, a mesma que quebrou os Estado Unidos em 2008. Essa visão é a que esquece o planejamento de médio e longo prazos, o investimento na inovação e tecnologia, e se dedica apenas a obter o lucro dos acionistas no momento.

Como se viabiliza a Petrobras hoje? A ideia que desenvolvemos no Senado, com alguns companheiros, é a emissão de letras do Tesouro, que seriam repassadas ao BNDES e a Petrobras tomaria esse volume de recursos através de debêntures, e imediatamente ela punha para funcionar o seu planejamento anterior, eliminando os ladrões, os desvios, o superfaturamento, com uma direção limpa e nacionalista.

Mas para isso a Petrobras precisa de uma capacidade de endividamento...

A Petrobras tem a maior capacidade de endividamento do planeta, ela não pode ser analisada pelo seu valor de mercado hoje, não tem nada a ver com seu valor patrimonial. O valor patrimonial da Petrobras é um valor estratégico para o Brasil, é o valor do nosso futuro e das nossas reservas de petróleo no território nacional. Não tem limite isso, não é quantificável. O endividamento da Petrobras hoje é muito menos devido ao roubo diante dos investimentos que foram feitos e do retorno desses investimentos.

O sr. acredita que há um ataque orquestrado à Petrobras?

Sim, por parte do Levy, por parte das medidas tomadas pelo nosso governo e por parte do Serra e de alguns parlamentares. É evidente que estão tentando acabar com a Petrobras, ou você acha que o Serra, de uma hora para outra, tentaria facilitar o governo da Dilma, viabilizando que ela venda alguns poços de Libra e do pré-sal para fechar seu superávit primário?! Isso é totalmente descartado por qualquer raciocínio moderadamente inteligente.

E como o sr. vê a atuação da Operação Lava Jato nesse contexto?

Eu vejo, do ponto de vista do garantismo jurídico do qual eu sou um adepto, grandes furos. Mas do ponto de vista nacional, muito bom. Estão expondo o que não seria exposto. É claro que existem verdadeiras esdruxularias, por exemplo, hoje descobri que o procurador da República Deltan Dallagnol vai a uma igreja e diz (não com todas as letras, mas se pode inferir) que a Lava Jato é a maior operação policial. É um culto, é uma obra de Deus. É uma estupidez isso. Ele é uma espécie de novo jihadista, um cruzadista, está sendo dirigido pelo Senhor. É uma bobagem monumental. Por outro lado, tem outras bobagens, você descobre que a vaca citada não é o Vaccari, é uma vaca (um animal) premiada. Mas uma vaca premiada adquirida por R$ 2,2 milhões seguramente é uma lavagem de dinheiro, muito comum nos leilões de gado, onde as empresas e os bancos compram por preços altíssimos, pagam com o dinheiro comunitário, o dinheiro empresarial, e recebem de volta na pessoa física, como caixa dois. É evidente isso e conhecido no Brasil inteiro.

"A legalização do direito de resposta é mais importante que qualquer controle da mídia. Se o Jornal Nacional chamar o Zé das Couves de ladrão, e tiver de desmentir no dia seguinte, no mesmo espaço, perde credibilidade. O direito ao contraditório é fundamental e não existe na mídia brasileira"

A lavagem de dinheiro em países em desenvolvimento como o Brasil não está minando a democracia?

Veja os leilões de obras de arte. De repente, o banco compra um quadro por R$ 15 milhões. Na verdade, ele paga R$ 500 mil para o dono e fica com R$ 14,5 milhões. Mas o banco saiu, os acionistas perderam e alguém da direção que decidiu a compra ficou no caixa dois. Agora, se um daqueles nomes traduzidos por letra era uma vaca, seguramente o JS era o bezerro. Não é José Serra, é o filho da vaca (risos).

Por conta desse contexto da Operação Lava Jato, e dos incansáveis vazamentos seletivos, o sr. acredita que é preciso discutir a regulação da mídia?

A minha proposta é a legalização do direito de resposta. Isso é muito mais importante do que qualquer espécie de suposto controle da mídia. Se o Jornal Nacional chamar o José das Couves de ladrão, estelionatário, desonesto, improbo e tiver de desmentir no dia seguinte, no mesmo espaço, ele perde a credibilidade e importância. O direito ao contraditório é fundamental e ele não existe na mídia brasileira.

Mas com essa finalidade teve um projeto que o sr. aprovou recentemente?

Aprovei por unanimidade no Senado e está engavetado por Eduardo Cunha (presidente da Câmara, do PMDB-RJ) na Câmara. Nem em regime de urgência é votado. Provavelmente, o Cunha está esperando um parecer do círculo religioso para saber se pode ou não pode pôr em votação. Um culto estranho...

Como vê a questão da tarja preta?

Tarja preta foi uma estupidez, uma burrice monumental de um agente ou de um delegado. Provavelmente aecista mesmo, ou foi para colocar o Serra em evidência, o que seria imaginar muita inteligência por parte dele, porque não tem justificativa. Lá estavam também detentores de foro privilegiado, como Alckmin (Geraldo Alckmin, governador de São Paulo), e outros que apareceram na integralidade dos seus nomes.

Ele põe tarja preta no JS, que hoje já se sabe que é o bezerro da vaca, e não coloca tarja preta nos outros, e não coloca tarja preta no escritório da secretária do bezerro e nem nos números de telefone.

Como o sr. está vendo a gestão do Beto Richa, a questão inclui principalmente...

Você está falando no que não existe, não é?! Não existe gestão no Paraná.

