quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"Dizer que feriados como o Carnaval significam perdas econômicas é muito simplista"


Os feriados causam prejuízo à economia?

A estrutura atual das economias desenvolvidas nos faz pensar a economia de forma diferente em relação aos séculos passados, quando se acreditava, e até hoje alguns acreditam, que a quantidade de feriados afetaria o produto da economia (PIB). Só para ilustrar, é senso comum, no Brasil, afirmar que o Carnaval provoca prejuízos à economia. Esta afirmação não tem hoje a mesma força que tinha no passado, quando o país era predominantemente agrícola. Os dias "parados" no Carnaval geram um grande número de empregos em hotéis, aumentam as viagens de taxi, aumenta o consumo dos serviços na área alimentícia, como restaurantes, lanchonetes, cafés.
Este consumo aumenta a produção de alimentos mo campo, a produção de bebidas nas fábricas de bebidas. Este é apenas um exemplo dos efeitos que os feriados e as férias provocam na economia.

Portanto, dizer que os feriados significam perdas econômicas é muito simplista. Para se fazer tal afirmação, é necessário contabilizar as perdas de produção e a renda nos setores que tiveram suas atividades interrompidas em função dos feriados e comparar com os ganhos de produção e renda nos setores que são beneficiados pelos feriados.

Pode-se afirmar, com um alto grau de certeza, que tal contabilidade é muito difícil de ser feita. Também é possível afirmar que, em países onde o setor terciário é o maior responsável pela geração de emprego e renda, exista ganhos relativos no setor de serviços com feriados. Os dias de descanso dos outros setores significam muito trabalho no setor terciário. Podemos, sim, dizer que existe transferência de trabalho ( grifo nosso ) entre os setores e que não existe trabalho perdido ( idem ).

NA MAIOR PARTE DAS VEZES, O SENSO COMUM É QUE VALIDA O PENSAMENTO DE PREJUÍZO CAUSADO PELOS FERIADOS. ESSE PENSAMENTO NÃO SE FUNDAMENTA NO CONHECIMENTO, MAS EM CRENÇAS, VALORES E PRINCÍPIOS MORAIS SOBRE O TRABALHO.

( Trecho extraído de "Economia não é um quebra-cabeças", do prof. José Calixto de Souza Filho, pág 39-40, Editora Lemar, 2013 )

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