sábado, 14 de março de 2015

As causas da deposição de Jango, Por Jasson de Oliveira Andrade


Se o motivo do Golpe não é a salvação do Brasil do comunismo ou uma república sindicalista como os golpistas afirmam, quais, então, foram as causas da deposição de Jango? Em minha opinião são três: 1- Nomeação dele como Ministro do Trabalho pelo então presidente Getúlio Vargas; 2- Renúncia de Jânio Quadros e 3- Cabo Anselmo.

Com a eleição de Vargas, em 1950, derrotando o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, liderada por Carlos Lacerda, iniciou aí a divisão dos militares. Quando o presidente nomeou João Goulart ministro do Trabalho, iniciou-se, dez anos antes (54), o Golpe de 64. Como ministro, Jango pediu ao presidente um aumento de 100% do salário mínimo. Os militares contestaram. Os coronéis lançaram um manifesto, que ficou conhecido como “Memorial dos coronéis”. Para os militares signatários, o aumento significaria um desprestígio para as Forças Armadas, que não tinham suas necessidades atendidas. Tal desprestígio, argumentavam eles, funcionaria também como elemento facilitador da ação dos comunistas (sic). Em vista da repercussão do Memorial, Jango apresentou seu pedido de demissão, que foi aceito por Vargas em 22 de fevereiro de 1954. Aí começou o anti-comunismo da ala militar udenista (Castelo Branco era dessa ala) contra Jango, que culminou com sua deposição em 1964. Os coronéis de 54 foram os generais de 64!

Em setembro de 1955, quando Jango era candidato a vice-Presidente de Juscelino (foi eleito), Carlos Lacerda divulgou uma carta de um deputado argentino, ligado ao então presidente Peron, que ficou conhecida como “Carta Brandi”. A suposta carta era dirigida a Jango e se referia a uma “República Sindicalista” (a mesma desculpa para o Golpe de 64) a ser implantada por ele. E na marra! A carta era falsa...

A renúncia do presidente Jânio Quadros (UDN), em 25/8/1961, APÓS SOMENTE SETE MESES NO CARGO, foi fundamental para a deposição de Jango. Ele era vice-presidente e deveria assumir, mas foi impedido por militares udenistas, que faziam parte do governo Jânio. Graças à reação de Brizola, no Rio Grande do Sul, Goulart foi empossado, mas se viu obrigado a adotar o Parlamentarismo. Após votação popular, o regime voltou a ser presidencialista e Jango assumiu a Presidência de fato. Se não fosse a renúncia do então udenista Jânio, não haveria o Golpe de 64. Quem governaria o país nessa época seria ele, Quadros, e não os militares. A eleição estava marcada para 1965!

Após a renúncia de Jânio, outro fato decisivo para o Golpe, foi a Revolta dos Marinheiros, comandada pelo Cabo Anselmo. Em 1964, os marinheiros se revoltaram e não foram punidos. Os militares, principalmente essa ala udenista, não aceitaram essa insubordinação: eles têm como honra a disciplina. Muitos militares legalistas, por este motivo, passaram também a apoiar os golpistas. Daí para a deposição de Jango foi um passo. Cabo Anselmo foi preso como perigoso comunista, mas se descobriu mais tarde que ele era um traidor a serviço da CIA (órgão do governo norte-americano) e do Cenimar (Centro de Informação da Marinha). Cabo Anselmo sempre negou sua participação golpista. No entanto, quem o desmentiu foi Cecil Borel, diretor do DOPS carioca no tempo do governador Carlos Lacerda, então líder civil do Golpe de 64. Portanto, uma pessoa insuspeita por estar por dentro da conspiração contra Jango. (reportagem de Mário Magalhães, Folha de 31/8/2009). Carlos Chagas, ex-Secretário de Imprensa de Costa e Silva, em 25/11/1994, constata: “Não raro temos assistido a equívocos. O maior deles foi o cabo Anselmo, o mais inflamado dos marinheiros que em 1964 exigiam reformas e até revoluções (sic), mas que, na verdade, era um agente provocador pago pela CIA para ajudar (sic) o processo político a dar onde deu: na ditadura militar”. É assim que se formou na época o perigo comunista!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

PUBLICADO NA “GAZETA GUAÇUANA” EM 12/3/2015

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