Principalmente na questão dos professores...

Não, na questão da administração dos recursos públicos. Pelo que a gente vê hoje, tem uma quadrilha comandando o estado do Paraná.

Voltando à Lava Jato...

Você veja, 13 ou 14 anos atrás houve a primeira delação premiada do Youssef (Alberto Youssef, doleiro). Se quiser, procure “delação premiada”, entra ali na pesquisa. Você vai ver que ele denunciou o governo do PSDB e do DEM inteirinho. Mas, como os fatos eram estaduais, não foi ele que levou à frente. Até hoje, as pessoas não foram nem sequer citadas, passados 14 anos. Jaime Lerner, o presidente do Tribunal de Contas, aquele pessoal todinho, com pacotes e pacotes de dinheiro, e nada aconteceu em relação a isso. Então, isso deu esta complacência, teve continuidade no governo... Deu continuidade na administração do Beto Richa.

Agora, no histórico jurídico, digamos assim, da delação premiada, a lei mais recente é da presidenta Dilma...

Veja bem, a delação premiada é corriqueira, ela tem de ser confirmada por fatos processuais.

Mas o sr. vê nesse aparato jurídico que garante a delação premiada, inclusive nesta lei mais recente, algum problema, algum buraco que deixou espaço para os vazamentos seletivos?

Existem críticas à condução policial do Ministério Público e do próprio juiz nas ações. Mas esta crítica garantista não pode se transformar na garantia da impunidade desse bando de ladrões.

Esses vazamentos seletivos tão falados deveriam estar previstos na lei?

Não, o Serra não acredita nisso, ele acha que no Banco Central nunca houve. Só não haveria vazamento seletivo se a Polícia Federal e o Ministério público fossem compostos por querubins e versais. Claro que o vazamento seletivo acaba sendo uma derivação da natureza humana das pessoas múltiplas que conduzem um processo desses. Veja, estão protestando hoje contra o vazamento do depoimento do Júlio Camargo em relação ao Eduardo Cunha. Não existe vazamento. Porque o Eduardo Cunha não era réu. Ele era testemunha em uma ação, e seu depoimento foi público. Ele já tinha sido ouvido pelo Supremo (Tribunal Federal) e dito a mesma coisa. Neste caso não era nem delação premiada, ele era testemunha dos processos. Então, a rigor, o Supremo Tribunal Federal deve considerar absolutamente correto o depoimento.

Qual a perspectiva que o sr. tem para este segundo semestre nos trabalhos do Senado?

O Senado está trabalhando sob comando. Tem relatores únicos. O relator exclusivo do Senado agora é o Romero Jucá (PMDB-RR). A gente, eu, por exemplo, me considero completamente marginalizado das decisões do Senado. Eles indicam o Vital (do Rêgo, PMDB-PB) ministro do Tribunal de Contas e você só sabe disso no dia da votação. Então, os senadores como eu não participam de nada no Senado.

Agora, vai ser uma chapa quente no Congresso inteiro. Temos um projeto que estabelece que as relatorias sejam distribuídas conforme o Judiciário distribui processos. Por um computador que funciona com algorítimo. Eu apresentei esse projeto com 60 assinaturas ou mais dos 81 senadores. Está engavetado.

"Olha, reforma política é proibir coligação e proibir doação de pessoa jurídica. O resto é tapeação. Hoje o dinheiro da pessoa jurídica manda no Congresso. Nós não temos mais partidos, praticamente, temos bancadas financiadas"

O que se pode esperar do Senado na questão da redução da maioridade penal?

Eu espero que ele rejeite isso. Você não pode admitir mais a impunidade de um menino de 17 anos e 9 meses que matou quatro pessoas. Mas você não pode admitir esses tipos de condenações. Crimes de tipo aberto, o que existe na França. Na França, quem decide a periculosidade do crime é o juiz e o promotor. Então, se eles brigaram com a mulher de manhã cedo, ou estão irritados por alguma coisa, eles pegam teu filho que roubou uma maçã no bar da esquina, e condenam.

Aqui inventaram, para atenuar, essa do crime hediondo, que é uma estupidez, ninguém sabe exatamente o que é isso. Eu acho que tem de haver uma solução. Tentaram essa solução do José Serra, que não tem muita ligação com a realidade, que é aumentar o período de segregação nestas escolas disciplinares, estes reformatórios.

Então, está muito mal conduzido isso. Pode ser que tenham de estabelecer alguns tipos que levariam à condenação do menor. A reincidência e o tipo de crime. Mas isso muito bem definido por lei, para não ficar ao visto de juízes e promotores.

A redução pura e simples é um retrocesso bobo. Você vê, Nova York discute hoje a volta da responsabilidade criminal para 18 anos.

Em relação à reforma política, seria importante mudar o financiamento de campanha?

Olha, reforma política é proibir coligação e proibir doação de pessoa jurídica. O resto é tapeação. O dinheiro de empresas manda no Congresso. Nós não temos mais partidos, praticamente, temos bancadas financiadas.

E chegamos a isso também por conta da jurisprudência sobre as eleições, que também veio evoluindo nesse sentido?

Não. É evidente que os tribunais estão legislando. Mas o fundamental é o financiamento privado. Se forma a bancada, aí entra na questão do liberalismo mesmo. O povo não tem mais influência. É precarização do trabalho, precarização do Congresso por meio do financiamento de pessoa jurídica e precarização do Executivo através do domínio absoluto da economia pelo Banco Central.

