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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Golpe de 64 levou à morte o dono do Estadão, Por Jasson de Oliveira Andrade


Julio de Mesquita Filho, dono do Estadão, apoiou, segundo ele, um golpe preventivo em 1964. Em sua opinião e na dos militares, Jango planejava um Golpe. É o que se dizia naquela época. No entanto, quem conspirava para derrubar o presidente eram os militares anti-janguistas, entre eles Castelo Branco, como se constatou posteriormente. Mas esta é outra história, que fica para um próximo artigo.

Julio de Mesquita Filho acreditava que Castelo Branco iria ficar pouco tempo no Poder e depois convocaria a eleição para 1965. O seu candidato era Carlos Lacerda, também conspirador. O apoio dele durou pouco tempo, como constatou o jornalista José Maria Mayrink, em reportagem publicada no Caderno Especial 140 anos Estadão (18/1/2015): “[o jornal, leia-se Julio de Mesquita Filho} “rompeu definitivamente com o regime militar após a edição do Ato Institucional nº 2 (AI-2) que cancelou (sic) as eleições previstas para 1965”, acrescentando: “O jornal passou a publicar violentos editoriais (sic) contra a ditadura já antes de 1968, quando o presidente Costa e Silva baixou o Ato Institucional número 5, que fechou o Congresso, cassou mandatos parlamentares, arrochou a censura à imprensa [inclusive no Estadão] e prendeu dezenas de opositores [entre eles Carlos Lacerda, o líder civil do Golpe]”. A decepção de Julio de Mesquita Filho, que já era grande, aumentou. Com a consciência doendo por ter sido um dos responsáveis pelo Golpe de 64, o dono do jornal não agüentou, ficou doente e morreu. É o que conta José Maria Mayrink: “O “Estado” pagou caro pela derrota (sic) de seus ideais. “Foi em primeiro a vida (sic) de meu pai: com o AI-5, ele deixou de escrever o principal editorial do jornal e caiu doente (sic)”, afirmou Ruy Mesquita em 2004. O último foi justamente “Instituição em Frangalhos”, que causou a apreensão (sic) do jornal antes do anúncio do AI-5. Júlio de Mesquita Filho morreu seis meses depois, em junho de 1969, após a reativação de uma úlcera de duodeno. “O trauma moral (sic) pelo que estava acontecendo no País o levou à morte (sic)”, concluiu Ruy na mesma entrevista”.

Mayrink termina assim sua reportagem: “Julio de Mesquita Filho viu com grande arrependimento (sic) a modificação do movimento do qual participou em 1964”, escreveu Roberto Salone no livro “Irredutivelmente Liberal” (Albatroz Editora). “Com essa decepção, começa a mais desabrida oposição do “Estado” à ditadura”.

Pode-se discordar do liberalismo de Julio de Mesquita Filho e do Estadão. No entanto, deve-se louvar sua corajosa atitude. Errar é humano. Ele não persistiu no erro e se tornou um opositor ao Golpe de 64, que ajudou a colocar no Poder. E morreu por defender essa perigosa posição. Enquanto alguns jornalistas, deixe para lá ... Vamos nos preocupar, apenas, com a grandeza de Júlio de Mesquita Filho!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu (janeiro de 2015)

PUBLICADO NA “GAZETA GUAÇUANA” EM 22/1/2015

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