quinta-feira, 16 de abril de 2015

Convidada pela Globo News a comentar manifestação coxinha, jornalista sueca desagrada emissora e é chamada de comunista


CASTOR FILHO, no FACEBOOK

Comentário da jornalista sueca Lotten Collin para a rádio sueca onde ela fala um pouco dos protestos contra o governo que ela cobriu e sua experiência em ter participdo de um programa jornalístico da Rede Globo, como se diz no linguajar popular, ela foi curta e grossa.

Ela diz o seguinte “Rio de Janeiro segunda feira, como sempre todas as manhãs vejo as notícias, jornais, rádio e TV para ter uma visão geral de tudo que está acontecendo e me deparo com os comentários das mesmas pessoas, Merval Pereira fala sobre política, Miriam Leitão sobre economia e Carlos Sandenberg um pouco de tudo, como é possível um país de muitos milhões de habitantes haver tão poucas pessoas para dar as notícias, a resposta é Globo, no Brasil há liberdade de expressão, mas pode esquecer isso, pois a Globo tem total monopólio e é dona do público através das novelas, esporte e desfiles de escolas de samba etc. sempre o mesmo, isso fica muito evidente nos noticiários da emissora, por exemplo, nos últimos meses houve vários protestos contra o governo de Dilma Rousseff e a Globo falou em 2 milhões de pessoas nas ruas, conversei com policiais e outros jornalistas que discordavam desses números e disseram que havia metade disso, é certo que há diferentes formas de dizer a verdade, mas as pessoas só tem uma escolha, a Globo.
Um dia fiquei muito honrada quando a Globo me ligou convidando para participar de um programa jornalístico da GloboNews, para discutir o que os jornalistas estrangeiros pensam sobre os protestos contra o governo, me sentei entre um jornalista da CNN e outro da Bloomberg News, e o apresentador do programa me perguntou o que eu achava dos protestos contra o governo, eu respondi a verdade, que eu fiquei chocada como os brasileiros pensam sobre querer a volta da ditadura, mas ficou bem claro para mim que eram pessoas da classe média branca que estavam nas ruas, então o apresentador me interrompeu e chamou os comerciais, bem no meio da minha resposta, depois dos comerciais uma mulher que nunca vi antes disse para mim, “Lotten pelo jeito você é de esquerda” e ela perguntou para o jornalista da Bloomberg sobre economia. 
Quando terminou o programa o produtor deu uns tapinhas nas minhas costas e disse, “ Aaha, então você é uma comunistazinha” depois do programa, quando voltei para casa meu facebook e meu twitter estava cheio de mensagens, metade eram mensagens amorosas pela minha coragem de ter dito aquilo na Globo, e outra metade eram cheia de ódio, algumas diziam “volte para o lugar de onde você veio e nunca mais volte nesse programa” essa mensagem é verdade, nunca mais voltarei na Globo num programa de debate”

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“Você, que tem fama de esquerdista”: o estranho caso da jornalista sueca na GloboNews

A jornalista Lotten Collin está há dois anos no Rio de Janeiro. Trabalha como correspondente da rádio pública da Suécia.

Após as manifestações de 15 de março, Lotten foi convidada a participar de um programa da GloboNews com dois colegas estrangeiros. Eles dariam suas impressões sobre o evento.

Ali se deu um fato inusitado. A certa altura, a apresentadora Leila Sterenberg embutiu uma observação no início de uma questão para Lotten: “Você, que tem fama de esquerdista…”.

Pega no contrapé, Lotten passou batido e contou o que viu no domingo, especialmente seu choque com as pessoas que pediam intervenção militar e a quantidade de brancos.

Findo o programa, porém, um produtor ainda a saudaria, cheio de confiança: “Olha a nossa comunista”.

Parte dessa conversa está no site da Globo News ( com um banner dos Correios, aliás ). A íntegra com a provocação — chamemos assim — é só para assinantes.

Lotten relatou essa experiência em seu boletim, intitulado “Uma comunista na TV brasileira”. Nele, apontou a onipresença, em seu cotidiano carioca, das opiniões de Merval Pereira, Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão.

Eu conversei com ela sobre a sutil enquadrada e seu choque cultural:

Eu achei muito ruim. Ela me falou, do nada, que eu tinha fama de esquerdista. Não acho certo me dar essa marca. Os outros dois convidados não tiveram esse tratamento. ‘Vocês, que são conhecidos por ser de direita…’

Por que eu?

Fiquei tão surpresa que nem pensei em responder na hora. Aquilo foi colocado junto com a pergunta sobre a manifestação. Depois da gravação, um produtor ainda me falou: “E aqui temos nossa comunista…”.

Recebi muitas mensagens sobre o episódio. A maioria me dando apoio, mas muitos afirmando que eu deveria ir embora. Houve quem no Facebook afirmasse que eu fui cortada quando ela chamou os comerciais. Isso, na minha opinião, não aconteceu.

Eu sou jornalista, não sou partidária, não sou pró-PT. Por que me caracterizar assim?

Não entendi muito as felicitações pela minha coragem. Eu estava tentando apenas fazer o meu trabalho.

No meu texto para a rádio, contei do poder da Globo: ‘Quando acordo pela manhã no Brasil, eu quero ouvir e ver fatos e perspectivas que possam retratar a diversidade do país. Só que, aqui, aparecem sempre as mesmas pessoas. É muito estranho que isso ocorra num país com 200 milhões de habitantes’. E por aí vai.

E pensar que eu fiquei lisonjeada de aparecer na Globo.

Nos anos 70, tornou-se folclórica a maneira como Roberto Marinho teria se referido a alguns de seus funcionários que incomodavam o regime. “Dos meus comunistas, cuido eu”, disse ele a um ministro, segundo a historiografia oficial. Essa passagem aparece em geral para realçar a “hombridade” do doutor Roberto.

A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

( DCM )

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