Isso é cada vez mais comum no mundo hoje. Se você quer uma crítica, tem um livro de um alemão, que chama-se Wolfgang Streeck. Como não leio alemão, li em uma edição em português do livro. Muito interessante, chama-se Tempo Comprado.

O que esperar do futuro?

Só tenho um desejo. Que essa crise seja curta. Para o Brasil voltar a ser reconstruído do ponto de vista nacional, democrático e popular. Agora, o risco é que a crise leve a uma solução, por exemplo, como a eleição do Berlusconi na Itália.


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Romário parte para o ataque e faz repórteres da Veja saírem do Facebook




O senador e eternamente marrento Romário tocou de lado para que seus eleitores chutassem.

Ontem, publicou no Facebook a pergunta “inocente”:

"Alguém aí tem notícias dos repórteres da revista Veja Thiago Prado e Leslie Leitão, que assinaram a matéria afirmando que tenho R$ 7,5 milhões não declarados na Suíça? E do diretor de redação Eurípedes Alcântara? Dos redatores-chefes Lauro Jardim, Fábio Altman, Policarpo Junior e Thaís Oyama?
Gostaria que eles explicassem como conseguiram este documento falso."

E tascou os links para as páginas de Facebook dos indigitados, sem sugerir nada, porque era desnecessário.

Foi uma avalanche de críticas e ironias nas páginas cujos endereços eletrônicos foram fornecidos pelo “baixinho”.

As de Thiago Prado e Leslie Leitão saíram do ar. A página de Lauro Jardim, que ainda funcionava hoje de manhã, tinha centenas de comentários que o ridicularizavam.

Certo que alguns exageradamente agressivos, mas a maioria indignados e irônicos:


E sobre o Romário Faria não vai falar nada ou vai desativar o Facebook também?

Amigo, explica como arranjaram o documento falso do Romário por gentileza? Abraço!

Quem foi o estelionatário que falsificou o documento da sua matéria contra o Romário ? Algum parceiro seu? Peixe!

É sobre o documento do Romário Faria? Sendo falso pode citar a fonte, ou será que é falsa a noticia?


E um dos mais engraçados:

Tem um vizinho meu aqui que tá me incomodando muito, já tivemos até algumas rusgas. Gostaria de saber quanto a Veja cobra para publicar uma matéria dizendo que ele tá enriquecendo urânio na casa dele?


A revista mantém o mais sepulcral silêncio desde que Romário contestou a informação publicada.

Nada, nem uma palavra ou explicação.

Se a revista confia no trabalho dos seus repórteres e na autenticidade do que publica, é obvio que teria respondido.

Eles próprios deveriam exigi-lo. A redação inteira, aliás.

Se não descambar para a agressão, o método “cobrança direta” estimulado por Romário talvez seja uma boa lição.

Somos responsáveis pelo que escrevemos e, se erramos, temos de reconhecer que erramos e porque o fizemos.

Disse ontem aqui que não há “sigilo de fonte” quando se trata de uma falsificação para atingir a honra alheia.

E mais: se temos o direito e o dever de em nome da apuração jornalística publicar o que temos segurança de que é verdadeiro, também temos o dever de suportar as consequências disso.

Romário tem o direito de reagir e um argumento irrespondível para os que vierem com “punhos de renda” politicamente corretos contra sua iniciativa de publicar os endereços onde seus detratores tem de ler o que se leu acima.

Afinal, eles tem um império de comunicação para responder e, 24 horas depois de apontada a farsa, não o fizeram.


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Alckmin critica impeachment e causa frustração em apresentadores da Rádio Jovem KLAN


Apesar da pressão dos entrevistadores, como Rachel Sheherazade e Marco Antonio Villa, que tentavam forçar uma resposta a favor da derrubada da presidenta, o tucano rechaçou a ideia: “Nós precisamos falar a verdade para as pessoas. Se não tiver um embasamento jurídico, não vai ter impeachment porque o Supremo Tribunal Federal não vai deixar”

Por FORUM

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), afirmou nesta quinta-feira (30) que não vê o impeachment da presidenta Dilma Rousseff como uma saída viável para o Brasil. “O impeachment é um trauma para o país”, disse. E completou: “Precisamos zelar pela democracia”.

O governador participou da conversa com os apresentadores Rachel Sheherazade, Paulo Pontes, Marco Antonio Villa, Reinaldo Azevedo, Thiago Uberreich, Antônio Freitas e César Rosa. Apesar da pressão de boa parte dos jornalistas, que tentava forçar uma resposta a favor da derrubada da presidenta, Alckmin se manteve contrário à ideia. “Nós precisamos falar a verdade para as pessoas. Se não tiver um embasamento jurídico, não vai ter impeachment porque o Supremo Tribunal Federal não vai deixar”, disse.

Segundo ele, é necessário cautela antes de fazer qualquer tipo de acusação. “Nós acabamos de sair de uma eleição. Precisa ter um fato concreto que a Constituição preveja para tomar uma medida”, observou. O tucano falou ainda sobre a reunião que irá participar hoje com Dilma e os outros 26 líderes estaduais em Brasília para tratar da governabilidade e assuntos econômicos.

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A "Indústria da Multa", essa voraz e implacável indústria de achaque empregada contra boas e puras pessoas



Três dias atrás (*) eu contei aqui do caso do amarelinho da CET que, chamado por algum bondoso, consciente e anônimo cidadão de bem, foi até o local e, na base da conversa e sem autuação ( atenção: SEM AUTUAÇÃO! ), fez com que três veículos estacionados sobre uma calçada saíssem dali. O srs lembram que relatei que, horas depois, novamente havia carros estacionados ali, na mesma calçada. Talvez fossem os mesmos retirados horas antes.

