sexta-feira, 3 de abril de 2015

Divergências entre os golpistas de 64, Por Jasson de Oliveira Andrade



Aparentemente os governos golpistas transcorreram às mil maravilhas, sem divergência. Só aparentemente. Na verdade, houve muita divergência entre eles. Já citamos anteriormente uma: Geisel x Sylvio Frota. Neste artigo, veremos outras.

Desde o início do Golpe já tivemos a divergência entre Costa e Silva, segundo ditador, contra os castelistas ( seguidores de Castelo Branco, o primeiro ditador ). Quem conta é o ex-governador de São Paulo, o biônico ( nomeado ) Paulo Egydio Martins, que consta do livro “Vlado”, de Paulo Markun. À página 194, Paulo Egýdio depõe: “Na passagem do governo Castelo Branco para o Costa e Silva, tive a sensação que éramos mais perigosos (sic) do que qualquer comunista. A perseguição (sic) instituída pelo grupo de Costa e Silva aos castelistas foi quase maior (sic) do que a sofrida pelos integrantes do governo Goulart [Jango], depois da Revolução [Golpe]”. Golpistas civis (por este motivo), Lacerda, Adhemar, Juscelino (JK, como senador por Goiás, votou em Castelo para “Presidente”!), Pedro Aleixo, Vice-Presidente, foi impedido de assumir quando do derrame de Costa e Silva, sendo substituído por uma Junta Militar até a posse de Médici), foram punidos e até presos. Todos! Entre os militares que divergiram, temos o Coronel Dickson M. Grael, que escreveu um livro, “À sombra da impunidade” (sic), no qual mostra que existia corrupção naquela época, e Hugo de Abreu, que foi Chefe do Gabinete Militar de Geisel, em dois livros ( O Outro Lado do Poder e Tempo de Crise ), também denunciou a corrupção do Regime. Tais denúncias, insuspeitas (sic), destroem um mito dos golpistas, até hoje divulgado, de que naquela época não havia corrupção. Outra mentira desmascarada: existia e em grande escala. Só não era conhecida graças à censura!

Outra divergência: Roberto Médici, filho de Emílio Garrastazu Médici, terceiro ditador do Golpe, com João Batista Figueiredo, quinto ditador. Em 1995, na entrevista concedida à Mauad Consultoria e Planejamento Editorial Ltda, ele explicou o que aconteceu:

MAUAD – No enterro de seu pai, o senhor expulsou o general Figueiredo, não?

ROBERTO MÉDICI: Não. Não o expulsei. Impedi que cumprimentasse minha mãe. (...) Havia chegado a hora da saída do corpo do Clube Militar, onde estava sendo velado. Dirigi-me até minha mãe para levá-la ao elevador e, no exato momento que ali chegava, Figueiredo estende a mão para cumprimentá-la. Abracei-a, então, impedindo que ele completasse seu gesto. (...) “Não podia deixar que ela apertasse a mão de quem, como chefe da Casa Militar de meu pai, o havia traído (sic)”. Qual foi a “traição” de Figueiredo? O filho de Médici explica que o motivo foi a declaração de Figueiredo de que Golbery de Couto e Silva, militar poderoso na época, não participaria do governo Geisel e participou! Logicamente havia divergência enorme entre Médici e Golbery. O filho não revelou o que ocorreu entre os dois. Para quem não se lembra, Golbery foi o criador do SNI (Serviço Nacional de Informação), órgão Secreto e Repressão do Governo Militar. Posteriormente, em entrevista à imprensa, ele confessou: “Criei um MONSTRO (destaque meu)”. Arrependimento tardio...

Existem outras divergências, como revela o livro de Carlos Chagas. O próprio nome da obra diz tudo: GUERRA [das Estrelas – Os Bastidores das Sucessões Presidenciais: 1964-1984]! 

O livro de Chagas é importantíssimo porque ele foi Secretário de Imprensa do ditador Costa e Silva, conhecendo, em seus pormenores, o que ocorria nos governos militares!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

PUBLICADO NA “GAZETA GUAÇAUNA” EM 2/4/2015

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