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sexta-feira, 20 de março de 2015

Furnas: Deputado desafia Aécio a se colocar à disposição da Justiça e propõe acareação com tucano



Rogério Correia: “Aécio, por que não se coloca à disposição da Justiça? Eu me disponho a ir ao Senado e fazer acareação"

“Eu me disponho a fazer uma acareação com Aécio Neves”

NOTA À IMPRENSA DO DEPUTADO ESTADUAL ROGÉRIO CORREIA:

Ou como diriam os mineiros: “pó pará, Aécio, pó pará!”

Na defensiva, vem novamente o senador Aécio Neves tentar desqualificar a Lista de Furnas, que o coloca no centro da Operação Lava Jato, a partir da delação de Alberto Youssef.

Vamos relembrar o roteiro do processo de reconhecimento da autenticidade da Lista:

1. LAUDO DE EXAME DOCUMENTOSCÓPICO (mecânico e grafotécnico) nº 1097/2006, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Diretoria Técnico-Científica, do Departamento de Polícia Federal, Ministério da Justiça. Nesse laudo, a equipe de peritos analisou o documento original denominado Lista de Furnas, concluindo que não houve montagem, fraude ou qualquer outro tipo de manipulação.

2. O apresentante do documento original, sr. Nilton Monteiro, foi processado pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) em 2006. Em 2009 ele foi inocentado, por unanimidade, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em sentença proferida pela então juíza Maria Luiza de Marilac Alvarenga Araújo (hoje, desembargadora). A razão para negar provimento à ação do deputado Aleluia está escrita lá: a lista é autêntica.

3. No dia 25 de Janeiro de 2012, a procuradora federal (MPF-RJ), Andrea Bayão, ofereceu denúncia contra vários operadores do “esquema de Furnas”, à época de FHC. Não por coincidência estavam lá as empresas Bauruense e Toshiba, mencionadas por Youssef, junto com o nome de Andréa Neves, no esquema de propinas que teria beneficiado o senador tucano. Dimas Toledo, denunciado pelo MPF nessa ação, foi indicado por Aécio Neves para a diretoria de Furnas. Youssef cita um diretor que seria apadrinhado pelo PP e por Aécio: só pode ser ele.

4. Lembremo-nos que o Diretório Nacional do PSDB contratou um perito americano, Larry F. Stewart, por R$ 200.000,00, para produzir um laudo sobre cópias xerox da Lista de Furnas. Duas lambanças. Primeiro, ao usar cópias xerox para desqualificar a autenticidade da lista original. Segundo contratar um perito que já fora preso em flagrante em um tribunal dos EUA, exatamente por falso testemunho acerca da autenticidade de documentos em outros processos.

5. O Diretório Estadual tucano tentou cassar meu mandato, solicitando ao Ministério Público Estadual a abertura de inquérito para apurar se eu teria participação no suposto ato de falsificação da afamada Lista de Furnas e se eu tinha usado a estrutura de meu gabinete parlamentar para isso. Foi aberto inquérito, pela Drª Raquel Pacheco Ribeiro Souza, para apurar a denúncia do PSDB. Fracassaram. O MPMG considerou, inclusive submetido ao seu Conselho Superior, após exaustivas apurações, que não se justificava o “prosseguimento das investigações, nem o ajuizamento de Ação Civil Pública” contra mim, impondo-se o “arquivamento” do Inquérito aberto. As razões: a Lista de Furnas era autêntica, inclusive sendo usada para inocentar Nilton Monteiro em outro processo e tinha o aval do INC da Polícia Federal; e, examinado o uso das verbas de meu gabinete, não restou provada qualquer participação minha em atos de improbidade administrativa. Segue, em PDF, a decisão do MPMG.

Enfim, compreendo o desespero do senador Aécio Neves. Em qualquer sistema de buscas na internet, com as palavras-chaves apropriadas, qualquer leitor pode conferir as informações acima. Desde 2011, Aécio Neves tenta cassar meu mandato parlamentar e persegue quem ousou denunciá-lo, como é o caso de Nilton Monteiro e Marco Aurélio Carone, que chegaram a ser presos ilegalmente para evitar que atrapalhassem sua campanha. Eu fui investigado à exaustão e nunca me opus a qualquer apuração. Agora é a sua vez, Aécio. Por que não se coloca à disposição da justiça? Eu me coloco à disposição para ir ao Senado e fazer uma acareação com V. EXa. Isso é muito mais consistente do que mandar notinhas inverídicas aos jornais!


