sábado, 20 de junho de 2015

O tamanho do ódio ao PT, por Jasson de Oliveira Andrade


A imprensa escrita e falada diariamente divulga o escândalo do Lava Jato. Não só divulga como o comenta. Quem ouve, lê e vê tais notícias pensa que só existe este escândalo. Ledo engano. Existem outros, mas que não são divulgados. É o que constatou Jeferson Miola, em artigo publicado no TRIBUNA DO GUAÇU em 26/5/2015, sob o título “A divulgação seletiva de escândalos": “Nos últimos tempos, a sociedade brasileira se defronta com grandes escândalos de corrupção. (...) Pelo noticiário, todavia, fica-se com a impressão de que existe somente a Operação Lava Jato. Não bastasse esta seletividade, a notícia é ainda recortada para vincular Dilma, Lula e o PT à gênese da corrupção no Brasil”. Adiante o autor afirma: “ No caso do metrô de SP [São Paulo], embora seja um esquema montado há mais de década e que atinge a casa de bilhões (sic) em prejuízos, um noticiário acanhado (sic) dá conta de uma apuração apartidária, despolitizada e que não criminaliza agentes políticos, porque joga a culpa em funcionários públicos que “agiam por conta própria”. Fosse do PT o partido no governo em SP durante duas décadas, estaria assegurado o carnaval (sic) midiático massacrante. (...) Embora os implicados na Petrobrás sejam majoritariamente identificados com os demais partidos (só o PP tem mais de 30 envolvidos), o noticiário trata como “petrolão do PT (sic)”. Adiante o articulista demonstra essa divulgação seletiva: “Uma prova prática disso: quem pesquisar no Google notícias sobre estes escândalos percebe a abundância de registros diários sobre a Petrobrás, porém registros esparsos e em quantidade infinitamente menores dos demais escândalos”. Principalmente sobre o “mensalão tucano”, que a mídia denomina “mineiro”, acrescento eu! Quem toma conhecimento desse noticiário, poderá pensar que o ódio ao PT seja por essa corrupção, mas se engana. É o que veremos a seguir.

Marcos Coimbra, no artigo “O tamanho do ódio”, revelou que uma pesquisa recente do Vox Populi aponta: o eleitorado que diz detestar o PT representa 12% do total. Não é pouco, mas menos do que muitos imaginam”. E conclui Coimbra: “O ódio na política atinge um segmento menor do que se pode imaginar. O Diabo talvez não seja tão feio como se pinta”. Adiante constatou: “Mas é razoável supor que muitos [ desses 12% que odeiam o partido ] são antipetistas de carteirinha. (...) Como seria de esperar, o ódio ao PT não se distribui de maneira homogenea. Em termos regionais, atinge o ápice no Sul (onde alcança 17%) e o mínimo no Nordeste (onde é de 8%). É maior nas capitais (no patamar de 17%) que no interior (4% em areas rurais). É ligeiramente mais comum entre homens (14%) que mulheres (10%), Detestam a legenda 20% dos entrevistados com renda familiar maior do que cinco salários mínimos, quase três vezes mais que entre quem ganha até dois salários. É a diferença mais dilatada apontada pela pesquisa, o que sugere que esse ódio tem um real componente de classe (sic)”.

Dois casos de intolerância, um religioso e outro político. No religioso, o Estadão de 17/6/2015 noticiou: “Menina leva pedrada por ser do candomblé”. Na reportagem, essa revelação: “Uma estudante de 11 anos foi atingida com uma pedra na cabeça enquanto caminhava pela rua, após sair de um culto de candomblé na Vila da Penha, na zona norte do Rio. (...) Segundo a avó da vítima (...) dois homens que estavam em um ponto de ônibus, com a Bíblia sob os braços, começaram a insultá-las. (...) O grupo só parou quando a menina foi atingida pela pedra. Ela chegou a desmaiar (sic).”. Esta intolerância religiosa foi condenada pelo deputado Marcos Felício (PSC-SP), que é pastor evangélico. Ele declarou: “Nunca tinha ouvido falar de tal acontecimento partindo de evangélicos. Existem loucos (sic) em todo lugar. Se forem (evangélicos), cadeia (sic) para eles”. O deputado disse ainda: “a ação foi uma barbaridade (sic)”. Outra intolerância, a política: o ódio ao PT está levando fanáticos a agredirem quem veste de vermelho! É o ódio até a camisa vermelha, o que levou Eduardo Guimarães a declarar: “Odeia a cor vermelha? Então se mate, pois ela corre em suas veias”.

Em minha opinião, críticas ao PT ou a outros partidos são normais. Faz parte da democracia. Já o ódio é condenável. Felizmente, por esse levantamento do Vox Populi, o ódio é menor do que se pensa. Ainda bem!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Publicado no TRIBUNA DO GUAÇU em 20/6/2015

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