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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Anonymous: arma de informação americana usada contra políticos europeus?


Por Georgy Voskresensky

Anonymous apareceu pela primeira vez em 2003, em fóruns de imagens da Internet, como um grupo de hackers [piratas da Internet – NT], defendendo a liberdade de expressão e operando como um «cérebro digital global anarquista». É um instrumento ou uma arma projetada para ser usada na guerra de informação. Ele tem uma vantagem - em muitos casos, é extremamente difícil definir exatamente quem o usou. Mas, não houve problema deste tipo quando Anonymous publicou um relatório fotográfico de 1993 de Angela Merkel visitando o Clube da Juventude Elbterrassen e encontrando-se com um grupo de skinheads [cabeças raspadas – NT] e outros amigos, um deles fazendo uma saudação nazista [1].

Berlim respondeu com as devidas explicações; mas, não é isso o que importa. A publicação das fotos de 12 anos teve lugar exatamente antes da visita da Chanceler Merkel a Washington, em 9 de fevereiro, e após a reunião entre a Chanceler alemã, o Presidente francês François Hollande e o presidente russo Vladimir Putin em Moscou, que durou por muitas horas.

Anonymous perguntou se um político que foi um membro da Organização Socialista da Juventude da RDA [República Democrática da Alemanha – NT], um «espião de Berlim do Leste», e que fraternizara com nazistas poderia ser confiável para governar a Alemanha.

O ataque de informação foi precedido de um evento importante – a Chanceler se opusera à idéia de fornecer armas letais à Ucrânia. Angela Merkel disse na Conferência de Segurança de Munique, em 7 de fevereiro, que «o progresso de que a Ucrânia precisa não pode ser alcançado por mais armas». Ela reiterou essa posição várias vezes, enquanto em uma visita aos Estados Unidos e ao Canadá. Na América, o Senador John McCain e Victoria Nuland, a Secretária de Estado Adjunta para Assuntos da Eurásia e Europeus, responderam primeiro. O senador comparou as conversações de Angela Merkel e François Hollande com Vladimir Putin ao apaziguamento de Neville Chamberlain por Hitler. A Sra. Nuland, como sempre, usou linguagem obscena ao falar sobre a chefe do principal Estado europeu.

Note que, desde há muito tempo, os serviços especiais dos EUA têm estado a coletar minuciosamente informações para serem de uma maneira ou de outra usadas contra a Chanceler da Alemanha. Em outubro de 2013, soube-se que a Agência de Segurança Nacional colocou o celular de Angela Merkel sob escuta, e o escândalo eclodiu revelando que a Agência havia mantido a Sra. Merkel sob vigilância por mais de 10 anos. A Chanceler disse que ela não esperava e não insistira no pedido de desculpas; mas, houvera uma grave quebra de confiança e grande esforço teve que ser aplicado para tê-la restaurada. Palavras não foram suficientes. A situação ditou a necessidade de mudanças. Naquela época, a Chanceler pode dificilmente esconder sua indignação. Washington não deu ouvidos ao que ela disse. A briga da escuta telefonica foi abafada sem alterações a executar.

Angela Merkel não foi o primeiro líder europeu a descobrir na prática que Washington ignora qualquer expressão de «livre pensar» por parte dos líderes europeus, especialmente quando se trata de Rússia. Os exemplos são bem conhecidos.

A Hungria, liderada pelo primeiro-ministro Victor Orban, assinou um contrato com a Rosatom, da Rússia, para completar a construção de dois novos blocos de energia para a Usina de Energia Nuclear Paks, da Hungria, localizado a 100 km de Budapeste. Os Estados Unidos impuseram sanções contra a Hungria. O Senador McCain, um político que sempre puxa a arma, chamou o primeiro-ministro da Hungria de «ditador fascista». Agora, o Presidente Putin é convidado por Orban para visitar Budapeste, em 17 de fevereiro...

A administração dos EUA está frustrada sobre a posição de Milos Zeman, o Presidente da República Checa, que se atreveu a pedir provas de que as tropas russas invadiram a Ucrânia e exortou os Estados Unidos e a União Europeia a levantarem as sanções. Os EUA usa seus canais neste país para travar uma campanha para desacreditar o Presidente.

Em seus dias como primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi costumava dizer que a compreensão mútua entre a Rússia e os Estados Unidos era uma questão-chave para a estabilidade europeia. Ele disse que os EUA agiram irresponsavelmente implantando os elementos de defesa antimísseis na Polônia e na República Checa, reconhecendo a independência do Kosovo, e empurrando a Geórgia e a Ucrânia na OTAN.

Strauss-Kahn, ex-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional, foi vítima de uma provocação bem planejada e organizada contra ele nos Estados Unidos, quando ele foi acusado de violar uma empregada negra de hotel durante a sua estadia em Nova York. Como resultado, ele teve que enfrentar um julgamento nos EUA. Mais tarde, foi revelado que a camareira mentiu; mas, isso não era mais importante. Strauss-Kahn perdera a posição no Fundo Monetário Internacional e perdera sua chance de se tornar presidente da França.

Orban, Zeman, Berlusconi, Strauss-Kahn e agora Merkel – eles todos se tornaram alvos de ataque de precisão dos EUA, efetuados pela arma de informações contra políticos europeus que se tornaram muito independentes em questões de política externa, de acordo com a opinião de Washington.

O governo americano acredita que a Europa deve andar na linha e seguir a política dos EUA sem quaisquer desvios. Na sua opinião, essa é a quintessência da cooperação transatlântica. Logo após reunir-se com Merkel, o Presidente dos EUA complacentemente disse à Vox, em uma entrevista, que os EUA são obrigados a ter «a força militar militar mais forte do mundo». [2] Continuando, ele disse que, «ocasionalmente, temos que torcer os braços de países que não fazem o que esperamos que façam». Ele disse isso sem rodeios, o suficiente para não deixar nenhuma dúvida sobre a disponibilidade dos EUA para torcer os braços de qualquer aliado que apresente pontos de vista diferentes da visão dos Estados Unidos sobre os problemas do mundo.

Nehum aliado (ou vassalo?) europeu ou asiático deveria ter dúvidas sobre isso. Espera-se que o Presidente Turco Erdogan seja o próximo a ter seus braços torcidos. Ele não é perdoado por assinar o acordo do Fluxo Turco com Putin, no ano passado. O relógio está correndo.

Fonte 

[1] „Turbulent past bundeskantslera“, Truth in Ukraine, 9. Februar 2015.

[2] „The Vox Conversation“, Vox.
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