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sexta-feira, 3 de abril de 2015

A corrupção no tempo da Ditadura Militar ( era maior ), Por Jasson de Oliveira Andrade





No dia 31 de março ou 1º de abril deste ano, comemorou-se o 51º aniversário do Golpe de 64. Em 2015, a data merece ser relembrada, principalmente porque na passeata de 15 de março contra o governo (Fora Dilma) um pequeno grupo pediu a volta da Ditadura Militar. O motivo dessas viúvas do Golpe se deve à corrupção. Para esse grupo, naquela época não existia corrupção. É verdade? Não! É o que iremos PROVAR a seguir.

Aparentemente os governos militares transcorreram às mil maravilhas, sem divergência. Só aparentemente. Na verdade, houve muita divergência entre eles. O que nos interessa para conhecer o tema deste artigo, é a divergência entre os militares golpistas. Eles lideraram o Golpe de 64 e depois, descontentes com o rumo que o governo tomou, principalmente, no que diz sobre a corrupção, ou seja, da roubalheira, romperam com o governo.

Entre os militares que divergiram, temos o Coronel Dickson Grael, que escreveu um livro, “À sombra da impunidade (sic)”, no qual mostra que existia corrupção naquela época, e Hugo Abreu, que foi Chefe do Gabinete Militar do presidente (ditador) Geisel, em dois livros (O Outro Lado do Poder e Tempo de Crise), também denunciou a corrupção do Regime. Grael inicia seu livro com esse desabado: “1964 foi a esperança que virou desilusão. (...) O regime criado [por civis e militares] acabou se transformando em uma oligarquia (sic) arbitrária e prepotente que, hipocritamente (sic), vem acobertando violências, enquanto uma malta de ladrões (sic) comete toda sorte de falcatruas (sic), enriquecendo seus patrimônios e suas contas bancárias no exterior (sic).”

À página 23, o autor faz referência ao “Relatório Saraiva” (Oficial Militar), com declarações do advogado Francisco Pinto, em 3/10/1978. Nelas ele acusava o Sr. Delfim Netto de, quando embaixador do Brasil em Paris, haver recebido elevadas (sic) propinas em transações efetuadas entre o governo brasileiro e fornecedores franceses. Adiante Grael ainda revela: “Outras denúncias (algumas bem escabrosas), envolvendo já não apenas Delfim Netto, mas também dois de seus antigos assessores, José Maria Vilar Queiroz e Carlos Alberto Andrade Pinto. (...) Revela-se, assim, mais uma vez, a face arbitrária do autoritarismo, negando à Nação o direito de tomar conhecimento de fatos relacionados com a corrupção a nível oficial (sic)”.

Delfim Netto era PODEROSO naquela época. Quem diz isto é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em 28/11/2014. Segundo FHC, nesta reportagem de Vasconcelos Quadros, do Ig, Costa e Silva não queria punir o então deputado Mário Covas (MDB), mas o fez por sugestão de Delfim Netto: “Esse eu conheço. É de Santos. Esse é socialista mesmo”. Com essa intervenção dele, Covas foi cassado. Graças a esse Poder, o “Relatório Saraiva” foi arquivado e Delfim Netto e seus auxiliares não foram punidos! Hugo Abreu, no seu livro “O Outro Lado do Poder”, à página 191, depois de elogiar Geisel, com quem trabalhou por 4 anos, fez essa ressalva: “Ele (Geisel) não exigia dos seus ministros a mesma conduta [dele]. Envolvido (sic) por um grupo que utilizava, inclusive, o suborno (sic) como meio de ação, talvez, por isso mesmo, alguns de seus ministros usavam e abusavam das benesses oficiais. E, pior, algumas das pessoas acusadas de corrupção (sic) eram bastante chegadas (sic) ao Presidente”.

Em seguida, o autor citou 12 itens sobre corrupção, que não podemos transcrever na integra, por falta de espaço. No outro livro, “Tempo de Crise”, Hugo Abreu cita outros fatos. À página 259, ele afirma: “A luta contra a corrupção foi abandonada (sic); esta constitui hoje uma praga daninha (sic) a minar a autoridade do governo”. Tais denúncias, INSUSPEITAS, destroem um mito dos golpistas, até hoje divulgado, de que naquela época não havia corrupção. Outra MENTIRA desmascarada: existia, sim, e em grande escala. Só não era conhecida graças à censura. Atualmente, na DEMOCRACIA, sem a censura, a imprensa, escrita e falada, divulga, diariamente, a corrupção. Outra vantagem da DEMOCRACIA: a população pode, LIVREMENTE, protestar nas ruas. Na Ditadura Militar isto seria impossível. Quem fosse às ruas protestar contra a corrupção daquela época seria preso, torturado e até assassinado!

Aos que defendem a Ditadura Militar por causa da corrupção, eu recomendo a leitura dos livros de Grael e de Hugo Abreu. Se mesmo assim você ainda é a favor do governo militar não é por causa da corrupção: o motivo é que você é de extrema-direita, mesmo que negue...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

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