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sábado, 24 de janeiro de 2015

Obras tucanas da Sabesp, Rodoanel e Metrô de SP: das planilhas do doleiro do "Petrolão" (*) para a mesa do Ministério Público


Os contratos apareceram na planilha apreendida na casa do doleiro Alberto Youssef
por Fabio Serapião — publicado 24/01/2015

Alvo de uma série de processos e inquéritos para apurar a atuação de um cartel de empresas em suas licitações, o Metrô de São Paulo entrou na mira dos promotores paulistas após aparecer em uma planilha apreendida na casa de Alberto Youssef. No documento, revelado por CartaCapital em sua edição 828, a estatal aparece em meio às 750 obras que, segundo a Polícia Federal, foram intermediadas pelo doleiro preso desde março em Curitiba e alvo principal da Operação Lava Jato. Com base nas informações publicadas pela revista, o Ministério Público instaurou um procedimento preliminar e solicitou à Justiça Federal do Paraná o compartilhamento de provas relacionadas à suposta ação de Youssef em solo bandeirante.

Além do Metrô, serão investigadas outras três obras apontadas na planilha, duas da Companhia de Saneamento, a Sabesp, e uma do Rodoanel. Subscrita pelo promotor Augusto Eduardo de Souza Rossini, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, o pedido relacionado ao setor metroferroviário tem como objetivo investigar possíveis “irregularidades consistentes em supostos desvios na licitação do trecho do Monotrilho entre as estações Oratório e Vila Prudente, integrante da Linha 15-Prata do Metrô e descumprimento do prazo de entrega do referido trecho pelos representados”.

No documento, uma planilha de 34 páginas com nomes de clientes relacionados a obras e órgãos públicos, a “Obra Vila Prudente” tem como cliente do doleiro a construtora baiana OAS. Além de alvo da Lava Jato, a empreiteira é integrante do consórcio responsável pela construção do monotrilho ao lado da Queiroz Galvão e da canadense Bombardier. Prometida pelo governador Geraldo Alckmin, do PSDB, para janeiro de 2014, a obra ainda não foi inaugurada. Na planilha, o doleiro cita o engenheiro Vagner Mendonça e aponta como o valor do contrato a cifra de 7,9 milhões de reais. Ao analisar a lista de projetos, a PF apontou que “pode-se deduzir que o doleiro tinha interesse especial nos contratos dessas empresas, onde de alguma forma atuava na intermediação”.

Além da planilha, caso o compartilhamento seja autorizado pelo juiz Sergio Moro, os investigadores da força-tarefa paranaense enviarão aos promotores paulistas uma série de documentos com potencial para colocar, mais uma vez, as caríssimas e lentas obras do Metrô no centro de um escândalo de corrupção. Em meio à papelada amealhada pelas diversas fases da Lava Jato encontram-se registros de movimentações financeiras em contas do doleiro sediadas no exterior que devem comprometer duas integrantes do consórcio do Monotrilho. Além da OAS, a Bombardier aparece em extratos encontrados sob a tutela do funcionário de Youssef João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. A empresa canadense é alvo das investigações sobre o cartel de trens que teria operado em São Paulo durante as gestões de Mario Covas, José Serra e Alckmin.

O material no qual a Bombardier aparece foi apreendido na Queluz Investimentos, que, segundo a PF, servia de escritório ilegal do banco suíço PKB no Brasil. Os investigadores chegaram até a sede da empresa em busca dos rastros deixados por Almeida Prado. Preso desde o dia 1º de julho, o funcionário de Youssef é considerado pela força-tarefa como responsável pela abertura deoffshore em paraísos fiscais, por onde a organização criminosa escoava o dinheiro proveniente de desvios em licitações públicas. Ele é integrante da centenária família Almeida Prado e concunhado do vice-presidente da Camargo Corrêa, João Auler, outro detido na carceragem da PF no Paraná.

