sexta-feira, 6 de março de 2015

Golpe de 64 salvou o Brasil do comunismo?, Por Jasson de Oliveira Andrade



Neste primeiro artigo de cinco sobre o 51º aniversário do Golpe, responderei a pergunta que encima este texto.. Atualmente, como naquela época, predomina a falsa idéia de que o Golpe salvou o Brasil do comunismo. Escrevo este artigo não para os golpistas militares e civis, mas para aqueles que acreditam nessa farsa.

O general Olimpio Mourão Filho, que iniciou o Golpe de 64 em Minas, juntamente com o general Carlos Luís Guedes, prestou um depoimento em seu Diário, que merece ser divulgado, por ser insuspeito, visto que sem ele o golpe não teria se concretizado. Mourão declarou: “É evidente que Goulart e Brizola nunca foram comunistas (sic)”. Ora, se eles nunca foram comunistas, como queriam implantar o comunismo no Brasil?

Fala-se também que Jango queria transformar o Brasil numa nova Cuba, Outra falácia. Flávio Tavares, no livro “1964: O GOLPE”, publicado em 2014, à página 243, constatou: “A ameaça de “cubanização do Brasil” foi a bandeira principal dos golpistas, inventada (sic) pela fantasiosa paranóia (sic) do atraso e medo daqueles anos. Os fatos concretos (que o autor revela no livro), no entanto, levam a outra visão e sepultam (sic) essa ideia”. O senador Josè Serra (PSDB-SP), em seu livro de memória do Golpe de 64, publicado em 2014, também desmonta essa farsa. Mesmo assim os golpistas continuam batendo na mesma tecla!

O historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira, no livro “O Governo João Goulart”, 8ª edição, 2010, à página 299, relata esse fato histórico, que demonstra como se iniciou a farsa: “Já naquela época, janeiro de 1964, o deputado Olavo Bilac Pinto, presidente da UDN, deflagrara a guerra psicológica (sic), orientado também pelo general Humberto Castelo Branco, a quem o coronel Vernon Walters [oficial norte-americano] diariamente visitava. Da Tribuna da Câmara e pela imprensa, ele responsabilizou o governo por suposta (sic) distribuição de armas (sic) a camponeses e trabalhadores da orla marítima. E anunciou que, segundo estudos de oficiais da Escola Superior de Guerra (sic) e das Escolas de Estado Maior das Forças Armadas [provavelmente orientados por Castelo Branco, primeiro ditador de 64], a guerra revolucionária alcançara, no Brasil, a terceira fase, a da subversão da ordem (sic) e obtenção de armas (sic), antevéspera do assalto ao poder pelos comunistas (sic). Na verdade, não estava em curso nenhuma guerra revolucionária”. Depois do Golpe em 64, essas armas “distribuídas” pelo governo Jango para implantar o comunismo no Brasil nunca foram encontradas por um motivo simples: elas nunca existiram. Como nunca existiu um suposto golpe comunista. Era tudo invenção do deputado Bilac Pinto! Flávio Tavares, no citado livro, á página 142, faz essa revelação: “Uns 40 dias após o golpe de Estado, em maio de 1964, num longo programa de entrevista ao vivo, na TV Brasília, perguntei a Bilac Pinto “onde estavam as armas” da guerra revolucionária que ele denunciara, e porque o novo poder não as mostrava em público, mas ele não soube responder. Insisti, e ele, inteligentemente, afirmou apenas: “Aparecerão. Espere! Vão aparecer!”. Entretanto, as armas nunca apareceram!

Essa desculpa de que o Golpe de 64 salvou o Brasil do comunismo é uma balela, como se provou, mas que ainda é adotada pelos golpistas militares e civis...

UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA: Para mim, golpe é golpe. Poucos escribas atuais o designam como “revolução”, mas eles são exceção. Estadão, Folha e O Globo, que ajudaram a derrubar Jango, hoje usam GOLPE, como eu! No Caderno Especial 140 anos Estadão (18/1/2015), consta a reportagem de José Maria Mayrink: “Estado” apóia GOLPE (sic) de 1964, mas rompe com o regime meses depois”.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

(ARTIGO PUBLICADO NA “GAZETA GUAÇUANA” EM 5/3/2015)

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