Pois bem: hoje novamente estavam lá, lindos e reluzentes, estacionados na calçada. São piores que a "Mosca da Sopa" do Raulzito. Algumas dessas moscas até estão avuando pelaí, reclamando do governo, dos políticos, da corrupção, da "Indústria da Multa"...


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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ferro na nefasta: Lula processa revista Veja por “farsa” e Romário diz que responsáveis por matéria difamatória "podem começar a contar as moedinhas, porque a conta vai chegar"



Lula processa revista Veja por “farsa”; Época deve ser a próxima.

O ex-presidente entrou com ação contra os responsáveis pela capa desta semana e avalia processar também a revista Época

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou nesta quarta-feira 29 com uma ação judicial por reparação de danos morais contra os responsáveis pela matéria de capa da revista Veja desta semana. São alvos da ação contra a revista Veja Robson Bonin, Adriano Ceolin e Daniel Pereira, que assinam as reportagens de capa da edição 2.436, que chegou às bancas em 25 de julho, além do diretor de redação Eurípedes Alcântara.

CartaCapital apurou que Lula também avalia com seus advogados a possibilidade de processar a revista Época. A exemplo da publicação da editoria Abril, e revista da editora Globo tem publicado uma série de reportagens contra o ex-presidente – classificadas como “mentirosas” por sua assessoria.

A revista Veja esta semana afirma que: 1) Lula teria sido “operado” pela OAS. E complementa: “operar, significa, em bom português, comprar”; 2) “Lula patrocinou o esquema de corrupção na Petrobras”; 3) Marcos Valério teria “blindado” Lula e seria um “antigo comparsa” e 4) “o ex-presidente se beneficiou fartamente da farra do dinheiro público roubado da Petrobras”.

A revista não apresentou provas ou documentos de nenhuma das acusações, e baseou todo o seu material em uma suposta intenção do empreiteiro Léo Pinheiro de fazer uma delação premiada. Segundo a revista, Pinheiro teria as informações publicadas. O próprio executivo, contudo, soltou a seguinte nota à imprensa no sábado 25, data em que a revista começou a circular:

“Sobre a reportagem da Veja deste final de semana, José Aldemário Pinheiro e seus defensores têm a dizer, respeitosamente, que ela não corresponde à verdade. Não há nenhuma conversa com o MPF sobre delação premiada, tampouco intenção nesse sentido”.

Os advogados de Lula chamam o texto e a capa de “farsa” e sustentam que tudo foi “inventado” pelos réus. “O texto é repugnante, pela forma como foi escrito e pela absoluta ausência de elementos que possam lhe dar suporte”, destacam os advogados de Lula na ação -- aqui a íntegra da ação.

Ainda de acordo com a defesa de Lula, Eurípedes Alcântara, apesar de não assinar o texto, foi incluído na ação porque “na condição de diretor de redação e diretor editorial da revista Veja aprovou a versão final que foi às bancas. Não há dúvida, portanto, de que o corréu Eurípedes Alcântara também com correu para a prática dos ilícitos expostos.”

A peça reafirma também que, de acordo com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, “a liberdade de comunicação e de imprensa pressupõe a necessidade de o jornalista e/ou o veículo pautar-se pela verdade”.

A assessoria do ex-presidente diz ainda que “a reportagem repete práticas comuns a Veja: mente, faz acusações infundadas e sem provas, apresenta ilações como se fossem fatos, atribui falas e atos, não tem fontes e busca atacar, de todas as formas, a honra e a imagem do ex-presidente Lula”.


Uma segunda reportagem da mesma edição de Veja também deve render um processo. Veja publicou que o senador Romário (PSB-RJ) teria uma conta não declarada em uma agência do banco BSI na Suíça, na qual estariam depositados cerca de 7,5 milhões de dólares.

Romário, que tinha manifestado a intenção de processar a revista, esteve nesta quarta-feira 29 em Genebra. Por meio de suas contas oficiais no Twitter e no Facebook, o ex-jogador da seleção brasileira anunciou que se reuniu com funcionários do banco e que a suposta conta não pertence a ele.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Romário afirmou que o banco suíço classificou como “falsos” os extratos e também pretende tomar medidas judiciais. “Mostramos os extratos e o banco garantiu que esses documentos são falsos”, disse Romário. Para ele, trata-se de uma armação para prejudicar sua atuação na CPI do Futebol, que investigará casos de corrupção na CBF, e na possível candidatura a prefeito do Rio de Janeiro, em 2016. “Eles tentaram mais uma vez me destruir, denegrir a minha imagem. Mais uma vez, eles estão mostrando ao mundo que eu sou decente", afirmou.

#Chateado. Acabei de descobrir aqui em Genebra, na Suíça, que não sou dono dos R$ 7,5 milhões. pic.twitter.com/7dnaV9JmBX— Romário (@RomarioOnze) 29 julho 2015

Agora, aqueles que devem, podem começar a contar as moedinhas, porque a conta vai chegar de todas as formas.— Romário (@RomarioOnze) 29 julho 2015

Eu não finjo ser decente, não faço de conta ser sério e pareço ser correto. Eu sou!!!— Romário (@RomarioOnze) 29 julho 2015

Eu não finjo ser decente, não faço de conta ser sério e pareço ser correto. Eu sou!!!— Romário (@RomarioOnze) 29 julho 2015

Gostaria que a Veja explicasse como conseguiu este extrato falso.https://t.co/ELzqO80mW3 pic.twitter.com/WJWo1ZQ93K— Romário (@RomarioOnze) 29 julho 2015


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Romário vai até a Suíça e confirma que Veja mentiu novamente



Depois de ter sido acusado pela revista de possuir uma conta milionária e não declarada na Suíça, o senador foi até o país para comprovar que não é dono do dinheiro e agora cobra explicações: “Aqueles que devem, podem começar a contar as moedinhas, porque a conta vai chegar de todas as formas”

Por Redação

O senador Romário (PSB-RJ) promete não deixar barato o episódio envolvendo as acusações falsas que a revista Veja fez contra ele em sua última edição. A publicação da editora Abril afirmou, no final de semana, que o ex-jogador possuía uma conta milionária em Genebra, na Suíça, e que o valor não teria sido declarado na Receita Federal – configurando crime no Brasil.

No dia seguinte ao que a revista chegou às bancas, o senador fez um esclarecimento em seu Facebook apontando as mentiras da matéria e disse que confirmaria a existência da conta na Suíça para tomar as providências cabíveis. “Revista cretina”, afirmou na ocasião.

E assim o fez. Também via Facebook, o ex-jogador publicou uma foto, nesta quarta-feira (29), em que está em Genebra e ironizou dizendo que está “chateado” por confirmar que não é o detentor do valor milionário.

“Galera, bom dia! Chateado! Acabei de descobrir aqui em Genebra, na Suíça, que não sou dono dos R$ 7,5 milhões. Aguardem mais informações… Agora, aqueles que devem, podem começar a contar as moedinhas, porque a conta vai chegar de todas as formas. Eu não finjo ser decente, não faço de conta ser sério e pareço ser correto. Eu sou!!!”, escreveu em um post.

Em outra publicação, o senador foi ainda mais incisivo e pede explicações da revista Veja por mais uma mentira, postando a foto de um documento falso que a revista usou para incriminá-lo.

“Alguém aí tem notícias dos repórteres da revista Veja Thiago Prado e Leslie Leitão, que assinaram a matéria afirmando que tenho R$ 7,5 milhões não declarados na Suíça? E do diretor de redação Eurípedes Alcântara? Dos redatores-chefes Lauro Jardim, Fábio Altman, Policarpo Junior e Thaís Oyama? Gostaria que eles explicassem como conseguiram este documento falso”, enfatizou.


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segunda-feira, 27 de julho de 2015

"A Indústria da Multa não Existe" em: Causa Impossível


O cidadão de bem chama a CET pela manhã, por causa de veículos em calçada. Cinco horas e pouco depois passa pelo local e constata que os mesmos ali permaneciam. Telefona à CET, dá o número do protocolo, e é informado que o fiscal tinha ido lá ( o que já é um milagre, daqueles de fazer ateu crer em Santo Expedito ) "removido" três automóveis. 

Apesar de soar forte e legal pacas, remoção é simplesmente quando o amarelinho leva um lero com os meliantes, tentando chamá-los à razão, argumentando que aquilo prejudicava o direito de ir e vir do - não riam - pedestre e que, além de tudo, não bastasse ser um comportamento feio e bobo, também é ilegal, passível de multa e perda de pontos na CNH. Diante da boa conversa com o agente da Lei, os meliantes demonstram arrependimento e tiram os veículos do local, desculpam-se, fazem juras de que aquilo não se repetirá. 

Tão logo o amarelinho vira as costas eles retornam os carros ao local, já que é difícil um raio cair duas vezes no mesmo ponto.
 
"Indústria da Multa" né?
 
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domingo, 26 de julho de 2015

Pablo Villaça: "Quero parabenizar a revista Veja"


Quero parabenizar a revista Veja. Depois de ter um número colossal de suas "reportagens" desmentidas apenas alguns dias depois de publicadas, este esgoto em forma de madeira prensada e tinta conseguiu bater um novo recorde e já chegou às bancas com sua matéria de capa desmontada pelo personagem PRINCIPAL: um executivo da OAS que, segundo a revista, havia denunciado Lula através de delação premiada. Antes mesmo de a revista começar a ser vendida, porém, o tal executivo e seus advogados informaram que jamais conversaram com o Ministério Público sobre qualquer tipo de delação, envolvendo ou não Lula.

Como se não bastasse, a revista trouxe uma matéria sobre Romário que o ex-jogador e agora senador também se encarregou de desmentir em nota publicada aqui no FB:https://www.facebook.com/romariodesouzafaria/photos/a.118367314924915.24204.111949165566730/862426647185641/?type=1&permPage=1

Aliás, se quiserem ver mais vários exemplos de matérias desmentidas da Veja, é só clicar no link a seguir e conferir a compilação feita por leitores em um comentário desta página.https://www.facebook.com/pablovillac…/posts/697119083726654…

E ainda há quem defenda e leia VEJA. Não muitos, claro, pois senão ela não estaria cada vez mais dependente das assinaturas compradas pelo governo tucano de SP para sobreviver.

Mas que ainda tenha um único leitor VOLUNTÁRIO é um testamento inequívoco da magnitude da estupidez humana.