LEITURA COMPLEMENTAR INFORMATIVA FUNDAMENTAL:

Perícia da Polícia Federal conclui que lista de Furnas é autêntica

Não havia montagem no rol de nomes e quantias relacionados à campanha do PSDB em 2002 e a assinatura do ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, é verdadeira

A perícia do Instituto Nacional de Criminalística (INC), feita por solicitação da Polícia Federal, concluiu que o documento de cinco páginas assinado pelo ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, registrando contribuições de campanha para o caixa 2 do PSDB em 2002, no valor R$ 40 milhões, é autêntico e não sofreu nenhum tipo de montagem. O laudo atesta ainda que a assinatura de Dimas é verdadeira, assim como suas rubricas.

Conhecida como a “lista de Furnas”, o documento trazido à tona pelo lobista Nilton Monteiro foi bombardeado pela oposição como uma falsificação que buscava difamar a imagem de 156 políticos que integraram a base do governo Fernando Henrique em 2002.

Dentre as campanhas eleitorais citadas na lista estão a do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, hoje candidato à Presidência pelo PSDB e do ex-prefeito de São Paulo José Serra (PSDB), que em 2002 foi o candidato do PSDB à Presidência. As campanhas em 2002 teriam recebido, respectivamente, R$ 9,3 milhões e R$ 7 milhões.

Segundo Monteiro, a lista foi produzida pelo ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo – que, segundo a lista, era o responsável pela arrecadação de dinheiro de empresas que mantinham contratos com a estatal e pelo repasse do mesmo para os responsáveis das campanhas nos estados.

A lista começou a circular pelas redações de alguns órgãos de imprensa no final do ano passado. O material nunca foi publicado e só ficou conhecido através de notas de rodapé apontando uma possível falsificação. Logo ela chegou ao Congresso, onde foi alvo de ataques de políticos ligados ao PSDB e do PFL, que tentaram desqualificar a lista, acusando o lobista Nilton Monteiro de falsificador e chantagista. A suspeita era alimentada pelo fato do lobista ter se negado a apresentar o original. Até então, ele havia divulgado apenas cópias. 

AZEREDO 

No entanto, meses antes, num assunto correlato, Nilton já havia dado mostras da sua forma de atuação. O lobista foi o responsável também pela divulgação de uma lista de políticos mineiros que se beneficiaram do caixa 2 da campanha de Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente nacional do PSDB, em 1998. Nilton divulgou ainda a cópia de um relatório feito pelo caixa de Azeredo, Cláudio Mourão, onde este relata que Azeredo arrecadou R$ 100 milhões, R$ 53 milhões via Marcos Valério, sendo parte dos recursos desviados de estatais mineiras.

Chamado a depor na CPMI dos Correios, Mourão negou as denúncias, disse que Nilton havia falsificado o documento e a sua assinatura. Azeredo e demais tucanos partiram para o ataque, repetindo as afirmações do tesoureiro. Alguns dias depois, o lobista apresentou seu arsenal e forneceu a cópia de um cheque de R$ 700 mil de Marcos Valério, que Azeredo usou para quitar uma dívida com Mourão. Além disso, entregou para a PF o relatório original. Perícia feita, denúncia comprovada. O documento era autêntico e a assinatura não fora falsificada. Nilton provou que não estava mentido e a explicação sobre a veracidade do documento estava no colo de Mourão. Azeredo – apontado com pai biológico do esquema Marcos Valério – foi então afastado da presidência do PSDB.

A lista de Furnas teve trajetória semelhante. Primeiro, o lobista forneceu a cópia do relatório. Disse à Polícia Federal que o então diretor de Furnas, locado na estatal desde o governo Fernando Henrique, estava ameaçado de perder o cargo. Segundo Monteiro, Dimas fez o relato da quantidade de recursos, as empresas achacadas e os destinatários dos R$ 40 milhões que arrecadou para a campanha de 2002 com a intenção de chantagear políticos do PSDB e de partidos que apoiavam FHC - e que agora tinham relações com o governo Lula -na intenção de manter o seu cargo na estatal.

