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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Orçamento do MEC e o imprensalão sendo o velho imprensalão de guerra


Eu não tenho formação além do segundo grau. Não sei ler uma planilha. Não sei pra que serve o Diário Oficial e nem como se consulta isso. Não sei como se analisa um orçamento, seja do vidraceiro que vem consertar uma janela, nem o orçamento de alguma secretaria de governo. Não sei como funciona o orçamento público, as contas públicas. 

Eu sei das coisas pelos mesmos mecanismos que um cidadão médio faz: pelos jornais e revistas.

Para tentar compensar essa deficiência escolar eu tentava, ao menos, ler com atenção as notícias apresentadas pelos meios de comunicação impressos. Como eu disse outro dia, no entanto, além de "ler jornal", eu procuro "ler o jornal", que é mais ou menos o que fazem os jogadores de pôquer ao tentar captar informações na fisionomia e nas expressões dos adversários, informações que estes pretendem esconder. Se você sabe quem o jornal apóia politicamente, você tem 50% menos de chances de ser enganado. 

Isso de "50%" foi uma cifra que inventei, arbitrariamente. 

E eu também não leio jornais [ não sei se ficou claro pelo exposto acima ], embora tenha lido muito, mais ou menos até 2009 ou 2010. Aí cansou. Eles me cansaram. Ler jornal é uma corrida de obstáculos. Eu lia tentando adivinhar o que eles estavam escondendo, manipulando ou mentindo. Tinha que esperar o tempo passar para ver se as noícias sobre determinado tema se mantinham ou se eram depois desmentidas. E com a deficiência escolar que admiti acima, as chances de deixar preciosidades passarem batido eram - e continuam - enormes. 

De modo que, pra manter o que me resta de sanidade, desisti de ler jornais. Decidi acabar com aquele masoquismo. Eventualmente dou uma fuçada numa notícia, mas é como se eu lesse aqueles papéis que entregam nas ruas, de amarração para o amor. Dou uma olhada e esqueço segundos depois. Não acredito neles e ponto final. E nem noticiario de TV e rádio.

Assim, não me surpreendo com o que vem a seguir, e que tá rolando nas redes sociais:


PRECEDENTES
Em 04.06.2008 o finado ( ainda bem ) Jornal da Tarde ( grupo Estadão ) publicou no caderno Seu Bolso, pag 4B matéria [ EU TENHO ESSE RECORTE ATÉ HOJE ] com o título "Renda cai 20,8% em dez anos". Subtitulo afirmava que "Remuneração média na Região Metropolitana sofreu uma queda de R$ 1610 para R$ 1274". 
A reportagem prosseguia fazendo a comparação "...o valor médio mensal em março último ficou em R$ 1274 ante o valor de R$ 1610 apurado em março de 1999...". 
Só láááaááá pro meio do texto --- que não deixou, é verdade, de mencionar que houve a desvalorização do real em janeiro de 99 ( embora sem mencionar a palavra "estelionato", que cabia, claro ) e sequente elevação da Selic para catastróficos 45% e o resultado disso foi a detonação dos salários ( 29% ) ENTRE 1999 E 2003 --- é que éramos informados que "...a recuperação veio em 2004 com a melhora do nível da economia...".

O gráfico era mais "intuitivo" e mostrava claramente que a renda caíra de $ 1610 em 1999 para $ 1177 em 2003 e dalí pra diante SÓ CRESCEU.
Os objetivos da redação meio Mandrake da matéria seriam:
1 - Esconder a queda de 29% dos salários sob FHC, em apenas 4 anos; 
2 - Depois da saída de FHC - e graças a ela - as coisas começaram a melhorar, e assim foi, lenta e modesta porém regularmente, de 2003 até o momento da reportagem, 2008, ainda que não tenha sido suficiente pra recuperar-nos do tombaço da turma do apagão ( verdadeiro ) e da falta de água ( verdadeira ). Mas não, o objetivo era, como faz o Datena, juntar e bater tudo num liquidificador de modo a não se distinguir quem fez cair e quem fez cessar a queda. E esconder que a queda havia cessado.

Então, essa manipulação acima reproduzida não surpreende em nada. Há precedentes.

E muitos. E não é de agora.

Pouco antes de falecer, no ano de 2000, o jornalista econômico Aloysio Biondi escreveu um artigo intitulado "Mentira e cara-durismo (ou: a imprensa no reinado FHC)". Ele enumerou várias tramóias que o noticiário lançava mão para proteger o governo do "Príncipe dos Sociólogos". Escreveu ele, diante da capitulação governamental ante do fato que a inflação voltara a dar as caras, apesar de anteriores negativas por parte do governo e da imprensa, para quem, até então, tudo estava indo às mil maravilhas:

