Monitor5_728x90

sexta-feira, 27 de março de 2015

Manchetes desinformativas e a eterna blindagem tucana


A manchete desinformativa

"Lucro da Sabesp despenca 53% em ano de crise"

Acima esta a forma como o IG quis chamar a atenção dos leitores para notícia sobre problemas envolvendo a SABESP. Reproduzi-a ontem mesmo neste blog, mas trocando o título, como quase sempre faço: "Barbeiragem do PSDB derruba lucro da SABESP em 53%, endividamento chega a limite, rodízio não está descartado, empresa dá calote na Prefeitura de São Paulo e Alckmin indica aliado alvo de ações na Justiça para cargo no Conselho!!!". Não ficou um título de post, mas UM RESUMO FIEL do texto do IG.

Ocorre que não foi suficiente. Ainda me encontrava incomodado, contrariado. Aí resolvi destrinchar o texto e tentar explicar a mim mesmo, e a quem mais ler isto, a razão da contrariedade. Postei primeiro no Facebook. Agora trago para cá, com ligeiras alterações.

Qualquer pessoa, até os nada versados em questões econômicas, - meu caso - teria a impressão justa de ser algo preocupante, já que lucros em queda, em nossa sociedade, são algo que obviamente não merece fogos. "Lucro é bom", é uma opinião unânime né? 
Mas, apesar de ser algo negativo, não recebeu a mesma atenção que a dedicada à Petrobrás que, até recentemente, recebia atestados de óbito diários em nossa imprensa na forma de manchetes explosivas e capas de revista, além de noticiarios de TV apresentados em tom sorumbático. Façam um esforço de memória.

Abaixo do título, em negrito, a informação de que as "contas foram prejudicadas pelo menor consumo de água e pela concessão de bônus para quem economizar"
Isso merecia longos comentários e reflexões ( como, por exemplo, sobre a inversão da culpa, pois o consumidor FOI OBRIGADO A CONSUMIR MENOS ÁGUA, graças ao governo estadual - e não a São Pedro, aliás ), que não me encontro apto a fazer.

Mas não são os lucros da em queda da SABESP ( não cessaram, apenas caíram, e os 5010 acionistas irão receber seus dividendos direitinho, como mostra a matéria ) que queria destacar. É sobre o resto da notícia. Junto do tema "queda dos lucros", temos várias informações de igual importância, baseadas em dados que "fazem parte das demonstrações financeiras da companhia, entregues à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)", a saber:

1 - Não está descartado o rodízio. As águas de março vão ficando para trás, as represas têm menos água do que em março de 2014 (http://www.agora.uol.com.br/…/1608312-represas-tem-menos-ag… ) e chegará o período da estiagem. Mas como é frio a gente usa menos água. Em tese, já que um banho quente no inverno não dá vontade de sair mais do chuveiro rs;

2 - A sobretaxa imposta ao consumidor ( "estímulo", segundo a notícia ) para que este GASTE MENOS água não tem data para acabar, nem o tal bônus;

3 - SABESP deu um CALOTE na Prefeitura de São Paulo: "Para equilibrar as contas, a Sabesp, dentre outras medidas, deixou de repassar recursos ao Fundo Municipal de Saneamento e Infraestrutura de São Paulo previstos no contrato firmado com a prefeitura da capital";

4 - A economia começa em casa, mas não assim, né?. Apesar de ela mesma, SABESP, ser acusada de desperdiçar cerca de 30% ( os números são controversos, mas tem esse aqui: http://epoca.globo.com/…/bsabesp-desperdica-32-da-aguab-que… ) da água que distribui, com vazamentos, falhas e - como a imprensa gosta bastante de mostrar, para amenizar pro lado do governo estadual - fraudes e roubo de água - o que ela faz? Demite funcionários, ou "deixa de contratar". Com menos funcionários, é óbvio que a manutenção não fica lá essas coisas. Mas essa é a regra quando se trata do governo tucano de SP: "enxugue o quadro" e seja o que Deus quiser. Vide o Metrô;

5 - Pros especialistas em ciências contábeis: o nível de endividamento da empresa chegou ao limite: "3,64 vezes o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficando próximo do limite de 3,65 estabelecido em alguns contratos de dívida". Pode não ser nada, mas se não fosse não precisaria constar na matéria do portal.
E imagine um "endividamento no limite" desses envolvendo a Petrobrás, a festa que se faria;

6 - Eterno cabidão tucano. Tempos atrás, José Serra descolou pro amigo, ex-senador do MT pelo PSDB, Antero Paes de Barros, um carguinho no Conselho de Adm da SABESP. Assim como, tempos atrás, o mesmo Serra arrumou um cargo de diretoria para o carioca Márcio Fortes ( nome que ressurge hoje graças ao Swissleaks - aqui - e que esteve envolvido num escândalo de notas frias na campanha de José Serra - aqui e aqui  ) na Emplasa.

E Serra foi lá buscar no MT um aliado político pruma vaguinha em estatal. Não bastasse o fato de a gente se perguntar se não havia algum tucano paulista apto a receber a indicação, Serra foi buscar um sujeito que, bem, dêem uma olhada aqui:http://www.horadopovo.com.br/…/f…/2741-11-02-09/P3/pag3i.htm

Seguindo a escrita tucana de aparelhamento, Geraldo Alckmin, segundo a notícia aqui em discussão, descolou uma vaguinha prum aliado político que é alvo de ações na justiça: "Sidnei Franco da Rocha, aliado político de Alckmin e alvo de ações por improbidade administrativa, foi incluído no órgão"

Cada informação dessas destacadas acima mereceria, por si, uma matéria individual. Mas condensaram tudo numa só.

É comum alguns dizerem que a imprensa não mostra os podres tucanos. Não é verdade. Mostra, mas em dimensões reduzidas, com discrição, sem ênfases, fanfarras, Carnaval e nem se estende por meses e anos a fio tocando na tecla, como fazem com a Petrobrás, ou como fizeram com o suposto mensalão, a tapioca, a Lina Vieira. Às vezes você acha tais informações por acaso, perdidas no caderno de Economia do jornal, ou nalgum comentário em colunas sociais. Tem que ser Sherlock. E tem que ter a paciência de Buda. E ler sempre com uma lupa e atenção redobrada, pois as edições e manipulações feitas causam inverdades e confusões. As manchetes às vezes são desmentidas pelos próprio texto. às vezes os gráficos que as ilustram desmentes manchete e texto. Lembro de uma, que saiu no finado Jornal da Tarde, acho que em 2008, em que dizia que a renda do brasileiro tinha caído não sei quantos por cento em dez anos. Só que o gráfico mostrava que a renda havia caído mesmo em 2 ou 3 anos anos, acho que no período entre 1999 e 2002 ( governo FHC ) e COMEÇADO A SE RECUPERAR a partir de 2003 até 2008, só que a queda havia sido tão brutal que mesmo a recuperação até 2008 não permitira ainda chegar aos patamares de antes da queda, dez anos antes. Ou seja, havia sido uma queda até 2008 em relação a 1999, mas havia tido uma recuperação de salarios e essa recuperação se deu num periodo dentro e a partir do governo do Lula. Só que noticiaram de uma forma que pareceia que a queda se deu EM SEU GOVERNO. Os graficos provavam que não, MUITO PELO CONTRÁRIO.

.

.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe