quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Jango caiu por erros na área militar, por Jasson de Oliveira Andrade


Jango não pretendia um golpe para introduzir o comunismo no Brasil, como propalaram os golpistas militares e civis, visando justificar 64. Se isto fosse verdade não ficariam 21 anos no Poder. Ao contrário, militares anti-janguistas desde a época de Getúlio, é que estavam conspirando. Goulart ingenuamente promoveu os golpistas, dando-lhes ainda comando. Além do mais, ele preteriu os seus amigos militares. Quando Jango precisou destes amigos, eles, contrariados, ajudaram o Golpe Militar! É que o presidente confiou mais no Cabo Anselmo, um traidor a serviço da CIA. Um erro que lhe custou a Presidência.

O historiador Jorge Ferreira, no livro “João Goulart, Uma Biografia” (Civilização Brasileira, 2011), à página 357, revelou: “A conspiração já ocorria abertamente (sic). O Serviço Federal de Informações (SFICI), órgão do Conselho de Segurança Nacional, informava ao presidente as movimentações dos golpistas (sic)”. (...) O presidente estava cercado por pessoas que desconsideravam (sic) qualquer informação que aludisse a golpes ou a insatisfações nos meios militares com seu governo. (...) Jango acreditava que o sentimento legalista da maioria da oficialidade do Exército impediria golpes de Estado. O apoio popular seria fator decisivo para desarticular qualquer atentado à democracia”. Outros depoimentos igualmente ressaltam que Jango não acreditava em conspirações militares. Evandro Lins e Silva, quando ministro das Relações Exteriores, levou ao presidente informações de que o general Castelo Branco (sic) estaria conspirando contra o governo. O presidente não levou a sério a notícia. Para Evandro, ele não acreditava (sic) em conspirações. (...) O general Jair Dantas Ribeiro já era quarto (sic) ministro da Guerra, sucedendo Segadas Viana, Nelson de Melo e Amaury Kruel. Segundo [o jornalista] Carlos Castelo Branco, nenhum deles teve tempo de armar um sistema próprio de segurança do governo (sic)”.

Adiante, à página 358, o historiador cita a opinião de Abelardo Jurema, ex-ministro de Jango, sobre essa troca de ministros da Guerra: “Cada vez que assumia um ministro [da Guerra], diversos comandos militares eram substituídos (sic). Descontentes com a perda do posto, eles, muitas vezes, contrariados (sic), tornavam-se receptivos à pregação dos grupos golpistas (sic)”. Jorge Ferreira cita também a opinião de Eduardo Chuay, na época capitão do Exército servindo no Gabinete Militar. Ele se refere a promoções equivocadas nas Forças Armadas: “Goulart preteriu dois coronéis de esquerda, mas promoveu José Horácio Coelho Garcia, homem de ultradireita que, no passado, tinha sido o responsável pelo “inquérito do pinho”, indiciando Jango por corrupção, e que depois, em 1964, estaria ao lado dos golpistas. Na Casa Militar, Chuay conseguiu impedir a promoção a general de Orlando Geisel (sic), um homem sabidamente de direita. Poucos dias antes do golpe, Orlando, jurando fidelidade ao presidente (sic), pediu que Assis Brasil o levasse até ele. Sua ascensão ao generalato saiu imediatamente (sic). Castelo Branco e Mourâo Filho [que iniciou o Golpe de 64] também foram promovidos (sic) em seu governo. Na avaliação de Chuay, Goulart foi um grande presidente, “mas, no setor militar, foi muito fraco (sic)”. Darcy Ribeiro [ex-ministro de Jango], da mesma maneira, avalia que “a política de promoções do presidente não podia ser mais desastrosa (sic)”. Promovendo militares sabidamente de direita, muitos reacionários, ele “decepcionava nossos aliados e demonstrava a inépcia (sic) de um governo que obedecia à oficialidade de direita (sic), desprezando seus aliados (sic)”.

Por esses fatos relatados, Jango caiu por seus erros na área militar, como reconheceram seus antigos colaboradores, e não porque queria um Golpe. Ao ajudar os verdadeiros golpistas ele preparou sua própria queda ou, como se diz na gíria, entregou o ouro ao bandido!

JASSON OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Janeiro de 2015

Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 27/1/2015

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