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domingo, 29 de março de 2015

De achacados e achacadores, Por Jasson de Oliveira Andrade



Quando o ex-ministro da Educação, Cid Gomes, em debate na Câmara Federal, afirmou, referindo-se ao seu presidente, Eduardo Cunha: “Prefiro ser chamado de falta de educação, a ser chamado de achacador”, ele apenas constatou um fato político que há tempo existe em nossa vida partidária; os achacadores. Temos vários exemplos. Vamos citar apenas um: Antonio Carlos Magalhães, o ACM. Ele iniciou sua carreira política na Ditadura, bajulando os militares. Depois, na Democracia, teve uma enorme influência no governo de Fernando Henrique Cardoso. Na época, se dizia que o ACM era o presidente de fato e FHC de direito. Tanto assim, que a revista mais irreverente do Brasil, Bundas, como o próprio nome diz, criada pela Patota do Pasquim, publicou na capa de seu numero 37, de fevereiro de 2000 uma foto de FHC vestido de Baiana, com essa frase (pensamento); “Faço tudo pra agradar ACM”. Depois, cansado de tal subordinação, Fernando Henrique rompeu com Antonio Carlos. Ai governou.

Para quem quiser conhecer, em profundidade, a vida política de ACM, recomendamos o livro “Memórias das Trevas – Uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães”, 776 paginas, de João Carlos Teixeira Gomes.

Já Eduardo Cunha, não chega aos pés de ACM, o mais matreiro político que conheci, mas hoje praticamente domina o governo Dilma, que é dependente dele. Sem Cunha a presidenta não governa. O analista José Roberto de Toledo, no artigo “De achacados e achacadores”, publicado no Estadão (21/3/2015), analisa essa dependência: “Pelo que disse em sua entrevista coletiva e reforçou em declarações subseqüentes (agora ela está dialogando mais), Dilma parece ter se dado conta que não lhe resta outra saída senão aprovar o ajuste fiscal de Joaquim Levy no Congresso – o que significa, basicamente, cortar gastos. E que não há como conseguir os votos necessários para aprovar os cortes sem engolir sapos (sic) do PMDB. Azia é melhor que inanição (sic)”.

Não é só de engolir sapos do PMDB vive Dilma. Quando visitou Goiás, no dia 19/3, ela teve uma grata surpresa. O governador do Estado, Marcos Perillo, do PSDB, a elogiou: “Jamais concordei com as intolerâncias (sic) e injustiças (sic) contra a presidente. Venho aqui para receber uma presidente que foi legitimamente reeleita (sic) e que tem o meu apoio” (sic), acrescentando: “Nunca ninguém ouviu uma palavra minha que não fosse de reconhecimento pelo que a senhora fez por Goiás (sic)”. O pronunciamento dele foi recebido com irritação pela cúpula tucana. Segundo Josias de Souza, no UOL (Folha), em 20/3, um integrante da Executiva Nacional dos tucanos, lamentou: “Enquanto nos esforçamos para aproximar nosso discurso do sentimento de aversão das ruas pelo governo Dilma, nosso companheiro fala do “respeito e de reconhecimento ao trabalho” dela. É demais!” Sem comentário...

Na longa carreira política de José Sarney, que se encerrou em 2014 (aparentemente), o ex Presidente da República viveu parte dela entre “tapas e beijos” com o PT. Ele esteve no aniversário da senadora Marta Suplicy, com membros do PSB ( a petista pretende sair do partido e se filiar a esta agremiação). Na oportunidade, segundo Mônica Bergamo, em sua coluna de 25/3: “José Sarney diz que só tem duas certezas sobre o desenrolar da crise política: “não haverá golpe militar (sic) nem impeachment da presidente Dilma Rousseff”. Os petistas torcem para que esta previsão dele se concretize!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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