Uma das offshore criadas e administradas por Almeida Prado é a Santa Tereza Services Limited Partnership. Nela, além da Bombardier, os investigadores encontraram movimentações financeiras de outras empresas com contratos milionários em estatais federais e estaduais. Diz o MPF sobre a offshore: “Apurou-se que dentro da conta da Santa Tereza na Suíça há quatro subcontas, todas controladas pela organização criminosa de Youssef e utilizadas para práticas delitivas. No extrato da subconta Sanko Sider aparecem depósitos que são também relacionados à corrupção de funcionários públicos brasileiros: Bombardier, OAS Investments, Cimentos Tupy (...)”.

Mantida no PKB Private Bank da Suíça, a conta da offshore chegou a ter 3,2 milhões de dólares de saldo e, segundo análise dos peritos da PF, seus extratos do período entre 8 de outubro de 2012 e 4 de março de 2014 indicam “intensa movimentação financeira, com diversas operações com valores iguais ou superiores a 1 milhão de dólares”. A subconta Sanko Sider, diz a PF, era abastecida por numerário proveniente da ação do doleiro em negociações relacionadas à venda de tubos para empreiteiras envolvidas no cartel da Petrobras. A planilha apreendida com o doleiro também está relacionada à Sanko.

Em nota, a Bombardier negou manter contato com a Santa Tereza ou empresas pertencentes a Alberto Youssef. Segundo a multinacional, em 2013, a empresa emitiu títulos para captação de recursos na forma de bonds que teriam sido adquiridos pelaoffshore em operação transparente e de acordo com as normas financeiras. “A Bombardier reforça seu compromisso com os mais altos padrões de ética corporativa em todos os países onde está presente”, diz a nota. Também em nota distribuída à imprensa, o Metrô criticou “a tentativa de extrair conclusões de documento cuja autenticidade e significado dependem de provas que já estão sendo produzidas com muita correção pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal”. Segundo a estatal, o​ projeto da Linha 15, bem como todas as obras​ executadas pela Companhia, foi licitado com base na Lei nº 8.666, com ​ampla concorrência entre os consórcios participantes. O certame foi vencido pelo Consórcio Expresso Monotrilho Leste, que ofereceu o melhor projeto e o menor preço.

Somadas, as obras listadas na planilha de Youssef alcançam a cifra de 11,5 bilhões de reais. São 747 projetos executados por órgãos públicos entre 2008 e 2012. No caso do monotrilho da Vila Prudente, as relações do doleiro com as licitações ainda necessitam de uma investigação mais aprofundada. Mas o fato é que a instauração dos inquéritos por parte das autoridades paulistas é mais um passo no caminho da busca por todos os tentáculos da organização criminosa comandada por Youssef e que, segundo a PF, extrapola os limites da Petrobras e “assola o País de Norte a Sul.”

CARTA CAPITAL

(*) Lamentamos informar, mas a capivara do Yousseff remonta tempos muito anteriores a este tal "Petrolão"
Na verdade este Yousseff já operava com os tucanos Sérgio Motta ( Rest In Pieces ) e Ricardo Sérgio de Oliveira, truta de Serra e hoje na cadeia, mas sabe como é, a imprensa não costuma citar estes detalhes e aí toca a gente fazer garimpagem pros preguiçosos - a maioria - que só lêem manchetes de jornal:

PF descobre que conta no exterior de Motta e Ricardo Sérgio movimentou US$ 280 milhões em apenas 3 anos
A equipe montada pela Polícia Federal para investigar o esquema de lavagem de dinheiro da corrupção e outros crimes através do Banestado – que lavou e externou cerca de US$ 30 bilhões entre 1996 e 1999 – voltou de Nova Iorque com montanhas de documentos que decifram o mapa da lavagem de dinheiro no Brasil, sobretudo dinheiro roubado dos cofres públicos, caixa dois de campanhas e propinas arrecadadas no processo de doação das estatais.