"A surpresa do perplexo cidadão brasileiro não era, certamente, com o otimismo de Brasília, delirantemente exibido nos últimos anos.Tampouco, com o adesismo dos de-formadores de opinião, cada vez mais desnudados aos olhos do públicom a ponto de alguns deles provocarem engulhos até em antigos admiradores. A surpresa, mesmo, era com o total cara-durismo do governo FHC e adeptos:"Uai, ué, refletia o cidadão: até há poucos dias, a gente só via, lia e ouvia esse pessoal dizer que o Brasil "surpreendeu", a economia está muito bem; a indústria em recuperação; o consumidor, voltando às compras... Cumé que, da noite para o dia, o governo e imprensa passam a dizer exatamente o contrário, a admitir que o Brasil está em recessão, forçados a mudar de conversa para dizer que a inflação não assusta?" Na verdade, a volta da inflação criou uma das poucas oportunidades em que o povo brasileiro pôde descobrir, por si mesmo, a gigantesca e, mais do que vergonhosa, deprimente e lesa-sociedade manipulação do noticiário econômico (e político) no governo FHC. Sem medo de se exagerar, pode-se comprovar que as técnicas jornalísticas e experiências de profissionais regiamente pagos foram utilizadas permanentemente para encobrir a realidade.Valeu lançar mão de tudo: de manchetes falsas, inclusive "invertendo a informação", a colocar o lide no final das matérias, isto é, esconder a informação realmente importante nas últimas quatro linhas. Segue-se um pequeno roteiro, dos truques mais usados, pelos meios de comunicação, para ajudar o leitor a ler, ver e ouvir os meios de comunicação brasileiros neste reinado de FHC. Ou para ajudar os estudantes de comunicação e jornalistas principiantes a decidirem se estão dispostos a aderir ao jogo da manipulação."

A constatação que nos ofereceu Biondi era aterradora e nem um pouco alarmista ou exagerada:

"Advertência essencial: é absolutamente injusta, e até politicamente equivocada, a mania de criticar o adesismo desta ou daquela rede de televisão, deste ou daquele jornal e, principalmente, desta ou daquela colunista/comentarista de economia e política. Esse é um grave erro político, porque transmite à opinião públicaa falsa impressão de que a manipulação - permanente - tem sido feita por este ou aquele veículo, ou por este e aquele profissional. Com isso, acaba-se levando a sociedade a acreditar que se trata de exceções, quando a verdade é que a manipulação é generalizada e constante, contando-se nos dedos os profissionais e veículos que têm procurado manter a eqüidistância em relação ao governo FHC e interesses a ele ligados. Por isso mesmo, como seria injusto citar especificamente determinados veículos e jornalistas, todos os exemplos abaixo são reais, retirados do noticiário e devidamente guardados em nossos arquivos, mas deixamos de identificar seus autores."

Em seguida, Biondi nos ofereceu uma pequena lista [ UTIL ATÉ HOJE, UM VERDADEIRO MANUAL DE DEFESA DO LEITOR ] de 9 truques, da qual eu destaco um apenas, e o primeiro de sua lista, que me parece mais adequado para ilustrar o texto do Estadão sobre o MEC. Se ontem o objetivo era escamotear a barbeiragem do governo federal sob FHC, atualmente ( desde 2003... ) os esforços se dão com o objetivo de tentar levar a turma dele de volta ao Planalto. Não que o governo atual seja uma maravilha 100% defensável, mas a turma não precisa ficar manipulando as coisas. Tem gente de olho que acaba achando, cedo ou tarde.
Evidentemente, deixarei um link com a recomendação de que visitem e leiam o texto integralmente. Leiam, releiam e repassem. Você nunca mais lerá uma notícia com os mesmos olhos de hoje:

TRUQUE 1: MANCHETE ÀS AVESSAS
A falta de ética da imprensa chegou a tal ponto, que se chega a inverter completamente a informação, para enganar o público. Excelente exemplo dessa prática ocorreu com uma pesquisa sobre o endividamento das famílias brasileiras, realizada por uma empresa de consultoria. As conclusões foram aterradoras: nada menos de 40 por cento do orçamento familiar já estava "amarrado" com o pagamento de compromissos financeiros: cartões de crédito, cheques pré-datados, prestações diversas. E, mais exatamente: esse comprometimento havia exatamente duplicado de 20 por cento para 40 por cento, após o Real. Qual a importância desse dado? Ele já mostrava as perspectivas de problemas sérios para a economia, com menos dinheiro disponível para o consumo, isto é, mais recessão - e aumento inevitável da inadimplência, ou "calote" forçado, por parte dos consumidores. Os resultados da pesquisa ganharam uma manchete na edição dominical. Mas, pasme-se o leitor: o editor fez uma mágica desonesta. A manchete dizia: "Dobra acesso do consumidor ao crédito", e o texto mentia que, "graças a estabilidade da moeda, as famílias brasileiras já estão conseguindo planejar seus orçamentos e programar o endividamento desejado e lá-rá-li-lá-rá-lá, e as instituições financeiras, reconhecendo a nova situação criada pelo Real, blém-blém-blém, até duplicaram a concessão de financiamentos ao consumidor...". Pois é. Cinismo total. Com um toque de mágica e muita falta de ética os problemas foram transformados em "novas vantagens" do Real, martelando-se na tecla da "estabilidade da moeda", que tantos dividendos políticos trazia ao governo FHC...

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