segunda-feira, 11 de maio de 2015

Imprensalão-Governo Estadual tucano de SP e os professores



Recentemente disse um secretário do Alckmin - tá no Estadão, acho que em 07.05 - que não haveria reajuste pros professores por causa duma tal "queda de arrecadação". A matéria não aprofunda, mas não surpreenderia se fosse para culpar a crise no país pelo fato de o Governo estadual não dar esse reajuste. 

Mas ele ESTÁ mesmo dizendo isso, de forma subliminar: se há queda na arrecadação e grande parte dela vem do ICMS, o imposto estadual sobre o consumo, então isso significa queda no comércio e na atividade econômica.


Assim, a tarefa estaria duplamente - triplamente - cumprida: reforçar a crença de que há uma crise cavalar no país ( lembram do governo FHC, de 98 em diante? Não, né? ) que nos tornará a Alemanha pré-Segunda Guerra Mundial ; demonstrar que os professores xiitas exigem mais do que o governo Alckmin tem condições de oferecer, apesar da boa vontade deste; e não falar nada ou questionar sobre o porque de o governo tucano não ter dado então esses reajustes no período de vacas gordas.


NÃO É DE HOJE
Vocês irão certamente se surpreender, sobretudo os mais novos, os distraídos, ou os que sempre acreditaram na imparcialidade do imprensalão, mas - olha que revelação! - não é a primeira vez que este vem em auxílio do governo estadual tucano de SP para justificar o arrocho sobre os professores.

Casualmente, fuçando aqui meu arquivo maldito, achei um recorte do Jornal da Tarde de 16.03.2008 ( sete anos atrás ). 

O jornal JT - e esperamos que seja uma tendência - quebrou, faliu e foi fechado.

Mas, como não tem arquivo na Internet, eu tive que buscar noutra fonte e encontrei num lugar "surpreendente": o mesmo Estadão ( http://www.estadao.com.br/noticias/geral,sp-gasta-r-1-bi-por-ano-com-professores-aposentados,141159 )

A reportagem em questão culpava a previdência dos professores aposentados do setor público pelo fato de não se reajustar os salários dos professores ativos ( No JT: "Custo de benefícios impede reajuste de ativos" ).

O texto principal tinha a manchete chamativa: "R$ 1 bilhão para aposentadoria dos professores", demonstrando a generosidade com que eram contemplados os professores aposentados e inativos, e sugerindo que isso se dava à custa do salário dos ativos e da construção de centenas de escolas, já que o governo seria obrigado a desembolsar esse bilhão como complemento, pois a contribuição feita por eles seria "insuficiente".

Dizia o texto: "Os dados são de um estudo inédito do economista José Cechin, ex-ministro da Previdência". Faltou destacar que ele foi ex-ministro da Previdência de Fernando Henrique Cardoso, do mesmo partido de Alckmin.

Sabe o que tem interessante? Em 23 de Março último o jornal Diário de SP estampou na capa que o governo de SP tinha ( TCHAMMMM! Que novidade! ) um bilhão disponível para os bônus dos professores. Isso no dia seguinte à primeira manifestação dos professores, que reuniu de 30 a 60 mil professores na avenida Paulista. No entanto, curiosamente, não falou nada sobre ela. Ou seja, apresentou a história do bônus sem relacioná-la a alguma greve. O comportamento de esconder essa greve tem sido a tônica da imprensa, diga-se de passagem. 

Em seguida, em 21 de Abril, o site VIOMUNDO publicou denúncia da presidente da APEOESP, que acusou o mesmo Diário de São Paulo ( como se só ele fizesse isso ) de atacar os professores para blindar o governo Alckmin: http://www.viomundo.com.br/denuncias/diario-de-s-paulo-ataca-professores-para-blindar-governo-do-psdb.html


O círculo se fecha.
A versão que se dá é sempre a do governo estadual ou de pessoas ligadas ao PSDB e lastreada pela opinião de economistas do mercado ou que se filiam a essa visão ideológica. 

Não por acaso, dois outros personagens com credencial de especialistas, citados na matéria do ESTADÃO/JT mencionada acima, e que amparam a argumentação da generosidade com os aposentados vorazes, são Fábio Gambiagi e Samuel Pessoa ( uma pequena busca nos nomes dos dois nos leva ao site do Instituto Millenium, neoliberal, aquele tipo de ideologia que propõe corte nos gastos públicos - sobretudo nos gastos sociais, salários de funcionários públicos, aposentadorias - e a diminuição do Estado; além disso, Samuel Pessoa foi coordenador econômico da campanha de Alckmin em 2006 http://www.horadopovo.com.br/2006/abril/21-04-06/pag3b.htm . Mas isso, "curiosamente", não foi mencionado na reportagem. Assim, com esse "esquecimento", daria para mostrá-lo como "especialista imparcial", sem vínculos com partidos políticos... ). 

Mas essas questões teóricas não são pro meu bico, infelizmente. Só me resta, devido às minhas limitações, mostrar que de imparcial a imprensa não tem nada, e alguns especialistas possuem suas inclinações, mas nem sempre estas inclinações são claramente apresentadas ou mostradas ao público.

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