Nesse submundo, foram identificados nada mais nada menos que os próceres do tucanato – Sérgio Motta, Ricardo Sérgio de Oliveira e outros nomes que não foram divulgados ainda para não prejudicar as investigações – como o cérebro do esquema criminoso.

Desde 1998, com a revelação do Dossiê Cayman, o país tomou conhecimento de que o quinteto tucano (Fernando Henrique, Covas, Serra, Sérgio Motta e Ricardo Sérgio) havia depenado o país e mandado o dinheiro para o exterior. No entanto, apesar das denúncias e da documentação, o abafa nas investigações da Polícia Federal e o silêncio da imprensa fernandista fez com que as provas fossem sendo esquecidas e escondidas até que, ao investigar o esquema de remessas de dinheiro ao exterior através das contas CC-5, tendo como mote a lavagem de dinheiro do narcotráfico, o delegado da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, José Castilho Neto, descobriu que, na verdade, o esquema era utilizado principalmente por políticos, sobretudo tucanos, para remeter dinheiro sujo ao exterior.

De acordo com o laudo técnico feito pelos peritos da PF, até 1997 - e ainda não ficou pronto o levantamento dos anos posteriores - Ricardo Sérgio enviou US$ 56 milhões ilegalmente para Nova Iorque. De Nova Iorque, o dinheiro era distribuído para outras contas em bordéis fiscais, particularmente nas Ilhas Virgens, pertencentes a empresas de Ricardo Sérgio ou em nome de testas-de-ferro que passavam procuração a Ricardo Sérgio para gerir as empresas (ou seja, as contas, pois essa era a única atividade dessas empresas). Ricardo Sérgio de Oliveira tinha experiência em operar negócios no exterior: foi vice-presidente do Citibank, em Nova Iorque, e diretor da área internacional do Banco do Brasil, tendo, inclusive, suspeita o Ministério Público, ajudado a montar o esquema no Banestado.

Segundo o laudo de exame financeiro elaborado pelos peritos Renato Rodrigues Barbosa, Eurico Montenegro e Emanuel Coelho, referente aos anos de 1996 e 1997, publicado pela revista “IstoÉ”, os US$ 56 milhões de Ricardo Sérgio foram externados pelo doleiro foragido da Justiça Alberto Youssef. Conforme o laudo, o doleiro – que também operava para Fernandinho Beira-Mar – enviava os recursos através de uma rede de laranjas e doleiros paraguaios e uruguaios para uma conta de número 1461-9, na agência do Banestado em Nova Iorque. De lá, o dinheiro partia para uma conta de número 310035 no banco Chase Manhattan, hoje JP Morgan, batizada com o inusitado nome de “Tucano”, no melhor estilo Sérgio Motta.

Sérgio Motta, que sempre foi conhecido como o “gestor financeiro” da corriola fernandista, era perito em montar esquemas com nomes que pareceriam amadores, mas autênticos, como a empresa de fachada montada por ele com o nome de “Laranja Azeda”. Portanto, a conta “Tucano” tem a impressão digital de Sérgio Motta.

De acordo com a revista “IstoÉ”, do último final de semana, entre os novos documentos analisados pelos peritos, a conta “Tucano” era utilizada como centro de distribuição do dinheiro que partia para outras contas em bordéis fiscais. Apenas entre 1996 e 1998 a conta “Tucano” movimentou cerca de US$ 280 milhões.

Outro ponto que está para ser esclarecido é que a conta “Tucano” era o centro da movimentação financeira do alto tucanato, mas os nomes ainda estão sendo mantidos em sigilo. Em janeiro de 98, Sérgio Motta ordenou o pagamento de US$ 27 mil para a conta da empresa Vision Design no Banenett Bank de Miami. O dinheiro saiu da conta da offshore caribenha New Satar Fianc Corp. Na mesma data, essa mesma offshore, enviou outros U$ 180 mil para a conta “Tucano”. Após a morte de Motta, os movimentos mais pesados começaram a ser feitos por Ricardo Sérgio de Oliveira.

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