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ISSO os Datenas, justiceiros e linchadores da TV não destacam



Esse é o tipo de informação (*) que programas como o DATENA deveriam apresentar, discutir, aprofundar e até discordar, em vez de se afundarem na lama do sensacionalismo. 
O problema seria, então: como apresentar um dado importantíssimo como esse a um público que esses mesmos programas acostumaram a receber sangue e sadismo e não aceitar outra coisa no lugar?
A exploração e a descrição minuciosa de um assassinato, isoladamente, acaba tendo um poder de persuasão sobre as pessoas muito mais forte que apresentar um dado estatístico que poderia sabotar a própria exploração sensacionalista deste assassinato. 
Noutras palavras, os Datenas levaram as pessoas a recusar - como uma criança que recusa uma colherada de um remédio de gosto ruim - notícias como essa da queda dos homicídios e a, em vez disso, preferir ver sangue e supostas conspirações de marginais.

SP tem menor índice de homicídios da história
Esta foi a menor taxa da história nos seis primeiros meses do ano; Alckmin fala sobre os assassinatos
Os casos de homicídios no estado de São Paulo tiveram uma redução de 18,38% em junho deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Com a menor taxa da história nos seis primeiros meses, a queda foi de 11,62% nas mortes intencionais, sendo 9,38 ocorrências por 100 mil habitantes.
“Pela primeira vez na série histórica temos um primeiro semestre do ano com menos de dois mil homicídios”, destacou o governador Geraldo Alckmin.
Os dados foram divulgados pelo governador Geraldo Alckmin em um evento realizado no 52º DP, no Parque São Jorge, na Zona Leste de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (24).
Capital
A capital também apresentou mais uma vez um recorde na redução dos homicídios dolosos. Os casos passaram de 93 para 73, ou seja, houve uma redução de 21,51%.
Interior
Pela segunda vez o índice de homícidios dolosos caíram no interior de São Paulo, a queda foi de 10,65% no semestre, com 956 ocorrências registradas.
De acordo com o balanço, em todo o estado aconteceram 262 assassinatos no mês de junho, ante 321 no mesmo período de 2014. 
O balanço completo com os casos de latrocínios será divulgado na próxima segunda-feira (27).

(*) Nem quero entrar no mérito se as informações e dados são corretos ( quem lê este blog sabe que eu não perco meu tempo elogiando governos tucanos, sobretudo este de São Paulo; e nem seria necessário, afinal ele já tem a mídia e a imprensa inteiras no bolso; mas emprego estes dados do governo estadual por uma causa maior ), até porque, se os programas citados fizessem o que estou sugerindo, eles poderiam, como já falei, discutí-los, questioná-los, denunciá-los. 
Instruir o público, em suma. Mas eles querem é sangue.

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Duas reportagens de 'Veja' deste fim de semana são desmentidas


Executivo da OAS nega existência de delação premiada para o Ministério Público em matéria que tenta atingir Lula; senador Romário também manifesta indignação com matéria que o acusa de ter conta na Suíça

São Paulo – A revista Veja deste fim de semana teve duas reportagens desmentidas, uma delas antes de a edição chegar aos leitores [ NOTA DO BLOG: a respeito disso, leia comentário ao final do texto ]. Na matéria de capa, mais uma vez a revista tenta atingir o ex-presidente Lula e afirma “que chegou a vez dele” a respeito de uma suposta delação premiada de José Adelmário Pinheiro, executivo da OAS, que foi preso na Lava Jato.

“Sobre a reportagem da Veja deste final de semana, José Adelmário Pinheiro e seus defensores têm a dizer, respeitosamente, que ela não corresponde à verdade. Não há nenhuma conversa com o MPF sobre delação premiada, tampouco intenção nesse sentido”, disse, em nota, a empresa nesta sexta-feira (24).

Internamente, a reportagem falava em "segredos devastadores" contra o ex-presidente Lula: (1) a lista dos políticos que receberam propina, (2) os negócios milionários do filho de Lula, (3) despesas pessoais do ex-presidente foram pagas pelas empreiteiras e (4) Lula sabia do esquema de corrupção na Petrobras.

A reportagem de Robson Bonin também aponta Lula como o político "operado" pelo "operador" Léo Pinheiro, como José Adelmário Pinheiro é chamado. Sem a delação, negada pela OAS, no entanto, a reportagem não se sustenta.

Romário com suposta conta

O senador Romário (PSB-RJ) também publicou em sua página no Facebook neste sábado um texto em que rebate, ponto a ponto, reportagem publicada contra ele na revista. "Na quinta-feira, fui informado por um repórter da Veja que eu tinha uma conta na Suíça com o saldo de alguns milhões. A matéria saiu na edição impressa da revista. Obviamente, fiquei muito feliz com a notícia", ironizou.

O parlamentar também rebateu a "notícia" de que desfila com uma Ferrari pelas ruas do Rio – "algo impossível já que o carro já não se encontra na cidade há alguns anos. A saber, o veículo foi comprado em 2004" –, chamou a publicação da Abril de "cretina" e anunciou que irá à Justiça contra os "repórteres que assinam mentiras".

Leia abaixo a íntegra:

Galera, bom dia

Na quinta-feira, fui informado por um repórter da Veja que eu tinha uma conta na Suíça com o saldo de alguns milhões. A matéria saiu na edição impressa da revista. Obviamente, fiquei muito feliz com a notícia, assim que possível, irei ao banco para confirmar a posse desta conta, resgatar o dinheiro e notificar à Receita Federal.

Espero que seja verdade, como trabalhei em muitos clubes fora do Brasil, é possível que tenha sobrado algum rendimento que chegou a esta quantia. Estou me sentindo um ganhador da Mega Sena, só que do meu próprio honesto e suado dinheiro. 

