Monitor5_728x90

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Militares que iniciaram o Golpe de 64 foram marginalizados, Por Jasson de Oliveira Andrade




Os dois oficiais que iniciaram o Golpe de 64, Carlos Luís Guedes e Mourão Filho, foram, estranhamente, marginalizados e substituídos por Castelo Branco e Costa e Silva, primeiro e segundo ditadores.

Carlos Luís Guedes escreveu um livro, “Tinha que ser Minas’ ( onde iniciou o Golpe ), publicado postumamente em 1979 pela Editora Nova Fronteira. Ele morreu em Londres, em junho de 1976, vítima de um acidente. 
No livro, nada se diz como ele ocorreu. Luís Guedes, na obra, revela que foi marginalizado. Ao invés de ser, pelo menos, promovido, como esperava e merecia (sic), foi avisado, em conversa com Costa e Silva que iria ser afastado da ativa. À página 242, Guedes publica o que respondeu ao receber essa notícia: “Como compulsória? Não houve uma revolução? Como admitir que seu chefe, vitorioso (sic), seja imediatamente transferido para a reserva?”. Adiante, depois dessa conversa, o então governador de Minas, Magalhães Pinto, que estava presente, comentou: “Viu, General Guedes? Parece que estão aborrecidos porque fizemos uma revolução e fomos vencedores (sic)”. Guedes respondeu: “Compreendi muito bem o que está se passando. Mourão já foi anulado (sic) e pretendem fazer o mesmo conosco (sic)”.

No Capítulo “A promoção que não houve”, à página 307, Guedes revela a conversa que teve com o Marechal Adhemar de Queíroz, que o avisou: “A contragosto (sic) resolvi falar com você. Houve uma mudança de critério (?) em reunião de ontem no Palácio Laranjeira. Assim ficou resolvido que seu nome não mais seria incluído na lista [de promoção] hoje organizada. (...) Ah! Pilatos! Como teu exemplo frutificou e como se torna fácil condenar, desde que se lave as mãos. Meu nome não constando da relação, Castelo não poderá promover-me” Revoltado, ele fez esse desabafo: “Não acho graça. Desejava, apenas, que esses que suprimiram meu nome dissessem o que faziam e onde estavam dia 31 de março quando ergui a cabeça em Minas”. À página 313, Guedes afirma: “Costa e Silva era o novo Presidente. Veio a primeira promoção: uma vaga de General de Exército. Foi promovido o Sizeno. Não estranhei: ele fora chefe de gabinete de Costa e Silva e lhe era muito afeiçoado (sic). Só em noticiário na TV houve um reparo na voz de Heron Domingues: “Mais uma vez preterido (sic) o General Guedes”.

À página 316, mais esse desabafo do General Guedes: “Nunca pedi nada. Nem desejei. A promoção era um direito (sic) como parte de minha carreira”, acrescentando: “Não fui promovido porque não quis transigir (sic). Maneira branda (sic) de dizer: não me vendi (sic)”. No último capítulo esse desabafo final: “Não posso fugir a uma constatação melancólica: Terra tão grande. Homens tão pequenos” (sic). 

Sem comentário!

No diário de Mourão Filho, “Memórias de um conspirador” pouco tem a acrescentar às declarações do General Guedes. Apenas uma revelação dele merece ser comentada. Como ele havia declarado que Jango e Brizola não eram comunistas, Mourão Filho fez esse reparo: “Não posso concordar (sic) com o trecho do meu manifesto de 31 de março no qual foi expresso que Goulart era comunista. Eu não redigi (sic) aquela frase na madrugada de 31 de março”. Segundo ele, a frase pode ter sido acrescida por Antonio Neder, a quem entregou o texto para revisão, afirmando ainda: “Assinei o manifesto sem relê-lo, confiando no Neder”. 

Essa revelação dele prova que o anticomunismo era explorado para justificar o Golpe e amedrontar a população! Portanto, confirma-se que o Golpe de 64 não salvou o Brasil do comunismo, como dizem até hoje os golpistas: é uma mentira, balela...

FRASE: “Eu achava que se o tal comunismo era sinônimo de falta de liberdade, não fazia nenhum sentido acabar com a liberdade e as eleições em nome do anticomunismo”. Alfredo Syrkis, “Os Carbonários”, página 25.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 30/04/2015

.

.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe