quarta-feira, 24 de junho de 2015

Genoíno, Por Jasson de Oliveira Andrade



Não sei se é cedo para falar sobre o Genoino. Ainda prevalece a sua condenação no “mensalão petista”. Com o tempo, talvez, conheceremos a verdade: inocente ou culpado? Neste texto pretendo expor fatos para um julgamento, provavelmente, parcial. Vamos aos fatos.

Na mocidade, estudante, Genoino se tornou um guerrilheiro na região do Rio Araguaia. Este fato está relatado no livro “Guerra de guerrinhas no Brasil”, de Fernando Portela. O livro foi publicado pela Global Editora em agosto de 1969, baseado em reportagens do jornalista no Jornal da Tarde, hoje extinto e pertencente ao grupo do Estadão. Nesta guerrilha Genoino esteve preso e foi torturado. Na época ele pertencia ao PC do B. Mais tarde rompeu com esse partido e se filiou ao PT.

No PT, Genoino se elegeu deputado federal por São Paulo. Era o parlamentar que mais conhecia o Regimento Interno. Por isto, era sempre consultado até por seus adversários. No livro “Entre o Sonho e o Poder” (2006), depoimento à jornalista Denise Paraná, ele relata esse bom relacionamento. Este foi o motivo que era respeitado pelos adversários. Em 2002, foi candidato ao governo do Estado de São Paulo, tendo sido derrotado por Alckmin, no segundo turno. Neste mesmo ano, foi eleito presidente Nacional do PT, substituindo José Dirceu, nomeado ministro. Aí começou sua desgraça. Por ocupar este cargo, Genoino, em 2005, é denunciado no escândalo do mensalão.

No referido livro, no Item “Mensalão”, Genoino se defende, afirmando que os empréstimos bancários por ele assinados foram legais e estavam sendo pagos normalmente. Mesmo assim, foi denunciado nesse ano. Em 2/9/2006, a Folha noticiou: “O tucano José Serra saiu ontem [1/9/2006] em defesa de José Genoino, ex-presidente do PT. Para Serra, é “exagerado” chamar o petista de mensaleiro (sic)”. No entanto, o Supremo Tribunal Federal o condenou, em novembro de 2012. Em vista dessa condenação, a jornalista Dora Kramer escreveu um artigo (“Nome a zelar”), publicado no Estadão (6/11/2012), afirmando: “Se alguém provoca lamentos e sentimentos sinceros de solidariedade no PT por causa das condenações no Supremo Tribunal Federal, é José Genoino E NÍNGUÉM MAIS ( destaque meu )”. Adiante ela escreve: “Fala-se com sincero pesar do destino de Genoino. “Não merecia” são duas palavras recorrentes”, afirmando ainda que “o então presidente do PT entrou na história como Pilatos no Credo”. A opinião de Kramer, que escreve artigos contra o PT, é insuspeita, como a do José Serra (PSDB)!

Até mesmo no Supremo houve discordância. Felipe Amorim, em 3/10/2012, noticiou que o ministro Ricardo Lewandowsk pediu a absolvição de José Genoino. Na opinião do ministro, “o réu [ Genoino ] se viu obrigado a enfrentar a kafkiana tarefa de defender-se de acusações abstratas”, concluindo: “Genoino está sendo acusado por condutas estatutárias e inerentes às funções de presidentes de legendas políticas”. O voto dele foi polêmico e sua decisão contestada por muita gente. Ele foi, então, considerado “bandido” e o ministro Joaquim Barbosa, que o condenou, “mocinho”. Já Paulo Moreira Leite, no livro “A Outra História do Mensalão” ( Geração Editorial, 2013 ), tem opinião parecida: “O principal indício contra José Genoino é ter assinado pedidos de falsos empréstimos em nome do partido que presidia [ PT ]. Mas os empréstimos eram verdadeiros, sustenta (sic) investigação da Polícia Federal, derrubando a análise do Procurador Geral da República. Em outra contradição, o PT não só pagou os empréstimos devidos, mas fez negociações supervisionadas (sic) e aprovadas (sic) pela Justiça”.

Esses são os fatos. Agora o julgamento ( culpado ou inocente? ) fica ao seu critério, caro leitor...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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