Para procurar determinados tucanos, Dimas contratou Monteiro. Porém, o “trabalho” não foi bem sucedido e Dimas caiu, levando consigo os R$ 4 milhões prometidos ao lobista pela tarefa de ajudar a manter-lhe no cargo.

Várias perícias na cópia do material foram encomendadas por tucanos e por revistas que queriam provar a falsificação do relatório. Dimas foi chamado para depor na CPMI. Como era esperado, tucanos como Artur Virgílio vociferaram aos quatro cantos, “denunciando” uma suposta manipulação do PT para atacar a honra dos “angelicais” homens de bem do PSDB e do PFL. Processos foram movidos pelos tucanos contra o lobista e contra o deputado petista Rogério Correia (MG), acusado de ser o responsável pela divulgação do documento “falsificado”. 

“FALSIFICADOR” 

A convocação para Monteiro depor na CPMI foi cancelada. Em seu pseudo-relatório, Osmar Serraglio, somente se referiu ao episódio para condenar o “falsificador” Nilton Monteiro. Os tucanos conseguiram, assim, ganhar a primeira batalha, mas não a guerra.

Questionado pela revista Carta Capital sobre o motivo de ter escondido a lista original até agora, e só ter entregue à PF no último dia 5 de maio, Nilton respondeu: “Esperava ser convocado pela CPI dos Correios. Eu pretendia, diante das Câmeras e dos parlamentares, mostrar que falo a verdade. Mas logo vi que a minha convocação tinha virado moeda de troca, parte da guerra entre o governo e a oposição. Resolvi esperar, mas agora preciso me defender nos processos judiciais”. Para se esquivar, na época, Nilton contou várias histórias sobre o paradeiro da documentação, que agora revelou estar escondido num cofre no Rio de Janeiro.

Indagado se o conteúdo contido na lista de Furnas é verdadeiro, ele responde que isso é outra história. “O problema não é meu. O responsável é o Dimas, é ele que tem de ser processado”, atira Nilton Monteiro. O lobista tem razão. Este passa a ser um problema sério dos tucanos que praticamente santificaram Dimas Toledo para tentar desqualificar o “listão”.

Sobre a veracidade do relato de Dimas na lista de Furnas, vários indícios já foram levantados pela PF. Além disso, “as investigações feitas pelo nosso gabinete constataram que diversas empresas citadas na lista tiveram seus contratos com Furnas aditados em datas próximas às eleições de 2002 (ou um pouco antes, ou um pouco depois do pleito). Outras tantas, também constantes da lista, firmaram contrato com a estatal sem a realização de licitação prévia, alegando serem as únicas no ramo, o que não era verdade. Outros indícios são o depoimento do ex-executivo da Toshiba, José Antônio Talavera, que denunciou o pagamento de propinas para ganhar contratos com a estatal”, denunciou o deputado Rogério Correia, 2º vice-presidente da Assembléia de Minas Gerais.

Para piorar ainda mais a situação, os tucanos acabaram ficando numa “sinuca de bico”. Durante um ano inteiro, assinaram embaixo de todas as alucinações lançadas por Roberto Jefferson contra o governo Lula. A grande maioria desmontada depois das investigações. Porém, Jefferson – que tem seu nome citado na lista – reconheceu publicamente que havia recebido de Dimas o mesmo valor, R$ 75 mil, que constava no relatório.

A partir de agora, o destino de Dimas está nas mãos da PF. E quem acha que as revelações do lobista cessaram, pode estar enganado. “Esta é apenas a ponta do iceberg. Nilton Monteiro me afirmou ter posse de diversos recibos assinados por parlamentares citados na lista de Furnas que comprovam o recebimento dos recursos para suas campanhas. Ainda vem muita bomba por aí”, afirmou o deputado Rogério Correia. Essa promessa já foi feita muitas vezes por Nilton Monteiro ao HP. “Espera que logo vem mais coisa por aí”, diz ele. Pelo que o lobista já revelou das maracutaias do PSDB em Minas Gerais e no Espírito Santo, muitos tucanos já estão perdendo o sono.

ALESSANDRO RODRIGUES



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