terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O "maioral" do planeta


Com exceção daqueles que sabem exatamente o que estão falando, a verdade é que no dia a dia das pessoas comuns somos expostos cotidianamente em conversas informais a opiniões que muitas vezes não passam de slogans ( logo eu explico ).

Seja pra não estender o assunto ou porque não temos bem uma opinião formada sobre ele, ou por desconhecermos completamente a questão, ou por não querermos discussões longas que se tornam inúteis e infrutíferas, deixamos passar, concordamos balançando a cabeça ou simplesmente dizemos "éééé...bem isso mesmo"

Um dos slogans que mais se cometem em conversas cotidianas é a da maior carga tributária do mundo, cujo título "pertenceria" ao Brasil. É o que corre à boca pequena - e grande - e desde sempre a gente escuta e até nos acostumamos a aceitar isso, mesmo quando diante de dados que tentam mostrar que não é bem isso.

Quando um sujeito comum vem com essa conversa, em vez da gente retrucar ou desafiar o cara a provar o que está dizendo - o que geralmente desmascaria o caráter puramente "de slogan" da afirmação que faz, a gente deixa passar. E o cara não só continuará dizendo que a carga tributária é a maior, como isso também causou o olho de peixe que ele tem na planta do pé esquerdo. Ele segue a maré. 
Talvez um especialista tivesse essa prova "de cabeça" pra comprovar seu ponto de vista mas, na maior parte dos casos, o camarada comum apenas se limita a repetir o slogan, só que de forma mais acalorada, como se os decibéis empregados servissem como sustentáculos da teoria.

Um recorte do Jornal do Commercio de 03.11.2006 ( que tá indo pro lixo ) meio que desmistifica o slogan. Não achei a notícia do jornal na Internet, só uma semelhante, mas inferior ao do JCom e menos completa. 
O título era "Brasil é o 17º. país com maior carga tributária sobre empresas". Se eramos "a maior carga tributária do planeta" em termos que vou chamar ( para minha própria compreensão ) de "globais", no caso das empresas não seriamos, defendia a matéria. 
Éramos o 17º, num universo de 86 países pesquisados pela KPMG, seja lá o que isso significa(va). A tributação média era de 34% do faturamento anual, informava o subtítulo. 
Se lembro bem, já nessa época se dizia que nossa carga tributária era a maior do mundo etc etc. Acho que já se falava isso antes de eu nascer.

Como sou um completo leigo na questão - como geralmente são leigos os adeptos dos slogans a que me refiro, e com quem lido diariamente na vida real de pessoas comuns - e até por se tratar de uma notícia que já completou 8 anos, não posso falar nada e nem sei em que pé está a coisa.

Mas, enquanto não tenho e não domino os elementos para provar que nossa carga tributária não seria, como simploriamente colocam os comuns do dia a dia, "a maior do mundo", também não estou nada capacitado a dizer - seguindo a maré avassaladora de outros leigos - que ela É a maior do mundo.
Um gráfico da referida matéria mostrava que o Japão vinha em primeiro ( 40,69% ), os EUA em segundo ( 40% ), seguidos da Alemanha, com 38,34%, Itália (37,25%), África do Sul ( 36,9% ) e Canadá com 36,1%. Só os paraíso na Terra. Nóis vinha em 17º. e a Bélgica em 19º. ( 33,99% ).

Seja lá o que isso significava, acho que ao menos fugia um pouco ao lugar-comum ou o slogan a que me referi.

Ah, a cereja do bolo. Façam as continhas: "No Brasil, a carga subiu de 25% em janeiro de 1997 ( início do estudo no país ) para 33% no mesmo mês de 1999. Um novo salto de três pontos percentuais, aconteceu em 2000. Ela caiu a 34% em 2001 e, desde então, está estável"

Subiu de 25% em 97 para 36% em 2000. Onze pontos em três anos. Seja lá o que isso pudesse vir a significar.


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