terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O Brasil é hoje um ninho de idiotas com uma pedra da mão




Vejo a foto de Amado Batista com o rosto sangrando e fico me perguntando o que aconteceu com aquele brasileiro cordial cantado em prosa e verso nos livros do passado.

O filete de sangue – provocado por uma pedra de gelo, me dizem – produz no cantor uma expressão de surpresa, mais do que de raiva.

Surpresos estamos todos nós.

Acabou o respeito, acabaram as boas maneiras. O Brasil é hoje uma grande e selvagem arquibancada de futebol disposta a prorromper em pancadaria, a qualquer pretexto.

O gesto brutal, na choperia da Praia Grande, foi de um idiota – um solo de grosseria, alguém pode alegar. Mas a impressão que tenho é que se não fosse aquele, seria um outro, ou outro.

O clima é de saloon de faroeste – com valentões de mentirinha.

A raiva está corroendo a alma do brasileiro. Há um black bloc à espreita no âmago de cada um de nós, irritado com "tudo o que está aí", pronto para depredar a torto e a direito.

A violência é muitas vezes glamourizada. Uma parte da mídia dos mauricinhos acha que a crítica inclui a agressão e a ferocidade. A bestialidade, acreditam, é a prova dos nove.

No caso de Amado Batista, que vai fazer 64 anos daqui a uns dias e que se orgulha no seu site de ser "o artista mais amado do Brasil", a pedra de gelo fere não apenas a ele, mas a todo artista que ainda ousa expor num palco a coragem de sua música.


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