quinta-feira, 7 de maio de 2015

Kruel traiu Jango por maletas de dólares?, Por Jasson de Oliveira Andrade


Amaury Kruel, com Jango
O general Amaury Kruel foi determinante para a vitória do Golpe de 64. No entanto, no início, o comandante do IIº Exército era contrário aos golpistas, apoiando João Goulart, Jango, de quem era compadre. Segundo a versão da época, Kruel condicionou seu apoio ao rompimento com a CGT (Comando Geral dos Trabalhadores). Mas o presidente objetou, alegando que o apoio da classe trabalhadora lhe era indispensável. Já em 2013, o então Major do Exército Erimá Pinheiro Moreira apresentou outra versão sobre o apoio de Kruel, que iremos mostrar a seguir.

Antes de entrar no assunto deste artigo, vamos focalizar duas denúncias contra Kruel. No livro “O Grande Irmão – O Governo dos Estados Unidos e a Ditadura Brasileira” (Civilização Brasileira, 2008), o historiador Carlos Fico, à página 149, revelou: “Em outras ocasiões, Castelo [Branco, primeiro ditador], mencionou a Gordon [Embaixador dos Estados Unidos no Brasil em 1964] acusações graves de corrupção (...) contra Amaury Kruel, comandante do IIº Exército (que teria obtido um empréstimo ilegal (sic) do Banco do Brasil para comprar uma fazenda de café)”. 
No livro “1964: O Golpe” (L&PM, 2014), Flávio Tavares, à página 171, fez essa revelação: “Ao longo de 1963, quando ministro da Guerra (provavelmente de Jango), Kruel foi atacado violentamente (sic) por Leonel Brizola, que sobre ele lançou a suspeita de “corrupto” (sic) no caso dos pagamentos à norte-americana American and Foreign Power”.

O jornalista Mário Augusto Jakobskind (foi repórter da Folha), no artigo Milicanalhas: “Quando os DÓLARES falam mais alto”, publicado em 3/10/2013, relatou assim as graves acusações do então Major Erimá: “O Major farmacêutico em questão, servia em São Paulo em 31 de março de 1964 sob as ordens do então comandante IIº Exército. Na manhã daquele dia, Kruel dizia em alto e bom som que resistiria aos golpistas (sic), mas em pouco tempo mudou de posição”. 
A seguir o jornalista informa: “Mineiro de Alvinópolis, Erimá Moreira, hoje com 94 anos [2013], e há muito com o fato ocorrido naquele dia trágico atravessado na garganta (sic), decidiu contar em detalhes o que aconteceu. O militar, convidado a assumir a direção de um hospital, foi procurado por Kruel no hospital. Naquele encontro, o general garantiu ao major que Jango não seria derrubado (sic) e que o IIª Exército garantiria a vida do Presidente da República. (...) Pois bem, a 2 da tarde Erimá foi procurado por um emissário (sic) de Kruel de nome Ascoli de Oliveira [na verdade, Tito Ascoli Oliva Maya, ou seja, Oliva e não Oliveira] dizendo que o general queria se reunir com um pessoal fora das dependências do IIº Exército. Erimá indicou então o espaço do laboratório localizado na esquina da Avenida Aclimação. Pouco tempo depois apareceu o próprio comandante do IIº Exército, que antes de se dirigir a uma sala onde receberia os visitantes pediu ao então major que aguardasse a chegada do grupo. (...) Erimá Moreira ficou aguardando até que apareceram quatro pessoas, um deles o presidente interino da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), de nome Raphael de Souza Noschese, este já conhecido do major. Três dos visitante carregavam duas maletas grandes cada um [total: seis maletas!]. Erimá, por questão de segurança, porque temia que pudessem estar carregando explosivos ou arma, mandou abrir as maletas e viu uma grande quantidade de notas de dólares (sic). Terminada a reunião foi pedida que a equipe do major levasse as maletas [seis!] até o porta-malas do carro de Amaury Kruel, o que foi feito (sic)”. Quando Erimá soube da traição dele, falou para si mesmo: “(...) pelo amor de Deus será que ajudei Kruel a derrubar o presidente da República?” 
Tudo indica, que sim!

O emissário de Kruel, Tito Ascoli de Oliva Maya, foi o presidente da Comissão de Investigação e Inquérito do SAMDU de São João da Boa Vista, que culminou com a minha demissão deste órgão. Mas essa é outra historia...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 07/05/2015

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