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terça-feira, 2 de junho de 2015

Marin e o assassinato de Herzog, por Jasson de Oliveira Andrade


A polícia suíça prendeu no dia 27/5/2015 a pedido dos Estados Unidos José Maria Marin, ex-presidente da CBF ( Confederação Brasileira de Futebol ). Ele é suspeito de fraudes, extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro. Por este motivo, Marin foi banido temporariamente da FIFA. Se o presente dele é comprometedor, o seu passado político o condena.

Na biografia de José Maria Marin ( Wikipédia ) consta que ele iniciou no futebol no São Paulo F.C., como ponta-direita [ ou extrema-direita, como também se dizia ]. 
Na política, ele iniciou como político de extrema-direita. Segundo noticiou Wikipédia, em 1963, Marin se elegeu vereador na Capital pelo Partido de Representação Popular (PRP), fundado pelo integralista (sic) Plínio Salgado, portanto, partido fascista e de extrema-direita. Diz ainda a enciclopédia: “Na década seguinte, [ Marin ] foi deputado estadual pela ARENA [ partido da Ditadura Militar ], proferindo discursos inflamados ( sic ) contra a esquerda. O mais notório deles foi publicado em 9 de outubro de 1975, no Diário Oficial do Estado de São Paulo. O texto criticava a ausência da TV Cultura na cobertura de eventos do partido ( sic ) e exigia uma providência para que a “tranqüilidade” voltasse a reinar no Estado. 
Mais tarde, o discurso passou a ser visto como uma das causas que levaram a morte do jornalista Vladimir Herzog [ na época diretor da TV Cultura ] 16 dias depois”. Herzog foi preso, torturado e morto. O governo dizia que ele se suicidou. Na verdade, ele foi "suicidado”, como se comprovou depois. 
Adiante, a biografia Wikipédia faz essa revelação: “Após o fim do regime militar, Marin foi perdendo prestígio político com o passar dos anos”.

Aiuri Rebello e Rodrigo Mattos, na reportagem sob o título “Marin foi ligado à ala radical da ditadura, dizem arquivos do regime”, que foi publicada no UOL ( Folha ), em 11/4/2013, revelam: “José Maria Marin teve ligação com a ala mais radical ( sic ) do governo militar, conexões com órgãos de vigilância e de repressão ( sic ) e fez elogios ao regime. É o que revelam documentos dos arquivos da ditadura obtidos pelo UOL Esporte”. Outra informação dos jornalistas: “Em 1966, foi para a Arena ( Aliança Renovadora Nacional ), partido do governo [ militar ]. A partir daí, iniciou sua ascensão com a ajuda do núcleo do regime. A ficha do Marin no SNI [ órgão criado pelo general Golbery ] conta que ele chegou à presidência da Câmara de vereadores graças a manobras nos bastidores do Ministério da Justiça, cujo titular era Gama e Silva, e de militares ( sic ). O jurista [ Gama e Silva ] foi o redator do AI-5 ( Ato Institucional nº 5 ), que cassou ( sic ) direitos políticos e instituiu o período mais negro ( sic ) da ditadura no fim de 1968 (...) Uma análise do SNI, anterior à votação na Câmara [ que o elegeu Presidente ], descreveu Marin: “É considerado fraco ( sic ) por seus pares”.

Em 2013, Marin procurou se defender da acusação de que foi um dos responsáveis pela morte de Herzog, usando para tanto o site da CBF, que presidia na época. Roldão Arruda, na reportagem “Marin usa CBF para se explicar sobre o Herzog”, publicada no Estadão, em 14/3/2013, ouviu o filho de Herzog: “Ao tomar conhecimento da iniciativa da CBF, Ivo Herzog manifestou surpresa. “Há um ano a entidade vinha dizendo que não iria se manifestar sobre o assunto porque se tratava de uma questão particular. E agora? O que mudou?” (...) Na opinião de Ivo, a presença de Marin na presidência da CBF compromete a imagem do Brasil: “É como se a Alemanha tivesse convidado um membro do antigo partido nazista ( sic ) para organizar a Copa de 2006”.

O jornalista Audálio Dantas, autor do excelente livro “A duas guerras de Vlado Herzog – Da perseguição nazista na Europa à morte sob tortura no Brasil” ( Editora Civilização Brasileira, 2012 ), em depoimento a Juliana Sayuri ( Aliás, Estadão em 3/3/2013 ), confirmou as críticas de Marin ao Herzog. O fato, portanto, não pode ser desmentido: já faz parte de nossa História, como essa sua prisão atual!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 2/6/2015


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