O que há de estranho nisso é a informação da revista de que a aplicação seria de 2013, certeza que eu não fiz nenhuma aplicação no período recente. Também não recebi nenhuma notificação do Ministério Público a respeito. Mas como se trata da revista Veja, se a informação estiver errada não será nenhuma surpresa. Essa mesma matéria diz, por exemplo, que eu desfilo de Ferrari pelas ruas do Rio, algo impossível já que o carro já não se encontra na cidade há alguns anos. A saber, o veículo foi comprado em 2004. O repórter diz ainda que eu teria negociado com meu partido, o PSB, o pagamento do aluguel da casa onde moro no Lago Sul, como uma forma de compensar minha refiliação a legenda. Essas e outras mentiras costuram o enredo de uma farsa. Coisa que a revista tem expertise em fazer.

Se vocês lerem a matéria, perceberão que não há uma fonte sequer identificada de acusações contra mim. Vale informar que durante as eleições do ano passado, esta mesma cretina revista tentou publicar esta matéria contra mim, com claras motivações políticas. A matéria não saiu, na época, por falta de consistência. Não é de suspeitar que uma semana depois de eu despontar com alto índice de intenções de votos para a prefeitura do Rio, a publicação tenha sido resgatada com este fato novo da conta na Suíça. Difícil é esperar credibilidade de uma revista como essa, que vende capa.

Espero que, pelo menos, a conta seja verdade. Porque dinheiro honesto, ganho com muito suor, não faz mal a ninguém. Bom lembrar que problemas financeiros todo mundo tem e os meus sempre foram com recursos privados, nunca nada com R$ 1 de dinheiro público.

Ademais, podem atacar, mas eu continuarei presidente da CPI do Futebol e imbuído de vontade moralizar o futebol brasileiro.

Sobre o meu futuro político, nada vai tirar meu foco!
Aos meus concorrentes, minhas pretensões se fortalecem com matérias como essas.

Aos repórteres que assinam mentiras, nos vemos na justiça.


COMENTÁRIO: Mesmo após a Veja ter sido humilhantemente desmascarada, tem bancas em Sampa que já venderam todo o reparte desta semana em 1 ou 2 dias ( como se sabe, várias delas recebem as revistas semanais - Veja, Carta Capital, Isto é, Época - no sábado, enquanto outras somente as receberão na segunda-feira ). E mesmo após sua Bíblia ter sido desmascarada ainda no forno, ainda tem gente repercutindo as notícias falsas. MESMO SABENDO DO DESMASCARAMENTO.
Assim, muitas bancas venderam neste fim de semana mais do que a sua média semanal e já estão deixando de vender. Ou seja, por exemplo, uma banca que vende em média 5 ou 6 exemplares, recebeu 9 e já vendeu as nove. Se tivesse recebido 15 teria vendido as 15; se tivesse 25 exemplares, venderia esses 25.
Tendo a Veja sido desmascarada ontem, mas ainda havendo leitor procurando a edição nas bancas e revistarias, fica demonstrado que a, por vezes celebrada, "força das redes sociais" ainda é passível de discussão. 
Ou melhor, enquanto a versão de que a Veja se lascou é disseminada pelas redes sociais, um movimento oposto a essa versão também é passada adiante. Seja qual for a versão que prevalecerá nas redes sociais, o fato é que esta edição da Veja, mesmo com a matéria principal desmascarada, "bombou" e fez a alegria de jornaleiros.
Portanto, não seria uma surpresa se saísse uma nova "fornada" desta edição, para suprir a clientela ávida, como ocorreu na ocasião com a famigerada edição da reta final eleitoral, que havia esgotado e saído uma reimpressão. 
É uma boa oportunidade para lembrar que, à época, aproveitando a falta de exemplares nas bancas de Sampa, um vagabundo - que, segundo notícias recentes, está sendo processado por isso - espalhou um boato totalmente canalha, acusando a a Prefeitura de São Paulo de mandar equipes de fiscais das Subprefeituras nas bancas para CONFISCAR OS ESTOQUES DA REVISTA VEJA.
É possível então que, se a prefeitura de Sampa não tivesse decidido processar o meliante que espalhou o boato do confisco na época eleitoral, era bem capaz que outro meliante da mesma estirpe fosse encorajado a repetir a bandidagem novamente agora. Digo, até este momento não ouvi falar nada a respeito.

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Uma questão de dinheiro: a origem do ódio assassino da Abril pelo PT. Por Paulo Nogueira


Os franceses têm uma frase para a investigação de crimes: “Procure a mulher.”

Você pode adaptá-la para o Brasil de hoje.

“Procure o dinheiro.” É o que você deve fazer caso queira entender o ódio desumano da Veja pelo PT, expresso mais uma vez na capa desta semana.

Isso vale não apenas para a Veja, é bom acrescentar.

O jornalista Ricardo Kotscho, que fez parte da equipe de Lula em seus primeiros tempos, conta uma história reveladora.

Roberto Civita queria uma audiência com Lula, algum tempo depois de sua posse. E pediu a Kotscho que a arranjasse.

O objetivo não era discutir os rumos do Brasil e do mundo. Era pedir dinheiro para o governo, na forma de anúncios [ NOTA DO BLOG: A especialidade da Abril parece ser descolar, na base da boa e velha conversa amistosa, uns anúncios junto a governos. Confira aqui alguns casos ].

Ou mais dinheiro.

As coisas não correram como Roberto esperava. As consequências editoriais estão aí. Nem a morte de Roberto deteve a fúria assassina da Veja.

