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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A morte de Fausto Ratol, Por Jasson de Oliveira Andrade


O falecimento de Fausto Ratol, ocorrida em 10 de fevereiro de 2015, aos 76 anos, vitimado por câncer e outras complicações, desfalcou São João da Boa Vista de uma grande personalidade, que honrou nossa História. Ele foi funcionário público, político e jornalista. Como funcionário público, trabalhou inicialmente no SAMDU (Serviço de Assistência Médica, Domiciliar e de Urgência). Quando este foi extinto, ele se tornou, por méritos próprios, Chefe do INPS, atualmente INSS. Posteriormente, por concurso, exerceu o cargo de auditor fiscal. Como político, ele iniciou no PTB, seguindo a política do ex-prefeito e ex-deputado estadual Miguel Jorge Nicolau. Posteriormente se filiou ao MDB e depois PMDB, inclusive em Pinhal. Como jornalista, ele iniciou no jornal O Município, na época dirigida por Miguel Nicolau e petebistas, entre eles o jornalista Wilson Gomes. Ultimamente, foi colaborador deste jornal, onde escreveu artigos, abordando vários temas, mas principalmente, sobre o Golpe de 64, do qual foi uma das vítimas, sendo mesmo preso.

Em 7/3/2007, Fausto concedeu uma entrevista à jornalista Cassiana Lindes, do jornal A Cidade de Pinhal, que consta do meu livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”, páginas 198 a 204. 

Devido a importância histórica, vamos transcrever uma parte dessa entrevista: 

 “Quais foram suas atividades antes e durante a ditadura militar? Fausto: "Trabalhei em várias atividades em São João. Uma delas foi a de diretor comercial do jornal O Município, de 1956 a 1960, em que também escrevia alguns artigos. Tive minha vida sempre pautada para a esquerda. Fiz o curso de técnico em contabilidade na Escola de Comércio em São João. Mudei para Pinhal em 1973, onde fiz a Faculdade de Direito. Quando vim, ainda era feirante, pegava mercadoria em São Paulo e Campinas e levava para Poços de Caldas, São João, Pinhal e outras cidades da região. Minha vida era esta. No final de 1973, adquiri a lotérica na Rua Direita [Pinhal] e me dei bem neste setor. Trabalhei até 1982, pois tive que vendê-la por conta de novo emprego. Ofereci aos meus familiares, mas ninguém quis tocar. Havia passado no concurso para auditor fiscal e não podia ter loteria no meu nome. Eu já era funcionário da Previdência, trabalhava no Samdu desde 1960, e me casei com a professora e diretora de escola, Leonora Turatte Ratol e tivemos duas filhas. (...) No final de 1982, me mudei para Águas da Prata. Fiquei morando 20 anos na Prata e faz quatro anos [2007] que voltei para Pinhal”. 

Foi por este motivo que Fausto Ratol teve seu corpo velado em Águas da Prata e foi enterrado em São João da Boa Vista, sua terra Natal, onde nasceu no Bairro Alegre.

Não me esqueço dessa passagem. Há pouco tempo, ainda este ano, em janeiro, conversei com o Fausto, por telefone, e ele me disse decepcionado com a política, afirmando: hoje não temos um Leonel Brizola, o que o define politicamente!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

PUBLICADO NA GAZETA DE SÃO JOÃO EM 14/2/2015

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