quinta-feira, 9 de abril de 2015

PP tem o maior número de Investigados do Lava Jato, Por Jasson de Oliveira Andrade



Nos Estados Unidos só existem dois partidos (*): o Republicano e o Democrata. O partido vencedor não precisa comprar políticos adversários: governa com seu partido. No Brasil, ao contrário, temos mais de 30 partidos. O presidente ou presidenta eleito tem que comprar políticos de outros partidos, seja com cargos ou com dinheiro. Queira ou não queira!

Quem pensa que no Lava Jato, os políticos investigados sejam em maior número do PT ou do PMDB está enganado. O partido nessa situação é o PP (Partido Progressista) de Paulo Maluf. Este tem três senadores, 19 deputados federais e 10 ex-deputados, totalizando 22 investigados. Maluf, marginalizado na agremiação, escapou. Vera Magalhães, no Painel da Folha de 8/3/2015, transcreve uma declaração de Paulo Maluf: “Não estou na lista. Em 48 anos de vida pública, sempre fui correto (sic). Estou com Janot: se alguém deve, tem de pagar”. O PMDB e o PT têm sete investigados cada um. Dos peemedebistas, constam: Renan Calheiro, presidente do Senado e deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara. Do PSDB, um: senador Antonio Anastasia (MG). Do PTB também um: senador Fernando Collor (AL).

O cientista político Carlos Melo, no texto publicado no Estadão (3/4/2015), sob o título: “De gigante a nanico, sem perder o DNA”, faz uma análise sobre o PP. É longa, mas vale a pena conhecer: “O Partido Progressista foi PDS e, antes, Arena, esteio dos militares definido por Francelino Pereira como “o maior partido do ocidente”. (...) Na transição do regime militar para o civil, já PDS, dividiu-se em facções nominadas por candidatos a candidatos à sucessão do general João Figueiredo (1979-1985). Derrotado por Tancredo Neves, Paulo Maluf, vencedor da convenção governista que disputaria o Colégio Eleitoral, perdeu também a unidade do “grande partido”. (...) Por muito tempo Maluf personificou e se sobrepôs ao PP. Eleitoralmente fortíssimo nos 1990 e influente nos anos 2000, o ex-governador expressava o conservadorismo e a nostalgia – à época tímida - do regime militar e o fisiologismo que moldou quase todo sistema partidário nos anos que se seguiram. (...) A experiência desastrosa de Celso Pitta, invenção de Maluf, fez a influência do criador minguar. (...) Junto com Maluf, o PP perdeu importância e restou como mera legenda de apoio ao governismo em qualquer tempo e lugar, entregando-se com voracidade (sic) ao controle de parcelas das máquina estatal. (...) Figuras como Ciro Nogueira e Mário Negromonte assumiram sua direção sem rejeitar o resiliente malusfismo, agora sem Maluf, que ainda carregam. Alvejados, já não mais cumprem seu papel. O certo é que não surpreende o envolvimento do PP em tantos qüiproquós. (...) Está no seu DNA e na sua história”. 

O que o Brasil precisa é fazer uma reforma política, acabando com muitos desses partidos fisiológicos, ficando legendas ideológicas, o PSDB, o PMDB e o PT. Se isto não ocorrer, teremos a repetição do PP, seja quem estiver no governo!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


(*) Nota deste blog: É uma confusão bastante comum. Existem dezenas de partidos politicos no confuso sistema americano ( o Partido Comunista Americano foi fundado na década de 20 do século passado, por exemplo, e existe até hoje ), mas os que realmente parecem dividir o poder no país são o Democrata e o Republicano. Não deixa de ser fascinante. Aproveitem e vejam isto: http://ocorreiodaelite.blogspot.com.br/2012/10/eua-os-outros-25-candidatos-presidente.html

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