É um paradoxo. As mesmas empresas liberais que condenam o Estado são visceralmente dependentes do dinheiro público que ele canaliza para elas.

Sem esse dinheiro, elas simplesmente não sobreviveriam.

Não é errado dizer que o Estado brasileiro financia as grandes empresas jornalísticas. É, para elas, um Estado Babá.

Não é apenas dinheiro de anúncios, embora seja este o grosso. Ele vem de outras formas.

Poucos anos atrás, quando ainda tinha resultados contábeis expressivos, a Abril levou cerca de 25 milhões de reais do BNDES para uma obra que deveria ter sido bancada por ela mesma, e não pelo contribuinte: um arranjo em seu sistema de assinaturas.

É um dado público.

Parêntese: se na CPI do BNDES for aberto um capítulo para as relações da mídia com o banco, teremos informações sensacionais.

Em 2009, quando a Veja já abdicara de qualquer honestidade no ataque ao PT, a Abril levou 50 milhões de reais do governo de Lula apenas em anúncios.

Por que tamanha revolta, então?

Mais uma vez: procure o dinheiro. A Globo estava levando, e continua a levar, dez vezes mais, 500 milhões por ano.

Lula e Dilma, ironicamente, vem financiando a mídia que tenta exterminá-los.

Tamanha dependência leva a surtos de paranoia a cada eleição: e se a festa acabar? E se o governo decide reduzir ao mínimo os investimentos publicitários que vão dar nas corporações jornalísticas?

Seria uma calamidade para essas empresas. Elas cresceram graças ao dinheiro público posto nelas em proporções nababescas.

Note. Não é só o governo federal. Quantos recursos públicos não são encaminhados para as companhias de jornalismo pelo governo de São Paulo, o mais ricos do Brasil? De anúncios a compras de assinaturas, a mãozinha amiga está sempre presente.

No futuro, estudiosos tentarão decifrar por que nem Lula e nem Dilma mexeram adequadamente neste sistema que irriga recursos do contribuinte para mãos e bolsos particulares.

Minha hipótese é: medo, medo e ainda medo.

Quando os dados se tornaram públicos, e começou a surgir aqui e ali indignação, inventou-se uma coisa chamada “mídia técnica” para justificar o injustificável.

Com isso, teoricamente estava explicado por que anualmente o governo colocava 150 milhões de reais no SBT para terminar num jornalismo com Sheherazades.

Mas era e é uma falácia. Governo nenhum é obrigado a colocar dinheiro em empresa nenhuma, sobretudo quando há fundadas desconfianças sobre o caráter dela e seu comprometimento com o bem estar público.

No caso específico da Abril, e da Veja, a questão do dinheiro público se tornou especialmente dramática com a Era Digital e seu efeito destruidor sobre a mídia impressa.

Um governo amigo melhoraria extraordinariamente a situação financeira da Abril. O declínio não seria estancado, porque é impossível, mas seria mitigado.

A verba de anúncios federais cresceria instantaneamente. Lotes gigantescos de assinaturas de revistas seriam comprados. Financiamentos a juros maternais seriam obtidos.

É isso o que move a Abril — e, em medidas diferentes, as demais grandes empresas jornalísticas.

Procure o dinheiro, caso queira entender a sanha homicida delas, maldisfarçada num moralismo cínico, demagógico e canalha, para não dizer criminoso.


LEIA TAMBÉM:

Veja faz armação contra Lula com delação falsa

Revista Veja deste fim de semana fez mais uma armação contra o ex-presidente Lula, para inclui-la na coleção de dezenas de capas já produzidas contra o presidente que deixou o cargo com a maior popularidade da história do País; desta vez, Veja afirma que chegou "a vez dele", a respeito de uma suposta delação premiada de José Adelmário Pinheiro, executivo da OAS, que foi preso na Lava Jato; com a palavra, a defesa da OAS: “Sobre a reportagem da Veja deste final de semana, José Adelmário Pinheiro e seus defensores têm a dizer, respeitosamente, que ela não corresponde à verdade. Não há nenhuma conversa com o MPF sobre delação premiada, tampouco intenção nesse sentido”

A revista Veja deste fim de semana fez mais uma armação contra o ex-presidente Lula, para inclui-la na coleção de dezenas de capas [ DESTAQUE NOSSO ] já produzidas contra o presidente que deixou o cargo com a maior popularidade da história do País.

Desta vez, Veja afirma que chegou "a vez dele", a respeito de uma suposta delação premiada de José Adelmário Pinheiro, executivo da OAS, que foi preso na Lava Jato.

No entanto, antes mesmo de chegar às bancas e à casa dos assinantes, a reportagem foi desmentida pela OAS. “Sobre a reportagem da Veja deste final de semana, José Adelmário Pinheiro e seus defensores têm a dizer, respeitosamente, que ela não corresponde à verdade. Não há nenhuma conversa com o MPF sobre delação premiada, tampouco intenção nesse sentido”, disse, em nota, a empresa.

Internamente, a reportagem falava em "segredos devastadores" contra o ex-presidente Lula: (1) a lista dos políticos que receberam propina, (2) os negócios milionários do filho de Lula, (3) despesas pessoais do ex-presidente foram pagas pelas empreiteiras e (4) Lula sabia do esquema de corrupção na Petrobras.

A reportagem de Robson Bonin também aponta Lula como o político "operado" pelo "operador" Léo Pinheiro, como José Adelmário Pinheiro é chamado. Sem a delação, negada na noite de sexta-feira pela OAS, no entanto, a reportagem não se sustenta.


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