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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Torneiras secas, mas chove din-din: Alckmin paga R$ 500 mil em bônus a diretores da SABESP por seu excelente desempenho à frente da empresa



Em ano de falta de água, Sabesp descumpre metas, mas paga bônus a diretores

Em um ano marcado pelo agravamento da crise de falta de água em São Paulo e por uma queda de 53% no lucro, a Sabesp pagou R$ 504 mil a sete diretores da empresa como prêmio pelo desempenho à frente da companhia. As informações sobre os pagamentos de bônus constam do relatório de sustentabilidade da companhia referente a 2014.

A divulgação do pagamento de bônus coincide com o anúncio de redução dos investimento das companhia na rede de esgoto e com a autorização de reajuste de 13,8% nas tarifas de 2015.

O pagamento de bônus salariais aos diretores da Sabesp é regulamentado pelo decreto 59.598 assinado em 2013 pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Entre os diretores da companhia com direito a bônus está o diretor de sistemas regionais, Luiz Paulo de Almeida Neto. O presidente, Jerson Kelman, por ter entrado na companhia em 2015, não teve direito à remuneração extra.

Apesar de regulamentado em 2013, o pagamento acontece pelo menos desde 2007. De acordo com levantamento feito pelo UOL com base em dados disponíveis no site da companhia, desde 2008, a Sabesp já pagou R$ 5,8 milhões em bônus aos seus diretores.

O pagamento de bônus a executivos é uma prática comum em empresas do setor privado e vem sendo implantado em sociedades de economia mista, como é o caso da Sabesp, onde o principal acionista e controlador é o governo paulista.

De acordo com o programa de participação de resultados da empresa, os bônus podem ser pagos desde que a empresa atinja metas estipuladas no início do ano, tenha lucro trimestral, semestral e anual e faça a distribuição de dividendos aos acionistas.

No entanto, em 2014, apenas três das sete metas determinadas pela empresa foram cumpridas. Ainda assim, os bônus aos executivos da companhia foram pagos. Também em 2014, a Sabesp pagou R$ 504 mil aos sete diretores da companhia. Os valores pagos a cada um dos diretores não foram divulgados.

Além de terem ocorrido durante o ano em que a Sabesp implantou medidas para restringir o consumo de água, como descontos para quem gastar menos e sobretaxa para quem gastar mais, os pagamentos de bônus da Sabesp chamam a atenção pelo descompasso em relação a alguns dados financeiros da companhia.

Enquanto o lucro da estatal caiu 53% entre 2013 e 2014, o pagamento de bônus recuou apenas 11% no mesmo período, saindo de R$ 566 mil em 2013 para R$ 504 mil. 

Os R$ 504 mil pagos em bônus aos diretores da estatal representam 0,02% do volume de recursos investidos pela Sabesp em infraestrutura em 2014, segundo dados da empresa. 

Questionada sobre o pagamento de bônus a seus executivos, a Sabesp informou que a remuneração mensal de cada um de seus diretores foi de R$ 20,5 mil, acrescidos de metade desse valor cada mês caso as metas estipuladas pela companhia sejam atingidas.

Ainda segundo a nota, "apesar de a Sabesp ser a maior empresa de saneamento do país, esta remuneração total é inferior à de outras companhias estaduais de saneamento e muito inferior à remuneração de diretores de empresas do porte da Sabesp". 

( UOL )

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Após bônus a diretores, Sabesp quer aumento de 22% na conta

Empresa tenta conter crise provocada pela queda nos níveis dos reservatórios da Grande São Paulo

A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) quer aumentar a tarifa de água e esgoto em 22,7%, quatro meses após último reajuste feito pela companhia. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, se concluído, o aumento será o maior em 15 anos e ocorreria após a Sabesp pagar bônus de R$ 504 mil para seis diretores, mesmo diante da pior crise de abastecimento vivida pela cidade .

A bonificação paga aos diretores no ano passado foi 11% menor do que em 2013, quando chegou a R$ 566 mil. O benefício representa acréscimo de R$ 20.590 ao salário dos executivos. Por causa da crise, o lucro da Sabesp em 2014 foi 53% menor do que o ano anterior, representando queda de R$ 1 bilhão. Em nota, a empresa afirma que o bônus pago aos diretores em 2014 se refere ao exercício de 2013, quando não havia crise hídrica. Segundo a empresa, o lucro é calculado ao final de cada ano e pago aos executivos no ano seguinte.

Sobre o aumento de tarifa, a Sabesp propõe um índice que é quase o dobro dos 13,8% autorizados previamente pela agência reguladora e discutido nesta quarta em audiência pública. Para entidades ligadas à defesa do consumidor, do meio ambiente e da indústria, as duas propostas são abusivas.

Para o diretor econômico-financeiro e de relações com investidores da Sabesp, Rui Affonso, o reajuste de 13,8% autorizado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) não garante o equilíbrio financeiro da empresa. Vale lembrar que, para tentar evitar um racionamento oficial, a Sabesp ofereceu aos consumidores uma série de bônus para quem conseguisse economizar água.


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